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Sexta-feira, 29 de maio de 2020

20/04/2020 - 09h42min

Comportamento

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Nino, o Italianinho

Dias metafóricos, esses, de isolamento por conta do Coronavírus. Com um tempo dedicado a pensarmos nas pessoas com maior carinho, sem horários rígidos nem compromissos sociais, há momentos que se fazem poderosos resgates de belas lembranças que andavam perdidas no emaranhado de informações que ocupam nossos pensamentos.

Toca o telefone. É minha filha, adivinhando a vontade de conversar que sempre tenho, para saber como estamos e dar notícias. Entre uma novidade e outra, ela me conta que, por decorrência de toda essa situação, minha querida netinha e duas de suas pequenas amigas agora brincam de serem carentes, de trabalharem no combate à pandemia; enfim, de precisarem de ajuda social. E que as jovens mães estão preocupadas. Afinal, brincar é o trabalho da criança, e é nessa tarefa que ela começa a formatar seu futuro em pensamentos.


Imediatamente, lembrei-me do que acontecera décadas atrás com uma prima. E contei a história para minha filha, sugerindo que a transmitisse para as outras mães, a fim de tranquilizá-las. Porque isso vai passar.


Sempre foi muito inteligente, minha prima. E também muito arteira, como eram chamadas as crianças hiperativas daqueles dias antigos. Para tudo ela tinha resposta de pronto, mesmo que no formato de nova pergunta. Costumava ficar lá em casa com frequência, gostava de nós e a recíproca era verdadeira. Até hoje somos muito amigas.


Na época, a mãe e as tias acompanhavam uma novela pela TV Tupi, chamada “Nino, o Italianinho”, sobre o amor da jovem Bianca (Aracy Balabanian), vítima de paralisia infantil, que caminhava com dificuldade e não tinha um décimo da beleza da moça pela qual Nino (Juca de Oliveira) era apaixonado. E todas as telespectadoras da nossa família, incluindo as crianças, torciam pela querida Bianca. Deu certo. Depois de um ano de capítulos diários daquela novela, o amor aconteceu e eles foram felizes para sempre.


Encerrada a romântica história da tevê, durante vários dias que se seguiram, minha prima chegava lá em casa caminhando como se precisasse de muletas. Quando a mãe perguntava o que tinha acontecido, ela respondia, do alto dos seus cinco anos: “Eu só estou brincando de ser a Bianca da novela”. E a mãe balbuciava: “Isso vai passar”.


E passou.

Cristina André

[email protected]

Publicado em 17/4/20.

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