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Domingo, 09 de agosto de 2020

06/07/2020 - 09h36min

Daniel Andriotti

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Fedendo e aprendendo

Um pouco de humor para amenizar a dor. Mesmo que você já tenha ido à França talvez não saiba que o suntuoso Palácio de Versailles, hoje subúrbio de Paris, não tenha banheiros. Isso porque, na Idade Média não havia escovas de dentes, desodorantes, sabonetes e, muito menos, papel higiênico. Logo, a explicação: os excrementos humanos eram despejados pelas janelas do palácio – podendo inclusive ‘contemplar’ algum infeliz que estivesse passando pelo local naquele momento. Sim, os imensos e belos jardins do château eram utilizados como vaso sanitário nas famosas baladas promovidas pela monarquia.

Nos filmes e documentários, vemos os nobres daquela época sendo abanados por enormes leques. E quem os abanava? Os ‘lacaios’, outra expressão popular que pouca gente sabe a origem. Pois então, eram serviçais sem muita dignidade que se submetiam a esse tipo de favor em troca de algum benefício. Amenizar o calor excessivo??? Claro que não. A explicação está no mau cheiro que exalava por debaixo das saias (feitas propositalmente para conter a ‘murrinha’ das partes íntimas sem higiene). Mas por que a falta de banho? Primeiro, porque acreditava-se que a sujeira era uma proteção contra as epidemias (opa!?! Te cuida Coronavírus). Segundo, pelo frio intenso. Terceiro, pela quase inexistência de água encanada. O ‘budum’, nesses casos, era dissipado pelos abanadores. E onde tem cheiro ruim... tem inseto. Por isso, os lacaios também serviam para espantar as moscas do entorno do corpo.

Naquele tempo a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho (para eles, o início do verão). A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio. Assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era ‘tolerável’. Entretanto, como alguns odores ‘já começavam’ a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores junto ao corpo para disfarçar o mau cheiro. Nesse parágrafo você acaba de descobrir duas coisas: por quê maio é ‘o mês das noivas’ e a origem do buquê de noiva.

Voltamos ao banho: eram tomados em uma única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família, lógico, tinha o privilégio de ser o primeiro. Logo, ‘pegava’ a água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros, por ordem de idade decrescente. Por fim, então, as crianças. Assim, os bebês eram os últimos. Quando chegava a vez deles a água da tina já estava tão suja que era possível ‘perder’ um bebê lá dentro. Com isso, surgiu uma expressão em inglês que diz: ‘don’t throw the baby out with the bath water’, ou seja, ‘não jogue o bebê fora com a água do banho’.

Os nobres possuíam pratos de estanho e alguns alimentos oxidavam o prato fazendo com que muita gente morresse envenenada. Nos copos de estanho bebiam cerveja ou uísque. Essa combinação, muitas vezes, ‘apagava’ o indivíduo (uma espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho). Quem passava pela rua imaginava que ele estivesse morto e recolhia o corpo para o enterro. O cadáver era colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o sujeito acordava ou não. Daí surgiu o velório...

Em pequenos países da Europa nem sempre havia espaço para o enterro de todos os mortos. Depois de algum tempo os caixões eram abertos, os ossos retirados e colocados num ‘ossário’. Com isso, o túmulo era (re) utilizado para outro cadáver. Muitas vezes, ao abrir os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas pelo lado de dentro, indicando que ‘o morto tinha sido enterrado vivo’. Assim, surgiu a ideia de, ao fechar o caixão, amarrava-se uma tira no pulso do defunto, passando-a por um buraco na lateral e amarrada a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante alguns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar. E ele seria ‘saved by the bell’, ou ‘salvo pelo congo’, expressão usada até hoje nas lutas de boxe ou de UFC.

Você deve estar pensando: ‘como vivi até hoje sem saber de tudo isso?’. Sem traumas. Eu também pensei.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 03/7/20.

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