Gazeta Centro-Sul

Contato: (51) 3055.1764 e (51) 3055.1321  |  Redes Sociais:

Sexta-feira, 03 de abril de 2020

21/02/2020 - 14h10min

Daniel Andriotti

Compartilhar no Facebook

enviar email

Allah-La Ô

Sim, eu sou brasileiro. Nasci brasileiro, mas... não, eu não gosto de carnaval. Talvez seja uma espécie de fobia social. Pode ser. A mesma que com o ‘avanço da idade’ me afastou dos estádios de futebol. Mas antes de continuar, um esclarecimento: não tenho nada contra as pessoas que gostam de carnaval. Eu mesmo já gostei, um pouco, num passado distante.

Tem quem não goste de chocolate. De cerveja. De vinho. De futebol. De samba. Não é o meu caso. Eu não gosto de carnaval. Não é o carnaval pelo carnaval. Até porque eu nasci durante um carnaval e vez por outra, meu aniversário ‘cai’ em meio a um feriado de carnaval. Como esse ano, por exemplo. Me agrada, no entanto, os dias de descanso e entendo que a festa fortalece a economia do país. Até porque estamos falando da mais pura representação da cultura nacional. Afinal de contas, dinheiro e corpo geram recursos e divisas em nações terceiro-mundistas. O que me incomoda são os excessos: a aglomeração, o descontrole, o desrespeito, o abandono das regras de civilidade e da boa convivência, das ruas que viram motéis e latrinas a céu aberto e posteriormente se transformam em depósitos de lixo. Lixo esse deixado por gente suada, bêbada, sem limites. Gente essa que se preocupa em salvar a Amazônia e que condena os canudinhos de plástico que irão engasgar as tartarugas. Gente essa, que se excede na apelação à nudez mas critica o desrespeito às mulheres...

Se você também faz parte da turma que prefere a calma e a meditação associadas à fuga das cuícas, tamborins e repiniques em meio à confusão carnavalesca e para isso vai pegar a estrada... má notícia: boa parte da população brasileira teve a mesma ideia. Por isso, nossas precárias rodovias estarão lotadas e por vezes, engafarradas. Isso porque muitos, como nós, querem escapar da folia enquanto outros tantos estarão indo atrás dela. Pela mesma estrada. E tanto faz se você foge ou se aproxima do ziriguidum, a função seja ela qual for tem um preço: em qualquer lugar do país as coisas (qualquer coisa) estarão custando bem mais do que normalmente custariam em outros períodos do ano. Em ‘economês’, isso tem um nome: alta temporada. Traduzindo: você vai gastar mais do que imagina!!!

Optar por ficar em casa pode ser um bom negócio desde que você não passe os quatro dias nas redes sociais ‘apatifando’ com quem gosta de carnaval. Melhor ainda se você tem TV a cabo. Se não, má notícia parte II: a grande mídia não respeita a pluralidade das opiniões. As poucas emissoras de TV aberta irão transmitir os ensaios, o aquecimento e os desfiles, os desfiles, mais desfiles e todos os desfiles durante os quatro (ou seis, ou dez ou vinte) dias. O do Rio, o de São Paulo, o de Olinda, o de Recife e, evidentemente, o de Salvador. Em alguns momentos, transmissões ao vivo. Em outros, vídeo tape completo ou “os melhores momentos”. No caso de Rio e São Paulo, a ‘coisa’ mais ou menos termina na transmissão da apuração dos desfiles das Escolas de Samba. E a voz grave do locutor no alto-falante: “acadêmicos disso-e-daquilo: deeeeeeeeeeezzzzz!!!”. Portanto, não há como escapar. Só resta torcer para tudo se acabar na quarta-feira...

Para superar a perda do Gre-Nal do último sábado, o Inter fez uma bela homenagem a José Mojica Marins, o mestre do terror nacional, também conhecido como Zé do Caixão, que morreu na última quarta-feira, dia do jogo contra o Deportes Tolima, na Colômbia: os intermináveis 90 minutos foram um verdadeiro filme escatológico produzido em quinta categoria. Como era a arte do ator, diretor, cineasta e roteirista Zé do Caixão. Os mais famosos deles, “À Meia Noite Levarei sua Alma”, “Encarnação do Demônio” e “Meu Destino em Tuas Mãos”.

Tudo a ver com o Inter. Justa homenagem.


Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 22/2/20.

Últimas Notícias

Registrado oficialmente o primeiro caso de Covid-19 em um morador de Guaíba, na tarde desta quinta-feira, 2.

Comércio não essencial de Guaíba começa a operar pelo sistema de tele-entrega nesta quarta-feira, 1º.

Vacinação em casa para idosos acamados. Agendamento deve ser feito por familiares no posto de saúde do bairro.

Publicidade

Institucional | Links | Assine | Anuncie | Fale Conosco

Copyright © 2020 Gazeta Centro-Sul - Todos os direitos reservados