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Quarta-feira, 10 de junho de 2026

30/01/2012 - 09h09min

Daniel Andriotti

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O Besouro e a Perua

Ele é alemão. Ela também. E o mundo inteiro se rendeu às suas performances. Talvez por isso, Adolf Hitler simpatizasse tanto com ele. No início desse mês, completou cinquenta e três anos. Trata-se, portanto, de um senhor de meia-idade. Mesmo assim, quem o encara de frente percebe aquele seu olhar de cusco vira-latas. Desconfortável, rechonchudo, olhos bem redondos, sorrisinho debochado. Será para sempre o querido das lembranças familiares. Se não o mais querido, o mais simpático. E ainda: se fraquejar, basta um pedaço de arame e um alicate para que nunca deixe alguém na beira da estrada. Estou falando de uma das maiores paixões do mundo automotivo: aquele velho besouro de metal chamado Fusca.

Criado por Ferdinand Porsche - cujo sobrenome dispensa maiores comentários na história do automobilismo mundial -, o Fusca chegou a ser taxado por alguns mais pessimistas como um projeto arcaico. E acabou se transformando num projeto eterno. Foi o carro mais vendido do mundo em todos os tempos. Em 1972, seu volume de vendas ultrapassou outro ‘dinossauro’ de quatro rodas: o Ford Modelo T.

Alguns Fuscas foram geneticamente modificados em oficinas de fundo de quintal e viraram ‘baja’ ou ‘gaiola’. A versão mais sofisticada, no entanto, veio de fábrica batizado de New Beetle. O mais famoso dos Fuscas é o lendário Herbie, promovido à artista de cinema num filme onde o danado tinha vida própria e até voava, mesmo sem asas, superando Mustangs e Porsches em corridas disputadas em autódromos ovais. O Fusca só faltava falar. E essa sua mudez dava nome ao filme.

A Kombi, aquela velha senhora, veio depois. Tal qual Adão e Eva, dá até para dizer que a Kombi surgiu de uma costela do Fusca. Embora tivesse chassi próprio, foi montada com a mesma mecânica, quase o mesmo motor, mas com espaço interno ‘infinitamente’ maior. Os faróis e os pára-choques, no entanto, foram idênticos por muito tempo. Ele, o besouro. Ela, a perua.

O nome original da Kombi é bem simples: Kombinationsfahrzeug. Ou simplesmente ‘veículo combinado’, multiuso. É a mãe de todas as vans. Embora tenha se transformado numa referência mundial em transporte de pessoas e de cargas, o único país que ainda fabrica a Kombi é o nosso. Nos Estados Unidos chegou a ser chamada de ‘mini motor home’ por alguns mais fanáticos.

Esses dois ícones da história do automóvel me fascinam porque dos sete aos 14 anos viajei numa Kombi Escolar para frequentar as aulas no Otaviano e, posteriormente, no Cônego Scherer. Depois, aprendi a dirigir num Fusca, que era do meu irmão. Mais tarde, trabalhei no extinto jornal “O Repórter” que tinha um Fusca e uma Kombi, ambos utilizados tanto para ir em busca de notícias quanto para entregar jornais. Alguns anos depois, meu pai teve um Fusca. Eu e ele, o Fusca, trilhamos por muito tempo a - já engarrafada naquela época - BR-116 entre Guaíba e São Leopoldo, de casa para a Unisinos, da Unisinos para casa. Era um “Fafá de Belém”, 1983, motor 1.300cc.

Resumo da ópera: nunca tive um Fusca, nunca foi dono de uma Kombi. Mas não há como negar que tanto o besouro quanto a perua ocupam uma saudosa pasta no HD da minha memória.

* * *

E o futebol voltou a importunar as nossas vidas. A novela “Vai D’Alessandro! Fica D’Alessandro!” está ficando mais chata do que aquela em que a Tereza Cristina manda incendiar o cenário e matar todo mundo, enquanto o Pereirão Griselda paga a conta. O D’Alessandro todo mundo quer comprar e pagar uma pequena fortuna. O Damião - que ficou cinco vezes na cara do goleiro do Once Caldas na última quarta-feira e fez um golzinho só - ninguém quer. Cinco vezes. Uma chance a cada dezoito minutos para fazer a bola passar naquele espação retangular de 7,22m por 2,44m: aproveitamento de 20%. Qualquer time sério não tolera um centrovante que esteja abaixo dos 50% de aproveitamento... A não ser, o mesmo time que tolera o Jô, que consegue disperdiçar 280% das 300 vezes que ‘tenta’ dominar a bola durante os 90 minutos.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 28/1/12.

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