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Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

05/07/2019 - 15h07min

Daniel Andriotti

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A esquerda se traveste

Sou um fã incondicional de Luiz Felipe Pondé, filósofo e escritor pernambucano, doutor em filosofia pela USP e pós-doutorado pela Universidade de Tel Aviv. Primeiro, porque eu e ele gostamos de Nelson Rodrigues. Segundo, porque eu e ele odiamos a esquerda da América Latina. Detalhe: tanto eu quanto ele não somos de direita.

Pondé escreveu um artigo para a Folha de São Paulo em julho de 2012 – portanto, meus bons e grandes amigos da esquerda que tanto respeito, auge do governo Dilma Rousseff – com o título “Bolchevique Traveco”. Nesse texto, ele fala que a esquerda é uma praga da qual não conseguimos nos livrar. Em tempo: Bolchevique é uma palavra da língua russa e significa "maioritário", adjetivo e substantivo de dois gêneros.

Pondé escreve que no Brasil, após a ditadura, a esquerda tinha o absoluto controle da universidade e, por tabela, de muitas das instâncias de razão pública, como escolas de nível médio, mídia, tribunais e escolas de magistratura. Neste último, o do aparelhamento jurídico, sente-se o impacto quando vemos a bem-sucedida manobra da esquerda em fazer do Código Penal uma província ridícula do politicamente correto, para quem, como diz a piada, entre matar um fiscal do Ibama e um jacaré, é menos crime executar o fiscal.

Mais adiante, nesse mesmo artigo, vem o melhor: ele descreve os diferentes tipos de esquerda. “A primeira delas, a esquerda-melancia, verde por fora e vermelha por dentro. É a que se traveste de preocupação com os ursos pandas para roubar o dinheiro e o esforço alheios, em especial daqueles que acham os bichinhos muito fofos. Sonham em refundar a união das Repúblicas Socialistas Soviéticas desde que haja obrigação de comida orgânica no cardápio.

Existe também a esquerda ‘de classe executiva’ que vai a jantares inteligentes. O mais perto que ela chega de qualquer coisa vermelha é do vinho de US$ 1 mil dólares a garrafa. Seus integrantes gostam de discutir se o tanino é fraco ou adocicado e se o sabor é frutado para demonstrar sua falsa "finesse". Um exemplo clássico: Chico Buarque, que descreve como poucos o nosso cotidiano, ama o Brasil sob todos os aspectos, mas mora em Paris.

Segundo Pondé há também a esquerda religiosa, que se divide em duas. “A budista ‘light’, que enxerga em Buda uma espiritualidade ‘progressista’. E a católica, que lamenta que Karl Marx não teve um Che ‘Jesus’ Guevara para lhe apoiar. E cita a esquerda do feminismo: “aquela que acha que o patriarcalismo é responsável por todos os males e ainda afirma que Shakespeare era uma menina vestida de menino”. Tem também a esquerda multicultural. Essa confunde o mundo com uma praça de alimentação étnica de um shopping center de classe média, achando que "culturas" (esse conceito "pseudo") se mistura como molhos.

Outra forma é a esquerda ‘aborígene’, “aquela que entende que a vida antes da descoberta da roda era a forma plena de habitar o cosmo”. 100% desse grupo defende o uso da maconha como terapia medicinal. E a esquerda da psicologia social, composta basicamente de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais em favor da educação democrática e da ideia de que tudo é construído no diálogo. Seus admiradores creem que se pode dialogar com serial killers e estupradores, culpando a escola, o capital e a igreja pelas mulheres que eles cortam em pedaços nas redondezas”. Liderança eminente desse grupo? Deputada Maria do Rosário...

Todos esses tipos têm um traço em comum: são uns frouxos, como diria Paulo Francis.

E, por fim, fala de uma outra esquerda, a “bolchevique traveco". Os bolcheviques eram cabras que gostavam de violência e a praticaram em larga escala. Hoje, para a esquerda, pega mal pregar violência. Ela sofre com um problema que é a imagem de si mesma como um conjunto de seres puros, dóceis e pacíficos. Então, para os simpatizantes da violência revolucionária bolchevique, a saída é se travestir de gente dócil e falar em "violência criadora". O amor e a violência são os mesmos, mas a saia e a maquiagem confundem.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 06/7/2019.

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