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Segunda-feira, 17 de junho de 2019

07/01/2019 - 17h20min

Comportamento

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É de segurança que precisamos

Conheço gente que optou por sair do Brasil para conquistar uma vida melhor, que decidiu buscar novas experiências culturais, remuneração adequada, as próprias raízes familiares. Alguns, para estudarem outros idiomas, frequentarem cursos de especialização; outros, querendo liberdade para conhecer o mundo. Casais que planejaram construir suas famílias em sociedades que garantissem boas escolas aos filhos e atendimento de saúde qualificado. Todos com um sonho em comum: andar pelas ruas sem medo, o que se tornou impossível para os brasileiros.

Uma amiga que fixou residência em Berlim certa vez me contou que, nos seus primeiros meses na capital germânica, se admirava com as bicicletas estacionadas nos portões das casas durante a noite no bairro residencial onde morava. Também com as pequenas bancas de jornal sem vendedores, o troco feito no caixa pelo próprio comprador. Estranhou tanta confiança uns nos outros. E me confessou, essa brasileira, que custou a perder o medo de andar pelas ruas durante a noite, especialmente no inverno; cada vez que enxergava um vulto todo encasacado e de touca, ficava apavorada. Mas, com o tempo, se acostumou e quis ficar por lá.

Em outras terras estrangeiras, um casal de brasileiros teve vivências pra lá de interessantes no quesito segurança, cuja falta tem levado embora daqui tanta gente boa. Desta feita, em Londres, na saída de um show. Já passava da meia-noite de um outono quase inverno, os dois decidiram economizar em transporte e se dirigiram ao ponto de ônibus, pensando que seriam os únicos. Eis que, para surpresa dos nossos amigos, muitos daqueles artistas famosos fizeram o mesmo. Entraram todos no ônibus de dois andares; os músicos, carregando seus instrumentos; os da plateia, almas leves e livres do medo. Foi quando decidiram permanecer no Reino Unido.

E mais uma destas histórias felizes nos foi contada, sobre o valor da liberdade de sair às ruas sem temer que o pior aconteça. Recém-chegado naquela cidade famosa da Itália, localizada no alto do cano da bota que representa o país, o casal procurou por um bom jogo de futebol. E não foi difícil encontrar, eles estavam em Milão, cidade do aconchego de tantos craques nossos. Na saída, receosos pelo adiantado da hora, apressaram o passo pelas ruas que os levariam ao transporte de volta à casa. No caminho, encontraram a praça onde estava o cavalo esculpido por Leonardo Da Vinci, grandiosa atração para ambos; mas era tarde da noite, talvez fosse perigoso entrar, apesar do portão aberto. Eis que um conterrâneo passou por eles e observou: podem entrar sem medo, não estão no Brasil. Foi a gota d’água para ficarem por lá.


Conheço gente que optou por sair do Brasil para conquistar uma vida melhor, com o sonho de andar pelas ruas sem medo, o que não é mais possível para nós, os brasileiros que vivem aqui.

Acima de tudo, é de segurança que precisamos.



Cristina André

[email protected]

Publicado em 5/1/2019.

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