05/12/2011 - 09h12min
Este ano, que se aproxima do fim, foi, no meu ponto de vista, extraordinário. No que diz respeito ao indivíduo, aprofundaram-se as transmutações. No que diz respeito à humanidade, emergiram sinais viçosos de evolução. Alguns parceiros dirão que estou extrapolando e delirando. Não tem problema. Posso até concordar para não “perder os amigos”. Acredito, como utopista convicto, cada vez mais, que um novo mundo é possível e que caminhamos efetivamente para uma nova “revolução social”. Há sinais. Basta abrir os olhos e ver! As convulsões sociais em curso são como tempestades de verão. Depois de dias insuportáveis, “desaba o céu”. Aos poucos, vem a bonança e somos brindados com um lindo arco-íris. E a vida desabrocha novamente. Nesse embalo filosófico, proponho, como reflexão, nessa última participação de 2011, um olhar para dentro de si.
No Dicionário Aurélio, encontramos: começar [Do lat. Vulg. cominitiare.] Dar começo a; principiar; iniciar; encetar e recomeçar [De re + começar ], começar de novo. Não satisfeitos com essas definições, a Lúcia, minha cúmplice de crônicas e da vida, encaminhou uma consulta para Academia Brasileira de Letras, questionando sobre a diferença entre começar e recomeçar. A resposta, de pronto, foi: “Não há diferença. As duas expressam a mesma coisa.” Continuando essa discussão, lembramos do filme sobre a vida de Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier (1910 - 2002), e de uma mensagem marcante sobre a vida, que, no nosso entender, encerra a questão. “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Eis o ponto central do nosso debate!
Nessa conjuntura, reforçada pelas comemorações do nascimento de Cristo e da chegada do novo ano, onde a fé e a emoção se manifestam mais fortes, há o ambiente mais propício para o pensar, o repensar, o avaliar e o recomeçar das nossas vidas. Nessa época, fazemos “listas” de coisas que queremos realizar e ter. Acontece que, normalmente, o “ter” sobrepõe-se e obscurece o “ser”. Geralmente, predominam as questões materiais às espirituais. A sociedade de consumo nos imputa a necessidade de materializar nossos sentimentos, transformando esse momento mágico, que é a noite de Natal, numa “orgia” de presentes. Será que percebemos a motivação dessa comemoração? Esses momentos levam-me a refletir, a pensar nos atos, nos fatos e nos seus significados, a repensar na vida e no nosso papel na sociedade. Entendo como necessárias essas reflexões para um processo evolutivo. O que o “ter” e o “fazer” podem acrescentar ao “ser”? Se tivéssemos uma nova oportunidade, seria diferente? Ouso entender que temos o “livre-arbítrio” para fazermos nossas escolhas, inclusive para retomar a caminhada e “escolher um novo fim”. Querer o melhor, obter êxito, ter sucesso, amor, saúde, são inerentes ao ser humano. Nessa perspectiva é que entendo que a humanidade sinaliza evolução. Apesar de, na mídia, predominarem tragédias e maus exemplos, pelo mundo afora há demonstrações de retomada social por mudanças, por qualidade de vida, pelo bem comum, pela paz, por um mundo melhor e mais justo. Nesse contexto, desejo que nossos parceiros/leitores tenham perseverança para começar, começar de novo e recomeçar sempre. Abstraindo-me de questões religiosas, faço uso, mais uma vez, de outro pensamento do nosso Chico Xavier, que tão bem ilustra a Perspectiva para 2012: “Tudo tem seu apogeu e seu declínio... É natural que seja assim, todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela!... Novas folhas, novas flores, na infinita bênção do recomeço”.
Túlio Carvalho
Publicado em 3/12/11.
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