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Segunda-feira, 22 de julho de 2019

17/06/2019 - 14h11min

Daniel Andriotti

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Mais Chuteiras, Menos Salto

Vivemos uma semana ímpar para o futebol mundial. Masculino e feminino. Enquanto ‘elas’ disputam uma Copa do Mundo, na França; ‘eles’ jogam a Copa América aqui no Brasil. Além, é claro, da diferença descomunal dos salários entre homens e mulheres que jogam futebol profissional, tenho observado algumas particularidades que nos fazem admirar cada vez mais esse ser chamado mulher. Por exemplo: jogo pegado. Na disputa pela bola, uma atleta sofre uma falta dura. Mesmo com aquela careta de dor e esparramada no chão, ela respira fundo, massageia com a própria mão o local do corpo onde levou a pancada e, em menos de 30 segundos está de pé novamente. Com tal atitude, a árbitra – que ainda não havia autorizado a entrada do médico e do massagista – dispensa o serviço de maca. E segue o jogo.

Corta a cena para o futebol masculino. O jogador sofre uma falta nem tão dura assim. Solta um grito capaz de ser ouvido até fora do estádio. Cai por cima da bola e fica abraçado nela antes mesmo do juiz apitar a falta. A expressão de dor do atleta caído é assustadora. Ele permanece imóvel. Seus colegas de time se dividem em três grupos: um, ao redor do atleta caído para ‘filar’ uma água que o médico e o massagista sempre carregam naquelas maletas. Outro grupo pressiona o juiz para que ele peça o VAR e decida expulsar o adversário. E o terceiro fica dando ‘peitaço’ no agressor para ameaçá-lo. O jogo já está parado há quase um minuto. Então, a arbitragem autoriza a entrada da maca (o médico e o massagista, que já estavam em campo, ‘atestaram’ que o caso é grave). Vem o carrinho. Tira a ‘padiola’. Coloca o jogador. Os maqueiros erguem a ‘padiola’. Sai o carrinho. Mal ele cruza a linha lateral e o boleiro ‘machucado’ pula da maca-móvel pronto para voltar pro jogo como se tivesse ficado bom num passe de mágica. Imediatamente grita para o árbitro pedindo autorização pra voltar. O assistente segura-o pelo braço na beira do campo. Enquanto isso, seus colegas se preparam para a cobrança. A barreira se adianta. O juiz faz nova marcação de spray no chão. O cobrador toma distância mas... volta caminhando lentamente até a bola. Pega ela nas mãos, alisa, gira até ficar com o ventil apontado pro lado da barreira. Recoloca a bola no lugar. Já se passaram dois minutos e meio. No empurra-empurra da barreira, alguém cai. A barreira se desfaz. O juiz puxa o cartão amarelo. O bate-boca é intenso. Três minutos de bola parada.

Corta para os salários: atualmente, o melhor jogador de futebol do mundo, Luka Modric, o croata do Real Madrid ganha, somente em salários (sem os patrocínios de exclusividade para uso de determinadas marcas de material esportivo) algo em torno de R$ 4 milhões por mês. Marta, a brasileira seis vezes eleita como a melhor jogadora do mundo e que pertence ao Orlando Pride, dos EUA, recebe R$ 1 milhão e 300 mil por mês. Quatro vezes menos...

Outra grande diferença entre os sexos no futebol é a visibilidade que estes têm aos olhos do mundo. Os homens desfrutam de amplos e generosos espaços na mídia. Isso promove atletas que, por consequência, desperta atenção dos patrocinadores e a cobiça dos empresários. A respeito da presença dos torcedores ao estádio não tenho medo de arriscar que o futebol masculino seja capaz de encher um estádio muito mais depressa do que o feminino. As mulheres que conheço, que gostam e entendem de futebol, admitem que preferem assistir partidas de futebol masculino invés do feminino. Dizem que o futebol entre homens é mais competitivo, dinâmico e veloz.

Mas a situação do futebol feminino já foi pior. E não estou me referindo apenas ao Brasil. Na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos não é muito diferente. Por anos a fio, essas diferenças mantiveram o futebol feminino na exclusão das competições, dos empresários, da mídia, dos torcedores. Mas finalmente agora, elas estão chegando ao poder. Das quatro linhas, inclusive.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 15/6/2019.

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