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Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

03/06/2019 - 15h06min

Daniel Andriotti

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O Circo e o Fogo

Embora eu admita que Ayrton Senna tenha sido um dos melhores, senão o melhor, e um dos mais talentosos pilotos do mundo, sempre gostei mais de Nélson Piquet. Mas confesso que desde a morte Senna (último brasileiro a ser campeão do mundo) perdi muito do encanto e do interesse pelas corridas de Fórmula-1. Também, pudera: de lá para cá, tivemos que torcer para Rubinho, Brunno Senna, Nelsinho Piquet, Felipe Nasr e, principalmente, Felipe Massa. E isso é como torcer pela Chapecoense: muito mais por pena do que por convicção.

Quem, assim como eu, é saudosista de grandes pilotos que já passaram pelo circo da F-1 – e que esses, por sua vez, foram muito mais do que um simples nome gravado no capacete –, deve ter ficado um pouco mais triste na semana passada: morreu Niki Lauda, austríaco, três vezes campeão do mundo, um dos melhores que já vi pilotar um carro de fórmula 1. Técnico, arrojado, corajoso. As três características que um grande piloto precisa ter. A maioria dos que nunca sobem no pódio reúne, no máximo, duas dessas virtudes. Na verdade, corajosos todos eles são porque sentar (ou praticamente deitar, pois essa é a posição do piloto no cockpit de um carro de fórmula-1) e dirigir a mais de 300 quilômetros por hora, passando a alguns milímetros de um muro de concreto ou de um guard rail de metal, não é para quem quer.

Lauda sobreviveu a um dos mais impressionantes acidentes da história da F-1. Em 1976, perdeu o controle da Ferrari que pilotava naquele ano chocando-se contra o guard rail da pista de Nürburgring, na Alemanha, circuito que dias antes ele mesmo havia contestado pela falta de segurança. No acidente, Lauda ficou preso ao carro em chamas. Sofreu graves queimaduras por todo o corpo, no rosto inclusive, que lhe custaram a perda de parte da orelha direita e problemas respiratórios para o resto da vida. Levado ao hospital, chegou a receber a extrema-unção de um sacerdote. Quarenta e três dias depois estava de volta às pistas. No mundo dos negócios, chegou a ter uma empresa aérea e por vezes dizem que pilotava seus boeings em viagens de passageiros.

Mas de lá para cá a F-1 mudou bastante. Hoje, o circo pode ser mais rico, glamouroso e menos emocionante, mas carros e corridas estão bem mais seguros. Enfim, na medida do possível continuo assistindo as provas e, se é para vibrar com algum piloto competitivo os meus preferidos são o alemão Sebastian Vettel, da Ferrari; Max Verstappen, da Red Bull; ou o “meio inconsequente” e novato Charles LeClerc, também da Ferrari. E você, caro leitor, deve estar se perguntando por que não citei o pentacampeão mundial e atual líder do campeonato, o britânico Lewis Hamilton. Eu respondo: porque acredito que ele é gremista. Imagino que, em algum momento, as câmeras vão flagrá-lo com a camiseta azul-preto-e-branca do Barcelona dos Pampas por baixo do macacão.


Eu explico: primeiro porque ele é muito sortudo, principal característica do imortal tricolor. Segundo, porque a FIA – Federação Internacional de Automobilismo decide questões duvidosas sempre em favor dele. Punições, nunca. Depois, porque quando Hamilton vence ou faz uma boa corrida, o regulamento é ótimo, a pista é boa, seus adversários foram corretos e ele (nunca a equipe) fez o acerto correto do carro e do jogo de pneus. Mas quando não vai bem... há uma conspiração no circo da F-1 contra ele. Basta não subir ao pódio no final de cada corrida que o asfalto é ruim, a zebra da pista é muito alta, os retardatários foram desleais, quem lhe informou a previsão do tempo não falou da chuva e até mesmo que sua própria equipe o prejudicou nos boxes. Qualquer semelhança não é mera coincidência...



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 1/6/2019.

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