13/02/2012 - 09h09min
É importante ressaltar que, quando falamos nos espaços públicos de uma cidade, estamos falando em qualidade de vida, portanto de algo muito importante.
Essa semana, conforme é notícia na Gazeta Centro-Sul, foi anunciado o início da restauração da Casa do Juiz. Como o investimento é patrocinado pela Toyota, eu acredito que a tal Vitrina Cultura vai mesmo sair do papel. Vitrina se escreve com “A” no final; dá uma olhada no dicionário. Penso que a maioria da população vai ficar contente com esta notícia, pois hoje temos uma espelunca dentro do Sítio Histórico. No entanto, eu lamento.
Eu defendia a demolição daquele prédio, construído dentro da praça na década de 1960, para servir de residência dos juízes da Comarca. Imaginem uma coisa dessas hoje, a Prefeitura ceder uma parte da praça principal da cidade para o juiz construir a sua casa. Mas a defesa da tese da demolição transcende esse despautério da época. O objetivo seria resgatar a vista original de quando os farroupilhas tramaram a invasão de Porto Alegre. Quanto vale isso do ponto de vista turístico e cultural? Basta viajar um pouco para ver o valor de uma vista, de uma paisagem histórica.
No entanto, a minha tese, a do seu Gastão Leão, e de mais meia dúzia sucumbiu a tal Vitrina Cultural, que chamam de vitrine, com “E”. Não sou contra espaços culturais, pelo contrário, apenas questiono o local, considerando a questão histórica e a importância da vista.
Os Argumentos da Prefeitura
O Governo do Município justifica a restauração da tal casa, argumentando que a mesma será usada como centro de informações turísticas, espaço para assinatura de livros e fóruns sobre educação, meio ambiente e cultura.
Colocar um ponto de informações turísticas no topo do morro é tragicômico. Imaginem um grupo de senhoras chegando a Guaíba de catamarã. -Por gentileza, onde podemos obter informações sobre a cidade? Questiona uma delas. - A senhora terá de subir o morro. Mas não se preocupe, há uma escadaria com 300 degraus que lhe deixa bem na frente da Vitrina Cultural... Lágrimas.
Em relação a abrir um espaço para encontros e assinaturas de livros é chover no molhado, pois já existe o prédio do Museu Carlos Nobre, com área semelhante, mas com melhor acesso em relação a casinha do morro.
Então por que não colocar um ponto de informações turísticas próximo a Hidroviária, em um canto da praça que deverá ser revitalizada?
Além da Crítica
Eu sei que não adianta mais abordar este assunto como tentativa de convencimento, pois o Governo Municipal já decidiu. O projeto foi aprovado e tem até patrocinador. É fato consumado. No entanto, eu insisto em deixar registrado o meu posicionamento a fim de evocar uma reflexão sobre como tratamos dos espaços públicos, da cultura e da história em nossa cidade.
Não estou falando apenas como um crítico, um chato que só dá o contra. Não. Eu tenho serviços prestados ao Município. Sou um dos fundadores da AMA e do Pró-Cultura. Além disso, quando fui diretor Municipal do Meio Ambiente, construímos o Parque Natural, um dos locais mais bonitos da Cidade, se não o mais bonito. Transformamos um depósito de canos e lixo em área nobre numa bela sala de estar natural, onde a população se encontra.
O Parque Natural deveria servir de modelo para a ocupação de toda a nossa margem, considerando a sua beleza, respeito a natureza, utilidade e baixo custo. Mas, infelizmente, a nossa realidade é outra.
O Frentão e a Frentinha
Essa semana, representantes de nove partidos políticos se reuniram para começar a articular um frentão de oposição a fim de enfrentar o prefeito Henrique Tavares nas próximas eleições municipais em outubro.
Para definir quem vai à majoritária, ou seja, quem serão os candidatos a prefeito e a vice-prefeito do grupo, o vereador Caio Larrea sugere que, em abril, seja feita uma pesquisa com um nome de cada partido, sendo que os dois primeiros na intenção de voto concorrem aos cargos de prefeito e vice, respectivamente. De acordo com a Tia Alaíde, foi proposto também que no dia 12 de março os opositores divulguem um manifesto contra o Governo.
E nesta onda de articulações está acontecendo um fenômeno. Várias “pesquisas” estão sendo feitas e, por coincidência, estão liderando os candidatos que contrataram as “pesquisas”. É incrível!
Passada a informação, eu opino. O frentão não sai; no máximo, uma frentinha. Eu explico. O PT do Caldas, que votou por candidatura própria a prefeito, não pode fechar aliança com o PPS do Caio, pois é uma resolução nacional do PT. O PMDB não irá de vice do Caio Larrea. Foi o que a Tia Alaíde me disse. O PDT, além de estar dividido, é situação, pois o atual vice-prefeito, o Marcelo Maranata, é do PDT: é governante até debaixo d’água, recebendo um ótimo salário. O PP está fechado com o PTB. O DEM está balançando. Os partidos menores não promoveram lideranças significativas para a majoritária. Mas a minha tese da frentinha vai se confirmar quando chegar a hora de decidir quem vai a prefeito e quem será o vice.
Recortem esta coluna, guardem e me cobrem depois. Se eu estiver errado, podem me dar 30 chibatadas na Vitrina Cultural.
Investigações do MP
O Ministério Público de Guaíba instaurou três inquéritos para apurar possíveis irregularidades na Câmara Municipal de Guaíba. As investigações estão relacionadas com compras e licitações. Vamos acompanhar.
Leandro André
Publicado em 11/2/12.
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