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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

16/08/2019 - 14h50min

Daniel Andriotti

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171 no século 21

Meu avô, há 40 anos, dizia: “no Brasil, quando um esperto acorda é porque já tem cinco otários na rua, trabalhando por ele”. Hoje já não são mais cinco. São cinquenta. Ou considerando o desvio padrão de dois pontos percentuais para mais ou para menos, pode ser 48 ou 52...

Pelo menos uma vez por semana o noticiário nos ‘brinda’ com uma reportagem sobre alguém que caiu em pequenos golpes populares. O mais famoso deles? O do bilhete premiado. Apesar de extensa divulgação pela imprensa e pelas conversas populares, ele continua sendo o preferido e praticado com sucesso garantido mesmo na era do wireless em pleno século XXI. Mas como funciona isso e por que tantas pessoas são iludidas nessa modalidade?

Vamos lá: a encenação altamente teatralizada conta com um golpista com jeito de caipira humilde mas com grande poder de persuasão. Ele aborda a sua vítima dizendo que precisa receber um prêmio da loteria mas não sabe onde fica a agência da Caixa Econômica Federal. O inocente a ser enganado, porém ganancioso, quase sempre é uma pessoa idosa para o qual é mostrado um bilhete forjado e um documento com a logomarca da Caixa. Tudo falsificado, é claro. Neles constam o número do bilhete e o valor do prêmio. Prêmio alto mas de uma quantia que não existe.

Se for um bilhete da Mega Sena, os estelionatários irão mostrar à vítima o comprovante dos seis números sorteados – que nesse caso pode ser o resultado verdadeiro – mas acompanhado de um bilhete falso contendo os mesmos números. Enquanto a vítima vai conduzindo o bandido até o banco, o ‘falso caipira’ convence aquela alma caridosa a comprar o referido ‘bilhete premiado’ por um valor até dez vezes menor do que o prêmio anunciado. Por exemplo: se o prêmio é de R$ 100 mil, o bilhete pode ser tranquilamente vendido por R$ 10 mil. Para justificar a generosa oferta, dirá que não pode retirar o dinheiro pois, além de ser analfabeto e ter perdido todos os seus documentos, sua mãe está no hospital e ele está desorientado com a burocracia da ‘cidade grande’. Por fim, tem pressa pois o ônibus para a sua cidade partirá em 15 minutos.

Se a vítima cair nessa conversa fiada, irá sacar dinheiro da sua própria conta bancária e entregar limpinho ao golpista, comprando o ‘bilhete premiado’ que não passa de um pedaço de papel sem nenhum valor. Se a desconfiança estiver em alta, pode aparecer um segundo comparsa para pressionar ou incentivar a vítima a fazer o saque. Ele dirá que ‘escutou’ a conversa sem querer e caso a pessoa não aceite, ele mesmo irá comprar o bilhete. Assim, o otário se convence que pode estar perdendo um bom negócio. Em casos extremos surge um terceiro golpista, vestindo terno, gravata e um crachá da Caixa Federal. Falso, é lógico. Este, por sua vez, irá ‘conferir’ o bilhete e ‘confirmar o prêmio’ – que não existe. Em alguns casos a bandidagem aceita jóias ao invés do dinheiro (que pode não estar disponível na conta da vítima).

O enganado, muitas vezes, até ‘sente o cheiro do golpe’ mas prefere ignorá-lo movido pela ganância que cega o bom senso. Parece até difícil acreditar que alguém, por mais simples ou mal informado que seja, possa ser ludibriado por uma falácia com alto poder de convencimento. A pessoa lesada vai se recuperar somente após a conclusão do golpe e com a sensação total de frustração causada pela sua própria conduta. Vai concluir que o poder de persuasão é tão perigoso quanto o de uma arma, porém com uma sensível diferença: com a arma ocorre a coação e a intimidação pela ameaça. Ao cair no golpe do bilhete, a pessoa é convencida a acreditar na veracidade de uma história fantasiosa, entregando conscientemente aquilo que é seu de direito a quem de fato não merece.

Grêmio e Inter seguem vivos na reta final da Copa do Brasil e da Libertadores. Pode dar Gre-Nal nas duas finais sendo que no caso da Libertadores o jogo decisivo será no Chile. Quem vencer vai a Abu Dhabi. É muita emoção pra pouco futebol...



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 17/8/2019.

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