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Quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

08/06/2021 - 08h26min

Daniel Andriotti

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“Cova” América: pão e circo

A hipocrisia humana é algo deplorável e sem limites. Quanto a isso não há controvérsias. E na política ela está na esquerda, no centro e na direita. Ninguém é santo. O tempo passa, os métodos não mudam. O povo está sem pão, mas não pode ficar sem circo...

Em 2013, o mundo não tinha pandemia. Mas o Brasil ostentava uma taxa que beirava os 13 milhões de desempregados. Um milhão a menos que nos dias atuais. Na época, empreiteiras capitaneavam um cartel de corrupção e o dinheiro público escorria pelo ralo de quase todas as estatais. Mesmo assim, o governo brasileiro bancou a construção e a reforma de 12 estádios para sediar a Copa do Mundo marcada para o ano seguinte que custou a bagatela de R$ R$ 8,384 bilhões de reais. Aquela Copa que, para nós, dentro das quatro linhas, terminou com um humilhante e vexatório 7 a 1 no Mineirão. Teve choradeira na época? Lógico. Revolta popular? Muita. Vaia, panelaço, passeata e ato público? Tudo. Fora Lula, fora Dilma, fora Felipão, fora Collor!!!

Qualquer manifestação de bom senso em meio à uma crise, sempre é bem-vinda. Em meio à uma pandemia, melhor ainda. O assunto da vez é a “Cova” América. A Colômbia a recusou e nem foi tanto pela Covid, mas pela turbulenta convulsão político-social que envolve as questões tributárias daquele país nesse momento. A Argentina também agradeceu porque vive o seu pior calvário desde que a OMS decretou a pandemia no mundo. O Brasil quer, mas os brasileiros não. Por que não? A Copa América não pode mas o Brasileirão, com 20 times na série A e outros 20 na B, mais Copa do Brasil e Estaduais, pode? Será que o vírus só curte Copa América e Libertadores e odeia as outras competições? Ou é porque o SBT comprou a exclusividade de transmissão dos jogos da Libertadores e da Copa América enquanto que todos as outras competições envolvendo futebol são da Globo?

Talvez a resposta para todas essas perguntas possa esclarecer a polêmica. Se é para não ter Copa América, então é preciso cancelar todos os outros eventos de qualquer natureza. Inclusive os esportivos num país recordista em mortes por decorrência da Covid no mundo. A pandemia persiste e não tem data para acabar. A peste segue matando a rodo. O vírus todos os dias sofre uma mutação genética e injeta uma cepa cada vez mais letal na humanidade que, inevitavelmente, irá se multiplicar pelo planeta. O problema não é o fato de juízes, bandeirinhas, gandulas, imprensa e 11 contra 11 dentro do campo, mas sim o que há em volta dele: os hotéis, o transporte, o comércio, os bares, as carrocinhas de cachorro quente e de churrasquinho de gato. Neste quesito, os campeonatos Estaduais, a Copa do Brasil e o Brasileirão são bem piores. A final da Libertadores no Maracanã teve torcida, mas Copa América não terá. Então, por isso, não pode? Vários ônibus abarrotados de gente para receber os atletas na chegada aos estádios em jogos decisivos? Já teve isso aqui. E aglomeração nos aeroportos no embarque das delegações? Também já.

O Presidente da República quer a Copa América. Prefeitos das cidades onde ocorrerão os jogos também querem. Governadores não podem (ou não devem) admitir que também gostariam que seus Estados sediassem jogos. Tudo vai depender do lado para o qual vai soprar o vento político. Os hotéis querem, os restaurantes querem, parte da imprensa quer enquanto a outra parte desdenha porque vai ter que trabalhar à distância. Mas então, antes de reclamar da Copa América, vamos pedir o cancelamento do Brasileirão e de todos os outros esportes e eventos deste país muquirana, mesquinho e vulgar. País esse que lamenta a perda de quase meio milhão de almas mas não quer fechar a porta para os seus interesses econômicos?

É isso?

Daniel Andriotti

Publicado em 3/6/21.

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