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Quarta-feira, 15 de julho de 2020

04/05/2020 - 10h51min

Perspectiva

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“O Rei está nu!”

Em isolamento social, com atividades de teletrabalho, tenho uma rotina de leitura de jornais, espiadas nos noticiários, trocas de mensagens com o grupo de trabalho, com amigos, com meus amados, assim como idas ao pátio, para fazer alguma atividade física e pegar sol. Vou enfrentando o isolamento!

Só saio às sextas-feiras, cedinho, de máscara e todos os cuidados, para ir à feirinha do centro fazer compras na banca do Seu Luiz. Depois encomendo, por telefone, produtos orgânicos com o Jordano, do assentamento 19 de setembro, na área do IPE. Produtos da agroecologia têm outro sabor!


À noite, vejo o que está rolando pelo mundo. Numa dessas incursões, pela TV, assisti a um debate sobre o futuro da humanidade depois do Coronavírus com especialistas de várias áreas do conhecimento e de diversas nacionalidades. Destacou-se, entre outras teses, a de que o mundo não será o mesmo depois dessa pandemia. Lembrei das minhas aulas de ecologia, onde o professor dizia que “o stress é o combustível da evolução de um ecossistema”. Tomara que haja uma transmutação!


Um dos participantes trouxe para a discussão a fábula “O Rei está nu”, do dinamarquês Hans Christian Andersen (1837). Fala de um “espertalhão” que se dizia ser alfaiate. Ele tecia roupas, mas só as pessoas inteligentes podiam ver. O rei, para também parecer inteligente, “comprou a mentira” e foi seguido pelos “membros da corte”. Tudo ia bem até que, numa parada, onde o rei desfilava suas novas roupas, uma criança, na sua verdade, gritou: O rei está nu! A farsa foi desmascarada! Isso me remeteu aos “gritos” da pirralha Greta.


Refletindo sobre a discussão, lembrei de um vídeo que trazia o filósofo Friedrich Nietzsche com uma interessante argumentação sobre o individualismo e a vontade de poder. Segundo ele, o mundo se divide em dois grupos de pessoas: As que seguem suas próprias vontades e as que seguem os desejos dos outros. As primeiras, por serem fortes, não se deixam dominar. As outras, por sua vez, fazem o que dizem os dominadores, não procuram ver os fatos nem confrontar a realidade. Isso explica muita coisa! Parece ser que a música “Admirável gado novo” de Zé Ramalho nos fala um pouco disso.


Para Nietzsche, os dominadores têm que se precaver das ameaçadoras ideias dos dominados, pois, de alguma forma, os oprimidos podem desmascarar o “poder”. Nesse milênio, o mundo vivencia um processo sincronizado de ataque ao Estado e ao trabalhador. A “crença neoliberal” responsabiliza estas instâncias pela instabilidade econômica e pela crise social, sendo usada como justificativa paras reformas trabalhistas e previdenciárias.


Por fim, parece ser que esta catástrofe da saúde do planeta, está desvendando mentiras. Um minúsculo “ser” desnuda falsas premissas capitalistas, permitindo aos oprimidos perceberem seu essencial papel em que não existe riqueza sem o seu trabalho. Em meio a essa pandemia, o vírus chega quebrando paradigmas. O “poder” está nu!


“O visível abre nossos olhos ao invisível.” (Anaxágoras – filósofo grego).

Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 01/5/2020

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