06/02/2012 - 08h58min
Nesta edição de fevereiro da Gazeta Centro-Sul, estamos completando um ano de “Perspectiva”. Ainda tenho na memória a conversa que mantive com o Leandro André, discutindo minha participação nesse veículo de comunicação. Para tomar essa decisão foi necessário romper com algumas crenças. Lembro, também, da busca do nome para a coluna. A Lúcia e eu debatemos sobre o assunto por um bom tempo. Foi um questionamento sobre a proposta para ocupar esse importante espaço social que definiu a questão: Qual era a “Perspectiva” para essa difícil tarefa? O passo seguinte, estabelecer objetivos, definir conteúdos e abordagens, foi precedido por quebra de paradigmas que teimavam em obscurecer a visão com falsas verdades. Nesse contexto, comemoro o primeiro aniversário desta coluna abordando uma questão, no meu entender, fundamental para o processo evolutivo, que é acreditar que mudar uma crença ou paradigma pode não ser tão difícil, é apenas um exercício de possibilidades.
No dicionário Aurélio, encontramos para crença [do lat. medieval credentia.] ato ou efeito de crer; fé religiosa; convicção íntima; opinião adotada com fé e convicção. Para paradigma, [Do gr. Parádeigma, pelo lat. paradigma] modelo, padrão. Em certas circunstâncias, aceitamos algumas coisas como verdadeiras e, em outras, acreditamos que são possíveis. É tudo uma questão de crer! Um exemplo é acreditar que exista vida após a morte, não tendo uma certeza totalmente fundamentada. Para paradigma temos como o conjunto de crenças ou verdades relacionadas entre si. Nicolau Copérnico, há 450 anos, mostrou que a Terra se move em torno do Sol, derrubando a crença de que o Sol se movia em torno da Terra. Essa revelação quebrou uma verdade, um paradigma, transformando, assim, a percepção do Universo. Fecho esta contextualização com uma manifestação de Max Planck, físico alemão, considerado o pai da física quântica e um dos mais importantes do século XX: “uma nova verdade científica triunfa não porque convença seus oponentes fazendo-os ver a luz, mas porque eles eventualmente morrem, e uma nova geração cresce familiarizando-se com ela”.
Nessa conjuntura, volto à questão da participação na Gazeta Centro-Sul. Alimentei, por um longo tempo, uma crença de que não tinha o perfil adequado para essa missão. Aceitei o desafio, mesmo temeroso de não obter êxito. Minha crença, felizmente, foi derrotada. Nesse primeiro ano de relação com os leitores, fui surpreendido inúmeras vezes. Reencontrei alguns parceiros e amigos de infância, de colégio, de “ginásio”, que eu não tinha mais notícias. Encantei-me com a interpelação de “estranhos”, com posicionamentos firmes sobre as questões abordadas. Fiquei emocionado com as manifestações de amigos e “irmãos de coração”. Entendo que consegui me comunicar com os leitores da Gazeta, de forma serena e sincera, sem ranço, com argumentação e aberto às críticas. Enfim, falei com minha alma, ancorado na experiência de um sexagenário que sempre questionou “as verdades”; que nunca desistiu frente às derrotas, que sempre tentou fazer de novo e diferente, buscando acertar. Foi um exercício de possibilidades que quebrou paradigmas. Concluo, valendo-me de um pensamento da autora chinesa Ching Ning Chu: “Muito do que lhe foi ensinado já foi, um dia, a visão radical de indivíduos que tiveram a coragem de acreditar que o que sua mente e coração diziam era verdadeiro, ao invés de aceitar as crenças comuns de sua época”.
Túlio Carvalho
tulioaac@gmail.com
Publicado em 4/2/12.
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