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Sábado, 15 de maio de 2021

10/05/2021 - 13h48min

Daniel Andriotti

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Almas Dilaceradas

A semana foi dura, difícil. Perdas para a pandemia, perdas para a demência. Perdas, perdas e mais perdas. E danos. Momentos cruéis pelos quais passa a humanidade e parece não ter fim. Entre as tantas e diversas, a perda de alguém como o ator, diretor e humorista Paulo Gustavo, que já há algum tempo fazia o Brasil rir, tarefa árdua nos últimos anos. Mas também, as perdas incompreensíveis de pequenos anjos que recém haviam começado a viver. A tragédia da pequena Saudades, cidadezinha do oeste da bela e Santa Catarina, foi um soco na boca do estômago da nossa já dilacerada alma. O desequilíbrio da mente humana, por si só e sem qualquer lógica, é avassalador. Mas quando a brutalidade da demência se volta contra inocentes bebês, exagera na dor...


Sabe-se que o massacre só não foi pior porque duas professoras intercederam em defesa das demais crianças, num ato heroico e instintivo que custou a própria vida delas. E não há muito mais o que dizer sobre isso. No entanto, entre os absurdos que li e ouvi a respeito deste caso, separei dois emblemáticos: o primeiro, questiona a facilidade que o delinquente encontrou para entrar numa escolinha infantil. Ora, numa pacata cidade do interior do Brasil, onde quase todo mundo se conhece, raramente encontraremos portões de escolas chaveados. A segunda e a pior delas: tão logo a péssima notícia correu o mundo e alguns defensores da ideologia desarmamentista já ensaiaram seus discursos raivosos pelas latrinas das redes sociais. Só não estufaram ainda mais o peito para reerguer a bandeira porque o crime hediondo foi praticado com arma branca: uma espécie de facão. Imagine o leitor se tivesse sido com uma arma de fogo??? Eu já prefiro pensar que caso uma das professoras tivesse uma arma de fogo, só o psicopata teria morrido. Já tentaram entender por quê os sociopatas de qualquer lugar do mundo preferem invadir escolas e shoppings e nunca um quartel do exército ou um batalhão da polícia militar???



O Brasil, sabemos bem, não é para amadores. Definitivamente é o país da piada pronta. O mundo sob uma pandemia sem precedentes, com um número absurdo de mortos, outros tantos lutando para sobreviver, milhões de profissionais trabalhando para que a quantidade de vítimas fatais não aumente e... no meio desse turbilhão, está a classe política brasileira fazendo o seu papel: o de articular a situação de acordo com os seus interesses que, salvo raras exceções, nunca são os mesmos do povo. Por isso é que em países de políticos mesquinhos como o nosso tudo é motivo para uma CPI. Nada é sério. Nada é honesto. Nada é limpo. Tudo é escuso, suspeito, arranjado. Até mesmo quando o assunto é a preservação de vidas.


Investigar eventuais omissões do governo – independente do partido ou da corrente ideológica – é coerente, aceitável e necessária em qualquer sociedade minimamente civilizada. Até aqui tudo ‘mais ou menos’ certo. O correto seria não haver a necessidade de uma CPI para investigar desvios na compra de equipamentos vitais. Mas quando se cria uma comissão para isso e ela tem como relator o senador Renan Calheiros...!!!


Como não poderia deixar de ser, tal nomeação, virou alvo de disputa judicial, é lógico. Alguns, poucos, mas com razão, se incomodam quando deixam a raposa cuidar do galinheiro...



Domingo é o dia delas. Domingo é dia de Maria. Domingo é dia daquelas heroínas que não vestem capa e que tomam como delas os filhos das outras. Mãe branca, mãe preta, mãe emprestada. Não importa a cor nem a idade. Não importa o gesto. Elas são todas superpoderosas.



Daniel Andriotti

Publicado em 07/5/21.

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