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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

08/07/2019 - 14h46min

Perspectiva

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“A Sociedade do Espetáculo!”

Participei de um debate na Rádio Fraternidade FM, no mês passado, onde a pauta era “A Sociedade do Espetáculo!” Tema polêmico! A própria expressão já subsidia controvérsias que, nesse momento político que a nação passa, carrega no seu bojo uma carga explosiva de alto potencial.

Iniciamos com um embasamento conceitual para esse tema, trazendo Guy Debord, escritor francês, criador desse termo, o qual definiu como o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. Segundo Debord, o “espetáculo” se apropriou de tudo, até mesmo da cultura que se tornou apenas mais uma mercadoria. A incrível transformação do consumo em prática cultural!

Ele disserta, na sua obra, a realidade que foi transmutada através das imagens que vemos. Destaca que vivemos num ambiente construído, onde o “espetáculo” significa uma falsa realidade. O que estamos vendo é a verdade do falso; o que nos fazem acreditar ser verdade.

Aprofundando essa análise, o filósofo sentencia que o “sistema” transforma tudo em mercadoria. Isso significa que a nossa identidade é determinada pela manipulação da realidade e nos tornamos uma máquina consumidora a serviço do capitalismo. Podemos dizer que o “espetáculo” é um instrumento da classe dominante para impor valores, dominar e controlar a consciência da sociedade através da ideologia do consumo.


Uma boa ilustração desse modelo de cultura é o “mundo do futebol”. Esse “espetáculo”, por si só, tem muita influência na vida das pessoas por agregar um anseio comum: ser vitorioso! No âmago dessa paixão coletiva, reina uma mídia poderosa, associada às grandes empresas, que fazem uso dessa predileção nacional para nos induzir a comprar seus produtos.

Nesse modus operandi, as transmissões esportivas, globalizadas, são disputadas pelo “coronelismo eletrônico”, bancadas pelas poderosas “marcas” multinacionalizadas de automóveis, bebidas, bancos, equipamentos eletrônicos, entre outros. São investimentos altamente lucrativos do “espetáculo”, que vende um mundo de ilusões. Faz parte desse repertório uma gama de subprodutos, tudo isso estruturado na idolatria de “heróis”.

Essa farsa, modelo predominante na sociedade, em resumo, é ao mesmo tempo uma relação social e uma relação interpessoal mediada por imagens. É um discurso contínuo e suas raízes estão na vida cotidiana e familiar, desenvolve-se na economia, chega ao processo de educação e constitui o oxigênio dos meios de comunicação. É a ideologia por excelência! Não aceita ser criticado e silencia tudo que possa colocar em risco seu poder ou o que não lhe convém. Lembro, aqui, Bob Marley: “O problema é que as pessoas estão sendo odiadas, quando são reais e amadas, quando são falsas.”

“No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso.” (Guy Debord / A Sociedade do Espetáculo).

Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 06/7/2019

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