14/11/2011 - 08h55min
Domingo, dia nove de outubro, visitei uma tia naquele “Hospital”. Ela está muito doente, faz sete anos que não caminha, a alimentação é feita através de sonda, que foi implantada em seu estômago. E, pior, ela perdeu a capacidade de se comunicar, nem através de gestos é possível entendê-la.
Felizmente a família é unida; carinho, atenção e cuidados não faltam e é isso que faz a diferença. Mas quando se entra num hospital, é inevitável que a gente reflita sobre aspectos que são fundamentais em nossa vida. Como é importante ter saúde! Fazia muitos anos que eu não visitava o Hospital Livramento. Eu tinha aquela imagem de antigamente, quando o Hospital “bombava”, diriam os jovens de hoje.
Mas a realidade infelizmente é assustadora. Quando você entra é bem atendido pelos funcionários, desde a recepção até o pessoal de enfermagem. Apesar de tudo, ali tem gente que quer ver as coisas acontecerem e isso é importante. Porém, a estrutura que compete ao Município e ao Estado é uma vergonha, no pior sentido da palavra. O prédio, os móveis, utensílios, estão se deteriorando; faltam até medicamentos.
Eu fiquei alguns minutos dentro do quarto onde se encontra a tia doente. Então resolvi sair daquele ambiente tão assustador e fui para o corredor onde tem uma janela que fica para o lado leste com vista para Porto Alegre. Fiquei ali refletindo sobre a vida e ao mesmo tempo admirando aquela paisagem, pois o dia estava muito lindo, ensolarado, uma temperatura agradável, aqueles dias bons de estar na “Beira” tomando um mate e jogando conversa fora com os amigos. Mas ao mesmo tempo me perguntando: por que o Hospital chegou a esse ponto?
Qual o meu papel perante a sociedade? Será que o meu candidato que se elegeu com ajuda do meu voto está pensando como eu? A palavra cidadania se faz valer? Eu pago impostos. Pra onde vão os recursos?... Não é indignação, mas sim um sentimento de “abandono”. Só se fala em Copa do Mundo, reforma de estádios. Até aquela máquina que fica ali na frente do Hospital, recolhendo dinheiro de estacionamento, faz a gente pensar como as coisas são injustas, como os valores da vida são invertidos de forma estúpida. Eu nasci e me criei em Guaíba, aqui eu tenho o meu trabalho, meus amigos e minha família; eu amo a minha cidade e quero vê-la prosperar. Deixo aqui minha sugestão: se você tiver oportunidade enquanto ainda dá tempo, visite o Hospital, e, se possível, vá até a janela e reflita, certamente terás algo a acrescentar sobre esse assunto.
Alexandre da Silveira Rocha - Vila Elza.
Publicado em 12/11/11.
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