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Sexta-feira, 29 de maio de 2020

13/04/2020 - 10h56min

Comportamento

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O Álbum Duplo do Yes

Para tudo que acontece em minha vida, acredito que exista uma razão maior, mesmo que eu não consiga entender qual seja. Criei o hábito de questionar, em momentos introspectivos, sobre o que estaria por trás de certos acontecimentos que, a princípio, me fogem à razão.


Nestes dias de isolamento social para vencer a pandemia, tenho aprofundado essa procura de respostas para todo esse afastamento imposto, toda essa estranheza de lutar contra inimigos ferozes e invisíveis apenas ficando quieta em casa.


Tento amenizar a nervosa rotina feita de gráficos que assustam gente como eu, formada nas ciências ditas exatas, buscando notícias das pessoas queridas que não posso abraçar, fazendo arrumações em gavetas e caixas de guardados afetivos há muito tempo prometidas, para as quais eu não tinha horário livre nem disposição. Daquelas que ninguém pode ajudar a não ser a própria pessoa.


E foi assim, em preciosidades na forma de fotos e cartões, de bilhetes e dedicatórias em livros, de pétalas de rosa secas e discos antigos, que teve início um emocionante reencontro de uma felicidade que andava adormecida em mim.


Ah, como foi bom ler o cartão de carinhoso agradecimento pelo presente dado ao companheiro de tantos anos em um dos belos e antigos natais de nossas vidas. Lembrei daquela compra como se tivesse sido feita dias atrás.


Sem saber com o que presenteá-lo, decidi procurar um bom disco na loja Imcosul, ali na Vinte de Setembro, em frente à Casa Maria (a bela loja dos meus tios Henrique e Geny). Era dezembro de 1985 naquela tranquila Guaíba.


Logo na entrada, havia um espaço circular apenas com discos de vinil. O vendedor era Telminho Py, filho de uma amiga da minha mãe, dos tempos em que ambas moravam em Tapes. Falei pra ele que gostaria de comprar um presente bonito e original, mas queria que fosse algo afetivo, para compartilharmos.


O Telminho me perguntou o que tínhamos escutado juntos naquele ano e que nos emocionara, e eu respondi de pronto: o show do grupo “Yes” no primeiro Rock in Rio, que foi transmitido pela tevê. O conhecido bom vendedor, então, me mostrou o álbum duplo da banda progressiva inglesa da qual eu lhe falara.


Aquele era o presente certo, pensei, mas não sabia se deveria comprá-lo, estava acima do valor que eu planejara gastar. Tínhamos gastos de casal jovem com filha pequena morando de aluguel e pensando em casa própria. Álbum duplo importado tinha preço elevado para uma novata professora naqueles dias de construir o futuro da novíssima família.


Percebendo minha dúvida atroz, o atendente falou: ”É um baita presente, faz em três vezes”. Era o que eu queria ouvir; comprei.


Nestes dias de isolamento social para vencer a pandemia, tenho feito extraordinárias visitas em minha própria vida, reencontrado momentos de simplicidade que, hoje compreendo, são grandiosas felicidades.


Ontem à noite, por conta da pandemia, ficamos em casa. Assistindo um show do Yes, a banda inglesa que esteve no primeiro Rock in Rio na década de oitenta.


Cristina André

[email protected]

Publicado em 10/4/20.

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