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Domingo, 09 de agosto de 2020

29/06/2020 - 09h01min

Daniel Andriotti

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Máscara e raquete elétrica

Uma pandemia sempre coloca o ser humano diante da sua maior inimiga: a morte. Estamos vivendo (e morrendo) há mais de quatro meses com a Covid-19. Em outras partes do mundo esse dilema e sofrimento já duram meio ano. E a nossa participação, enquanto brasileiros, nesse momento, está assumindo um péssimo protagonismo nesse cenário: o de estar na segunda colocação – em números absolutos – na quantidade de casos e de mortes por milhão de habitantes. Estamos perdendo apenas para os Estados Unidos. Não por acaso, nações com presidentes muito parecidos. Em tudo.

Mesmo que seja muito difícil fazer uma comparação direta da velocidade de infecção e da mortalidade pelo mundo afora, basta a gente dar uma olhadinha nas notícias que chegam de outros países para perceber que a maioria deles – até mesmo os mais pobres do que nós – conseguiram desacelerar a propagação simultânea do vírus de forma mais eficaz. Sem ‘lockdown’, inclusive. Enquanto isso, a brasileirada segue se contaminando e morrendo. Mas por que isso acontece?

Primeiro: falta-nos, enquanto cidadãos, uma boa dose de espírito comunitário e disciplina. Em todos os sentidos e não somente no isolamento social. E isso, é claro, está associado à falta de lideranças. O povo brasileiro não acredita naqueles que ele próprio elegeu, principalmente porque gestão, transparência e ações coordenadas é tudo o que nos falta. Se os exemplos vêm de cima...

Segundo: testes em abundância e confinamento dos casos que deram positivo. Sabe-se que a identificação precoce retarda a propagação da doença. O Brasil testou até agora 0,4% da sua população, enquanto que países como a Nova Zelândia (escrevi isso aqui há duas semanas) testou 6% da sua gente. E mais: uma coisa depende da outra. Nada vai adiantar testar o povo inteiro e não confinar os infectados. O que certamente aconteceria por aqui.

Terceiro: nosso transporte coletivo – que concentra milhares de pessoas por dia – é um prato cheio no cardápio da contaminação. Ônibus e metrôs superlotados. E que, por esse motivo, acabam deixando outros grupos de pessoas nas estações também muito próximas umas das outras, aguardando pelo próximo veículo. Caso circule um próximo carro, igualmente estará superlotado. Faltou uma ação de escalonamento sério entre horários para quem trabalha, com o devido respeito aos intervalos entre um coletivo e outro. Quinze minutos a cada veículo é diferente de 2 horas e meia...

Mais uma: valorização da ciência. Numa pandemia é fundamental que pessoas especializadas sejam ouvidas, respeitadas e que, assim, tenham o poder de orientar quem toma as decisões. Sem ideologias nem cores partidárias.

E pra encerrar, essa semana li uma frase que me deixou bem mais assustado do que eu já estava: “No Brasil, enquanto a gestão pública estiver isenta de licitações para o enfrentamento de emergências, uma pandemia jamais terá fim...”

Está na bíblia: a oitava praga é... a dos gafanhotos. Quando criança, minha avó contava histórias horrorosas sobre uma infestação desses insetos que devastava tudo o que cruzasse pelo seu caminho. Cresci e esqueci dessa história que, por vezes, atormentava o meu sono de criança.

Pois então: se você pensa que leu no Livro do Êxodo que “uma praga de gafanhotos está se espalhando por toda a região, ameaçando o fornecimento de alimentos a dezenas de milhares de pessoas” talvez tenha se enganado. Não foi no Livro do Êxodo. Você deve ter lido isso nos noticiários de todos os jornais do Brasil, do Uruguai e da Argentina...

Agora é máscara e raquete elétrica.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 26/6/20.

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