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Tera-feira, 20 de agosto de 2019

17/05/2019 - 14h50min

Daniel Andriotti

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O sublime poder da vaia

Reza a lenda que a vaia surgiu na Grécia Antiga, durante a execução de pessoas. Algumas eram recepcionadas com aplausos, outras com vaias. Tudo dependia do gosto do espectador. Por aqui, cogita-se que quando as caravelas de Pedro Álvares Cabral atracaram em Porto Seguro, os índios desferiam uma estrondosa vaia para cada um dos tripulantes que pisava nas areias baianas. Portanto, o poder da vaia não é de hoje. Se ela resolve ou não é outra história. Mas, pelo menos, sabe-se que a vaia incomoda. A prática, no Brasil tem, pelo menos, mais de 500 anos. Num passado mais recente, como na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016, mostramos ao mundo o poder da vaia brasileira.

A definição do Wikipédia para a vaia é divertida: “Trata-se de um apupo num ato público para demonstrar um desagravo, desaprovação ou defeito por alguém ou alguma coisa, geralmente personalidade, com a interjeição “buuuuuu!!!”, pronunciada de maneira prolongada...

Por que estou escrevendo sobre isso? Porque no futebol, se tem uma coisa que incomoda jogadores, comissão técnica, arbitragens e dirigentes de clubes, é a famigerada e desconfortável vaia. A crônica esportiva e boa parte daquele grupo de torcedores que vive numa bolha – alheia à realidade das limitações do seu time – são contra. Mas sou um ferrenho defensor e admirador da vaia. Na verdade, do poder da vaia. Quando cito a crônica – principalmente a do Rio Grande do Sul – o ‘consumidor’ de jornadas esportivas precisa “aplicar um filtro” para quem não vive “na bolha”. Ela tem seus interesses. Principalmente o financeiro, que em última instância, mascara a qualidade de tudo o que envolve o futebol.

Eu costumo vaiar a escalação de um determinado jogador quando seu nome é anunciado no alto falante. Cada vez que ele toca na bola, também. Se ele erra, então, puxo aquele “buuuuu!!!” agudo lá do fundo do abdomen. E se ele faz um gol eu fico mudo, senão a diretoria vai entender que estou feliz com ele e renova seu contrato por mais dez anos. No atual grupo do Inter, por exemplo, tenho vaiado intensamente Cuesta, Moledo, Parede, Iago, Rithely, Lindoso, Trellez, Jonathan Alves, Neilton e... é claro, Willian Potker e Odair Hellmann. Sim, caro leitor. Todos esses!!! E mais alguns que devo ter esquecido mas que também já ovacionei negativamente. Você pode estar pensando: “mas então não escapa ninguém?”. Respondo: escapa sim. Basta sair da bolha e olhar para quem realmente tem qualidade. E é disso que um time vencedor precisa...

O leitor, especialmente colorado, deve estar pensando: “mas o Inter atravessa um momento em que a vaia não faz sentido pois o time foi bem no Gauchão, foi um dos líderes da primeira fase da Libertadores e começou com certa lucidez o Campeonato Brasileiro”. Minha opinião: a vaia sempre faz sentido. Senão naquele momento, ela é preventiva. Foi apoiando pernas-de-pau até o fim que caímos para a segunda divisão em 2016.

Um exemplo que o poder da vaia derruba um jogador aconteceu no Beira Rio em 2015. Eu, é claro, estava lá. A saraivada de vaias da torcida – muito provavelmente puxada por mim – era tão intensa contra o lateral esquerdo Fabrício num jogo contra o Ypiranga de Erechim, pelo Gauchão, que num surto de descontrole aos 18 minutos do segundo tempo, ele arrancou a camiseta número 6 que vestia e jogou-a no chão com extrema raiva. Deixou o campo desferindo os mais grotescos gestos e proferindo os mais assombrosos palavrões para o público nas arquibancadas. Foi expulso de campo e do Inter. Me senti orgulhoso...

Assim caminha a humanidade. Muitas vezes, empurrada pela vaia.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 18/5/2019.

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