16/01/2012 - 09h21min
O grande Nelson Rodrigues, do alto da sua intelectualidade de boteco, já dizia: “estatística é como biquini: mostra tudo menos o essencial”. No trânsito, esse conceito serve como uma luva. Todos nós sabemos (e lamentamos) que os números de acidentes com mortes nessa caixa de metal motorizada conhecida como automóvel se multiplicam em progressão geométrica. Carros potentes e velozes, deficiência caótica na infra-estrutura de ruas e avenidas (incluindo a sinalização), motoristas alcoolizados e despreparados, legislação branda sob o ponto-de-vista da punição. Juntos ou isolados, esses ingredientes são responsáveis por mais de 90% dos acidentes, sendo que um terço deles matam, em sua maioria, jovens de até 24 anos durante as madrugadas.
Até aí tudo muito claro e lógico. O que pouca gente (ou quase ninguém) comenta - com exceção dos peritos das seguradoras - são pequenos fatos contidos nas entrelinhas das situações cotidianas de algumas ocorrências. Não é preciso viajar diariamente centenas de quilômetros para que se perceba os riscos a que estamos expostos trafegando numa rodovia qualquer ao lado, na frente, atrás ou em sentido contrário de motoristas patéticos cujo talento se limita aos carrinhos de auto-choque dos parques de diversão. Além dos malucos, estressados e bebuns, bastante conhecidos nas ocorrências policiais e nos arquivos do Detran, ainda existem nefastos grupos de kamikazes ‘camuflados’ pelas ruas, onde há que se relacionar pelo menos três:
a) os imperitos: aqueles que (pensam que aprenderam a teoria) e por isso fazem quase tudo errado na prática. Foram mal-orientados e, uma vez com a habilitação garantida, não há quem corrija seus erros. Com isso, tornam complicadas (e arriscadas) manobras simples;
b) os excessivamente cautelosos: normalmente formados por motoristas recém-saídos das auto-escolas ou por aqueles (as) que já passaram dos 60 anos e ficam culpando a limitação de reflexo ou a perda de visão. Pertencem a uma categoria que pensa demasiadamente antes de realizar toda e qualquer manobra - que pode ser fatal nos dias atuais dependendo da velocidade de quem está por perto. Esse grupo, pela sua característica de precaução, ainda alimenta a velha mania de dar uma ‘beliscada’ no freio a cada 500 metros. Não há mais tempo nem espaço para isso como havia nos tempos dos DKWs, AeroWillis, dos Esplanadas, Landaus, Galaxies e Simcas Chambord.
c) os motoristas de fim de semana: esses - em tese - são os mais perigosos porque de segunda à sexta-feira, viajam de ônibus, de trem, de táxi ou de carona no carro dos amigos e colegas de trabalho...mas, aos sábados e domingos - dias em que as bruxas andam soltas e registram as maiores ocorrências -, resolvem mostrar à família tudo o que eles não sabem fazer ao volante. Ou o quanto eles pensam que sabem, que é bem pior. Costumam ignorar ‘cositas básicas’ como espelhos retrovisores e sinais de ‘pisca-pisca’ por exemplo, também conhecido em São Paulo como ‘seta’. Esse grupo reúne, na maior parte dos casos, as categorias A e B citadas anteriormente.
Como os ‘convivas’ acima são facilmente perebidos, melhor ficar longe deles. E não pense que sendo simplesmente pedestre você estará seguro. Não esqueça que pedestres que se envolvem em acidentes, costumam levar a pior em 99,9% dos casos. E nesse particular não vale a regra da estatística como biquini...
* * *
O Tim Maia era bom. O César Maia, nem tanto. Mas o calendário da civilização Maia é terrível, pois aponta para o fim de tudo em 23 de dezembro deste ano. Pô... juízo final na ante-véspera de Natal? Quando eu era criança me diziam que o mundo acabaria no ano 2000. Confesso que não cheguei a perder noites de sono por causa disso. Tanto que já estamos indo para 12 anos de lucro dessa profecia. Imagine o rabudo aqui de São Leopoldo que ganhou sozinho R$ 8 milhões na Mega-Sena da semana passada?! Vai ter que gastar tudo em apenas 11 meses...ou R$ 727 mil por mês.. coisa de R$ 24 mil por dia...
Daniel Andriotti
Publicado em 14/1/12.
Institucional | Links | Assine | Anuncie | Fale Conosco
Copyright © 2026 Gazeta Centro-Sul - Todos os direitos reservados