Há 50 anos atrás nascia a Bossa Nova um movimento musical único no país. O gênero se tornou universal e até hoje arrebata platéias no mundo todo, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. A semana passada o cantor e músico João Gilberto, depois de sete anos afastado dos palcos brasileiros, realizou no Rio de Janeiro um show memorável para comemorar o cinqüentenário da bossa. Tudo começou em agosto de 1958 quando a batida inconfundível do violão de João ditou o ritmo. Um compacto simples do violonista baiano (considerado o papa do movimento), contendo as canções “Chega de Saudade” (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e “Bim Bom” (do próprio cantor) foram as primeiras a serem gravadas. Além dele outros artistas tornaram-se ícones da bossa como Nara Leão, Vinicius de Moraes, Toquinho, o mestre Tom Jobim, e inclusive o bom baiano Dorival Caymmi, que faleceu no dia 16, aos 94 anos de idade.
A data também foi lembrada pelos camaqüenses com o show Noite da Bossa, que aconteceu na terça-feira, 19, no El Farolito com a casa totalmente lotada. Os protagonistas foram os intérpretes Ricardo Cordeiro e Luana Fernandes, além da participação especial de Cláudio Barcellos e de Daniel Evangelista. No eclético repertório clássicos como “Chega de Saudade”, “Insensatez”, “Corcovado”, “Samba em Prelúdio”, “Eu sei que vou te amar”, entre outras eternas canções que embalaram a seleta platéia que prestigiou o espetáculo.
A promoção contou com o apoio da Capocam, Sol Maior Academia de Música e Farmácia Gomes. Na oportunidade poetas e declamadores recitaram poemas de Vinicius de Moraes, considerado o grande nome da poesia daquela época mágica. Para dar mais realismo ao momento a artesã Guel Fernandes transformou o ambiente no lendário Beco das Garrafas, um conjunto de bares cariocas, ponto de encontro dos artistas da Bossa Nova. Uma das peças que chamou a atenção foi uma manequim de biquíni, que retratava a Garota de Ipanema, musa dos bossanovistas. Foi uma noite de nostalgia e romantismo par lembrar que os bons tempos não morrem nunca.
Cidade ganha o sebo Dom Quixote
Os sebos, além de oferecem livros por custos mais baixos, emprestam às cidades um certo charme e glamour. Metrópoles e cidades turísticas possuem roteiros, onde a visitação aos sebos é imprescindível na programação. Em Camaquã, recentemente, foi inaugurado o sebo Dom Quixote (foto), um antigo sonho do casal João Batista e Tuli Borges. Na Feira do Livro do ano passado, o projeto foi apresentado ao público. A aceitação foi muito positiva e acabou motivando a abertura. Segundo eles o espaço foi batizado com o nome do personagem épico do escritor espanhol Miguel de Cervantes, porque Dom Quixote de la Mancha era apaixonado por livros. Inspirado nas estórias que lia, o cavaleiro andante vivia suas aventuras, lutando contra os gigantes “cataventos” em busca da amada Dulcinéia, sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Sancho Pança. “A leitura nos faz sonhar, pois os livros nos levam a viagens sem sair de casa”, resume Tuli.
O sebo Dom Quixote conta com quatro mil volumes catalogados com títulos de literatura nacional e estrangeira, livros didáticos, técnicos e enciclopédias, revistas e gibis, além de fitas cassetes, discos de vinil, CDs e DVDs. Os preços são acessíveis: R$1,00 à R$3,00 para revistas e gibis, e entre R$5,00 e R$40,00 os livros. Conforme Rosaura Santos de Matos, que já se tornou cliente do espaço, o sebo vem preencher uma lacuna no setor. “Eu e minhas amigas estamos fazendo um curso de patchwork e temos dificuldade de encontrar livros de artesanato, pois além de ser difícil de achar os preços praticados no mercado são altos”, justificou.
Na avaliação de João Batista a televisão e a internet estão contribuindo para que as pessoas percam o hábito de ler. “É preciso saber dosar, utilizando a tecnologia mas não abrindo mão de pensar, pois a leitura é fundamental na nossa vida, especialmente para os mais jovens”, ressaltou. O sebo Dom Quixote localizado na rua Zeca Netto, 650, funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12 horas e das 14 às 19 horas.