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Domingo, 09 de agosto de 2020

13/07/2020 - 09h52min

Daniel Andriotti

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Ennio, o gênio

Caro leitor, se você nasceu na segunda metade da década de 80 prepare o seu coração para as coisas que eu vou contar. Sou um remanescente da paixão por filmes de faroeste, do inglês ‘far west’ ou oeste extremo. Essa é a legítima expressão que o define. Oeste extremo, dos Estados Unidos, é lógico. Também conhecido por ‘bang bang’, batismo popularizado pelo som dos tiros. Tiros que causam mortandades. De índios, de lobos, de cavalos, de cowboys, de homens maus, feios e sujos.

Meus prediletos? “Sete Homens e Um Destino”; “Por Um Punhado de Dólares”; “Três Homens em Conflito” (que no Brasil chegou como “O Bom, o Mau e o Feio”); e o top mega plus “Era Uma Vez no Oeste”, entre tantos outros que renderia mais uma coluna igual a essa só citando títulos do gênero. Neles, a fina flor da selvageria, de poucos sorrisos mas muita rapidez no gatilho das Wintchester e dos Colt’45: Charles Bronson, Lee Van Cleef, Buck Jones, Franco Nero, Paul Newman, Giulliano Gemma, Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Redford, Franco Nero, Tommy Lee Jones, Terence Hill, James Stewart, Yul Brynner, Steve McQueen e... eles, os ícones incontestáveis, Clint Eastwood e John Wayne, não necessariamente nessa ordem. E as mulheres Maureen O’Hara e Stefanie Powers, é claro.

Mas o que seria desses filmes épicos e seus atores malvados se muitos dos tiroteios não fossem silenciados pela trilha sonora? Essa introdução que ficou maior do que eu gostaria é para falar de alguém que nos deixou essa semana aos 91 anos: o maestro italiano Ennio Morricone, um dos compositores mais influentes e geniais da história do cinema e que compôs centenas de obras clássicas para sonorizar a maior parte dos filmes que citei no parágrafo anterior. E, para o desprezo da Globo, não foi escrito Covid-19 no seu atestado de óbito.

Não bastasse a trilha sonora dos westerns que tanto gosto, Morricone também foi o responsável por compor 16 faixas de outro dos meus clássicos preferidos: “Cinema Paradiso”. Cada uma das músicas, incluindo o tema-título, é da mais alta sensibilidade que escancara o toró de lágrimas que é o drama de Giuseppe Tornatore, de 1988. “Os Intocáveis”, de Brian de Palma e com Robert de Niro, também é um filme que gosto muito. E a trilha é de quem? Sim, é dele. Como também foi ele que enriqueceu o universo do espanhol Pedro Almodóvar no clássico “Ata-me”. Mas seu prêmio mais emblemático é um Oscar para as canções de “Os Oito Odiados”, produzido e dirigido por Quentin Tarantino, em 2015.

Morricone foi ímpar até na hora da partida. Ele deixou escrito o seu próprio obituário onde se despede de amigos e familiares e encerra com uma homenagem à mulher Maria Travia, com quem foi casado durante 64 anos. E assim ficou o último parágrafo: “...por último mas não menos importante, Maria. Renovo a você o extraordinário amor que nos uniu e que lamento abandonar. Para você, o adeus mais doloroso”.

Genial, até no pior momento.

Bolsonaro admitiu essa semana que seu exame para Covid-19 deu positivo. Positivo e operante. Pelo seu estado de saúde até o momento, alguns comentaristas de futebol poderiam dizer: “...nada, nada, nada. Se jogou. Chamou o contato, o contato veio. Devia levar cartão amarelo por simulação...”.

Pior do que isso é ver amigos adoradores da esquerda brasileira e latino-americana postarem em suas redes sociais: “Força, Coronavírus!!!”

Que chance um país desses tem de dar certo???


Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 10/7/20.

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