06/02/2012 - 08h57min
Eu acompanhei a terceira reunião entre o Executivo de Guaíba e os camelôs, que aconteceu na noite de segunda-feira, dia 30 de janeiro, no Auditório da Prefeitura (ver matéria ao lado). O encontro, que serviria para bater o martelo sobre a mudança de local do camelódromo, acabou se transformando em mais uma reunião sem definição.
Por conta da fragilidade dos representantes do Governo, o vereador Campeão Vargas foi quem comandou o encontro. No meu entendimento, a indefinição poderá complicar a negociação. Eu explico.
Primeiro, quero esclarecer que estou opinando sobre este tema, pois ele é relevante para a comunidade, considerando que estamos tratando de uma área nobre pública. Segundo, os camelôs precisam entender que, ao esclarecer alguns fatos importantes, o que não aconteceu no encontro de segunda nem nos outros, estou contribuindo a favor deles e não o contrário, como pode parecer.
Como todos sabem, pois já foi amplamente divulgado, a Prefeitura quer retomar aquela área em frente ao ex-prédio do Mercado Público e devolvê-la à comunidade como um espaço de lazer e convívio social. O que já deveria ter acontecido há muito tempo tornou-se prioridade, tendo em vista o grande número de visitantes que estão chegando em Guaíba após o início da operação da hidrovia. Uma coisa é certa, assim como está, aquele amontoado de casebres, não dá para continuar. É consenso na comunidade.
A Prefeitura está tentando uma solução de comum acordo, o que é correto. No entanto, após o primeiro encontro, o Governo enviou uma nota à imprensa comunicando que os camelôs tinham concordado com a proposta apresentada, conforme foi publicado, o que não aconteceu na realidade.
Os camelôs estão exercendo uma atividade informal em terreno público. Isso torna-os frágeis perante a legislação. Então, se a Prefeitura está oferecendo uma oportunidade para regulamentar a situação e organizar a atividade, é preciso agarrar com as duas mãos. Tudo bem que peçam melhores condições de estrutura, como um telhado mais firme e tal. No entanto, é preciso muito cuidado com a pilha de fora, com forte interferência política, pois se o acordo fracassar, certamente a corda vai rebentar do lado mais fraco.
É compreensível a participação de vereadores na negociação, apoiando os trabalhadores. No entanto, é preciso que este apoio não se transforme em bola nas costas. Vejam bem, se o acordo não sair, nesta situação de informalidade, quem sairá perdendo serão os camelôs. Estamos em ano de eleição, o prefeito não vai passar um atestado de suprema incompetência e deixar a situação como está, contrariando a opinião pública. Ele já deixou claro que a mudança acontecerá, com ou sem acordo.
O momento é delicado e está no limite entre uma solução de consenso, mesmo que provisória, ou nada. Ao invés de se envolverem com tanta emoção na pilha política, uma alternativa bem mais útil para os vendedores seria consultar um advogado que tenha condições de lhes fornecer um parecer técnico e não político sobre a situação.
Bem, fiz a minha parte, participei da reunião, vi o que está acontecendo e opinei sobre este tema importante. Penso que, ao fazer isso, estou contribuindo com a Cidade.
Oposição na Situação
O prefeito de Guaíba, Henrique Tavares, é do PTB, e o vice-prefeito Marcelo Maranata, do PDT. Recentemente, o PDT declarou a sua retirada do Governo Municipal, partindo para a oposição. Acontece que o vice-prefeito permanece na Administração, o que caracteriza uma situação esquisita, conforme definição do próprio prefeito já publicada na Gazeta.
Outra esquisitice na política local, em que se verifica oposição na situação, se refere ao vereador Campeão Vargas. Ele tem sido visto em eventos e locais públicos acompanhado do vereador Caio Larrea. O posicionamento crítico dos dois em relação a Prefeitura é muito parecido. Entretanto, o Campeão é do PTB, partido do Governo, e o Caio, do PPS, oposição.
Tudo bem que o Campeão discorde de ações da Administração Municipal e faça críticas internamente, mas isso é diferente de ser oposição, de ter o discurso muito parecido com o do maior opositor do Governo de seu partido.
Eu sei que o Vereador Campeão vai me ligar e contestar esta opinião do colunista. Tudo bem, é da democracia, e se isso acontecer ele terá seu espaço garantido. Acontece que tenho larga experiência na política local e minha percepção é de que o Campeão está com discurso e atitude de oposição ao governo do PTB em Guaíba. Isso está muito claro: oposição na situação. Forte, essa!
Fila no Banrisul
Na terça-feira, dia 31 de janeiro, uma colega nossa, aqui da Gazeta, ficou duas horas na fila do Banrisul, agência 219, para ser atendida. Duas horas contadas no relógio. Isso é um absurdo.
Reclamações nesse sentido pipocam aqui na Redação, principalmente em períodos de mudança de mês. Está errado deixar um cliente esperando pelo atendimento duas horas numa fila. Mais de 20 minutos já é abuso, imaginem duas horas. É de cair os butiás dos bolsos!
O Banrisul precisa urgentemente resolver este problema de poucos caixas nos dias de grande movimento. A solução é colocar mais funcionários. Dinheiro para isso tem de sobra, o que falta é consideração com os clientes e até mesmo com os próprios funcionários do Banco, que trabalham sob pressão.
Eu sei que muitas operações podem ser feitas por meio dos caixas eletrônicos, mas também sei que outras, não, e que tem muita gente que prefere o atendimento pessoal no caixa, então isso tem que ser levado em consideração, sim.
Leandro André
Publicado em 4/2/12.
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