Gazeta Centro-Sul

Contato: (51) 3055.1764 e (51) 3055.1321  |  Redes Sociais:

Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

12/07/2019 - 15h07min

Daniel Andriotti

Compartilhar no Facebook

enviar email

Pedágio caro, remédio amargo

Reforma da Previdência. Sim, essa expressão que ouço há tanto tempo e vai impactar a vida de milhões de brasileiros, principalmente daqueles que, como eu, ainda não se aposentaram. Por isso, o assunto divide opiniões e tem pior: a maioria não entende direito do que se trata. Em especial, aquela parcela da população menos esclarecida, menos amparada e que, provavelmente, será a mais prejudicada.

Outra coisa que ninguém sabe ao certo é se a previdência realmente está falida ou trata-se de mais um blefe governista de infinitas gestões pluripartidárias. Ninguém acredita em mais nada do que sai da boca de político brasileiro. Fala-se que o dinheiro arrecadado pelas contribuições é insuficiente para pagar o atual grupo de aposentados e pensionistas do Brasil. Pode ser verdade porque esse sistema foi desenhado há duas décadas e, de lá para cá, os aposentados aumentaram, o brasileiro passou a viver mais e sonegar muito. Sonegar, nesse caso, tem a ver com o comércio informal e, muitas vezes, ilegal. Quem criou esse modelo acreditava que aqueles que trabalham e contribuem pudessem ‘financiar’ os que iam se aposentando. Seja por idade ou por invalidez. Só que não. A cada ano, a diferença entre o que a previdência arrecada e o que ela tem que pagar passa dos R$ 150 bilhões. E aí a conta não fecha. Isso ainda não entrou em colapso porque o governo financia esse ‘rombo’ com tributos e empresta dinheiro da sociedade por meio da emissão de títulos públicos. Mas se continuar assim, nessa escala de grandeza, alguma coisa muito grave vai acontecer. E então, a miséria, só piora.

O ponto central é que os limites de idade do trabalhador brasileiro para a época não condizem mais com a realidade atual do Brasil. Por outro lado, existem aposentadorias exorbitantemente altas – principalmente na relação entre o funcionalismo público e o privado. É lógico que o mundo ideal deveria ser: a pessoa trabalharia desde jovem, contribuindo durante todo o tempo para que, no máximo aos 50 anos, pudesse se aposentar com uma renda que lhe permitisse morar bem, comer bem, viajar, cuidar da saúde e desfrutar dos anos de vida que ainda lhe resta... um mundo de abundância de recursos, sem sofrimentos. Mas a vida só é assim na Finlândia, na Suécia, na Dinamarca. Lugares em que políticos como os brasileiros, não se criam. Aqui, o jeitinho impera, a corrupção é vitalícia, os recursos são escassos e as necessidades não tem limites.

Mas enfim, o que basicamente está mudando na previdência são as regras na idade mínima ou no tempo de contribuição para se aposentar. Teses técnicas a parte – o complexo cálculo do valor proporcional ano a ano varia de caso a caso – a proposta do governo, para o setor privado, é elevar a idade mínima dos homens de 60 para 65 anos para se aposentar, desde que tenham, pelo menos 20 anos de contribuição; e de 55 para 62 anos de idade para mulheres cuja contribuição seja superior a 15 anos.

Para escrever esse texto pedi um ‘help’ para um amigo economista. E ele ainda me disse: “se o Brasil pudesse empregar os 14 milhões de desempregados, seria mais 14 milhões de pessoas contribuindo. Continha básica: se cada um contribuísse com R$ 80 reais – partindo do pressuposto que todos ganhariam um salário mínimo, por exemplo – o governo iria arrecadar R$ 1,2 bilhão de reais por mês. Por ano, R$ 14,5 bilhões de reais, sem contar a contribuição do décimo terceiro. Estaria resolvido o problema. Sem reforma na previdência, sem toma-lá-dá-cá para essa politicalha interesseira que segue ‘cobrando pedágio’ do governo com dinheiro público para aprovar um remédio pra lá de amargo.

Esse amigo me deu essa aula com duas condições: que eu não revelasse o seu nome e ainda publicasse duas pérolas de sua autoria. A primeira: “quem não entendeu muito bem as questões relacionadas às mudanças da previdência, não se assuste: PT e PSOL estão contra. Então é porque alguma coisa boa tem...”. E a segunda: “As únicas reformas que a esquerda apoiou no Brasil dos últimos anos foram as reformas do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia”.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 13/7/2019.

Últimas Notícias

Obras de revitalização da Praia da Alegria, em Guaíba, deverão iniciar em março. Ver matéria nesta edição da Gazeta Centro-Sul.

Abacaxi derruba diretor municipal em Guaíba. Confira na Coluna impressa de Leandro André.

Guaíba. Motorista de aplicativo, Rafael da Silva, 31, desapareceu no dia 6. Seu carro foi encontrado queimado sábado, 8, no Mathias.

Publicidade

Institucional | Links | Assine | Anuncie | Fale Conosco

Copyright © 2020 Gazeta Centro-Sul - Todos os direitos reservados