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Segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

28/01/2020 - 09h28min

Daniel Andriotti

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O Amargo Chá das Cinco

Brasileiros como eu você, adoramos dar pitacos naquilo que não nos diz respeito. Não bastasse as mazelas que enfrentamos no dia a dia desse nosso país tropical abençoado por Deus e corrompido por natureza, ficamos metendo o bedelho em notícias que nos chegam de países distantes. Distantes em tudo.

Primeiro o caso mais recente e menos importante: o príncipe Harry, de 35 anos, teve que escolher entre a vó, rainha e poderosa; e a esposa americana e independente. Tomou a decisão de deixar a posição de membro sênior da família real inglesa para viver como um simples cidadão do mundo. Opa, demorou. Talvez porque entendeu o quanto está distante a sua possibilidade de sentar no trono da matriarca Elisabeth, que parece eterna e imortal. Além do mais, na fila tem o pai, Charles, o irmão William e seus (por enquanto) três filhos, George, Charlotte e Louis. Ou seja: ele é o sexto (se a duquesa Kate Middleton não fizer uma ligadura de trompas ou William, uma vasectomia, essa escalada por se tornar ainda mais longa...)


Outra coisa: ao se casar com uma mulher muito à frente do tempo e dos hábitos da monarquia, Harry deve ter ficado com vergonha de ser bancado pelos impostos do povo inglês. Com um currículo digno da pompa que sua família tem aliado ao seu ‘círculo de amizades’ e às heranças a que tem direito, isso não deve ser difícil. E deita a cabeça no travesseiro todas as noites sabendo que caso não consiga pagar a cota mínima da fatura do seu cartão de crédito, basta pegar um vôo charter entre a América do Norte e o Reino Unido para um chá das cinco no Palácio de Buckingham que vovó passa um watts pro gerente do banco e resolve. Na hora.

Olhando pela ótica de um brasileiro que não tem sangue azul como ele, me parece que Harry cansou de ter as coisas de mão beijada e não suporta mais ver tudo o que precisa cair do céu o tempo todo sem o menor esforço. Sorte a dele, pois se precisasse procurar um emprego, ao menos no Brasil, não seria tão fácil.

Um concurso para a área militar talvez fosse um bom negócio. Afinal de contas ele é atleta, participou de duas missões no Afeganistão e é piloto de helicóptero. No entanto, na fila do SINE, mesmo sendo um ótimo candidato e com inglês fluente, o príncipe demoraria uns seis meses para encontrar uma vaga em posições de gerência, por exemplo, e ainda por cima com salário abaixo da média por absoluta falta de experiência. Por outro lado, suas incursões com voluntariado poderiam lhe render ‘uma boca’ na área de responsabilidade social de alguma ONG. Mas na hora em que vovó tomasse conhecimento de como funcionam as ONGs no Brasil, Harry seria deserdado. Sumariamente.


Agora o papo é reto: quando uma ação capitaneada pelos Estados Unidos despachou o general e terrorista iraniano Qassem Soleimani para o paraíso islâmico (lá onde cada muçulmano que chega é recebido por quarenta virgens), os principais aiatolás da imprensa mundial, inclui-se aí muitos jornalistas brasileiros que dizem vigiar a fronteira entre a civilização e a barbárie, choraram copiosamente. Lamúrias e textões mesmo sabendo que Soleimani era direta e indiretamente responsável pela morte de milhões de pessoas – incluindo crianças – e que por mais que o Irã não admita, era odiado e temido dentro do seu próprio país. O choro de boa parte dessa imprensa ‘desavisada’ foi tanto que não sobrou uma mísera lágrima pelas 176 vidas civis perdidas a bordo do avião destroçado “por engano” por um míssil iraniano.

Somente profissionais mesquinhos e hipócritas misturam jornalismo com ideologia

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 18/1/20.

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