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Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

27/05/2019 - 14h11min

Leandro André

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Turismo, Beleza, Feiura e Xucrice

Eu retornava de Gramado naquele final de tarde e entrava em Guaíba pela Estrada do Conde, na época em que era cobrado pedágio caro na BR. Quase chorei devido a feiura do entorno; tranquei o choro na garganta. Na sequência, por pouco não dei uma golfada; também tranquei o vômito na garganta. O mau cheiro exalado de um valo de esgoto escondido entre uns pinheiros me esbofeteou. Foi coisa medonha, mas segurei no osso e consegui chegar em casa com dignidade, apesar da garganta assada.


O quadro acima é cruel e dramático, mas real. Então, é preciso falar sobre isso, sem a raiva do CC preterido; sem a arrogância do novo rico; sem a pieguice do tolo; sem a desfaçatez do chantagista; sem o cinismo do político de oposição ou a subserviência do político da situação. É preciso falar da feiura e do desleixo explícito que se revela aqui e ali na Aldeia, sem avacalhar como um especialista de rede social, mas com o objetivo sincero de contribuir para melhorar.

Desde a retomada do transporte hidroviário com os catamarãs, fala-se em desenvolver o turismo em Guaíba. Isso faz sentido quando caminhamos no Calçadão da Beira, um dos lugares mais bonitos da Região Metropolitana de Porto Alegre. Mas, se quando chegamos de Gramado pela Estrada do Conde precisamos trancar o choro e o vômito é porque tem coisa errada neste contexto.

Até aqui falei de turismo, beleza e feiura, mas de acordo com o título desta coluna falta falar da xucrice.

Eu caminhava sem pressa no cênico Calçadão da Beira, no final da manhã daquele domingo ensolarado. De repente, encosta ao meu lado uma Hilux prata, cabine dupla, ocupada por uma família bonita, de revista. O motorista sorridente, depois de me chamar de amigão, perguntou onde havia uma churrascaria por ali. Me aproximei fazendo jus ao título de “amigão” e ao olhar rapidamente para o interior do veículo percebi que não era somente o motorista que sorria, mas toda a família, até o cachorrinho com uma fita vermelha colada na cabeça parecia sorrir. Estavam felizes os visitantes e queriam almoçar, comer churrasco para ser mais exato, apreciando o lago brilhante. Imaginei que tivessem anunciado isso para os vizinhos e parentes antes de virem para Guaíba. Disse “churrascaria” bem baixinho, na verdade sussurrei.


– Pausa para uma explicação antes de seguir a história. Não como carne vermelha ou frango, o que me elimina como um conhecedor de churrascarias, mas é claro que isso não teve qualquer influência na única resposta possível para a pergunta dos visitantes.

– Por aqui não tem churrascaria, só na entrada da cidade. E quanto mais eu tentava explicar o caminho para chegar lá, mais os semblantes da família se transformavam, expressando decepção.

Na tentativa de salvar Guaíba, elogiei os restaurantes próximos, mas a família tinha vindo comer churrasco na terra de Gomes Jardim e não havia qualquer churrascaria no ponto turístico da cidade. O cachorrinho latiu pra mim antes da caminhonete arrancar. Senti que ele me culpou pelo desapontamento dos seus queridos.

Este caso ilustra a nossa xucrice. E a xucrice também se revela na falta de sinalização das ruas; nos buracos; nas gambiarras por todos os lados; na falta de amor à Cidade; e na descrença do potencial que temos para desenvolver o turismo. Digo isso de forma genérica, há exceções, e afirmo sem medo de errar que esse quadro pode mudar; deve mudar. Para isso, o poder público precisa fazer a lição de casa, e nós, comunidade, precisamos fazer a nossa. Forte, essa!



Agressão na Câmara

Na tarde de quinta-feira, 23, tudo parecia tranquilo até que um homem entrou no Gabinete do vereador Ale Alves (PDT) e começou a agredi-lo verbalmente e com empurrões. A gritaria foi escutada da calçada. O motivo da lambança teria sido em decorrência de uma suposta investida do vereador à mulher do agressor.

Como se trata de um caso passional, de caráter particular, decidi não me aprofundar nos detalhes, até para preservar os envolvidos do outro lado. No entanto, como foi um caso de agressão a um parlamentar, na Câmara de Vereadores, em horário de trabalho, não tenho como deixar de fazer o registro.

O que me surpreende neste caso é o fato de o Vereador Ale ter uma postura crítica, dura e até moralista, sempre atirando para todos os lados, de repente estar envolvido em um caso tão grotesco.

Falar grosso na tribuna e atirar pra todos os lados em redes sociais é fácil, difícil é enfrentar a realidade mano a mano.

Jornalismo Profissional

Neste tempo em que cada vez mais as pessoas estão focadas no mundo digital, onde se divulga de tudo, independentemente se é verdade ou não, a importância do jornalismo profissional se torna vital.

Vou exemplificar esta importância com o caso da placa de vigilância privada na DP de Guaíba. Na Aldeia, viralizou na Internet como piada: a Polícia contratando empresa privada para cuidar da sua segurança. Nas redes sociais, este caso transita entre a crítica e os kkks. Na Imprensa profissional, é preciso ouvir o delegado antes de divulgar ou opinar. Foi o que fizemos. Ver matéria nesta edição.

Na Imprensa profissional, quando uma notícia polêmica é publicada tem que trazer a versão das partes envolvidas, se tiver apenas uma versão, não é profissional, está a serviço de alguém. Simples assim. Caso uma das partes não queira se manifestar ou não seja encontrada, isso deve ser relatado no texto.

Opinião é outra coisa. Aquele que assina uma coluna, por exemplo, tem o direito de externar a sua opinião sem questionar o criticado. É claro que a crítica deve estar embasada em fatos reais consistentes e ser de interesse público. Opinar sobre boatos, sem apurar, é errado e gera consequências tóxicas.

Leandro André

[email protected]

Publicado em 25/5/2019.

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