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Terça-feira, 09 de junho de 2026

07/11/2011 - 09h17min

Perspectiva

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Revolução

Estou numa nova fase de minha vida. Depois de trinta e seis anos, em processo de aposentadoria da minha função pública, confesso que passei a viver alguns conflitos internos e preocupações, sem sentido, mas compreensíveis. Venho me preparando para esse tempo há quase dois anos. Busquei ajuda profissional de uma psicóloga que me levou a uma revolução interna e à eclosão de novas utopias. Abordei, no bate-papo político e filosófico, com meu amigo Cláudio Dilda, essas questões. Como resultado, fui presenteado com o livro de Slavoj Zizek, filósofo e psicanalista eslovaco - Primeiro como tragédia, depois como farsa. As ideias desse autor de que “nada do que está em voga no presente deve escapar de minuciosa análise e questionamento” fizeram-me voltar o olhar para as convulsões sociais que sacodem o início do século XXI pelo mundo e questionar sobre as razões desses movimentos. Em fim, sobre os processos revolucionários.

Para começar, vamos conceituar nosso tema. No Dicionário Aurélio encontramos para revolução: 1. Ato ou efeito de revolver(se) ou revolucionar(se). 2. Rebelião armada; revolta, sublevação. 3. Transformação de estrutura política, econômica e social, dos conceitos artísticos ou científicos, etc. A dedicatória que o parceiro Dilda deixou junto a obra de Zizek contém uma definição muito clara do nosso entendimento: “Revolução é um processo permanente. É de revoluções que se alimenta a evolução, inclusive a humana, temperada com utopias. Buscar e dar sentido consistente ao viver implica na criação do sentido. Quando tudo parece perecer há que se agir – e reagir – e, como sabiamente insinua Sooren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, um processo revolucionário não é um processo gradual, mas um movimento repetitivo, o movimento de repetir o começo de novo e de novo … ”

Nessa perspectiva, trago para o debate o “Grito de Nice” (França), onde está acontecendo a reunião do G20. Essa manifestação é a síntese dos fatos divulgados sobre as “ebulições sociais” da “Primavera Árabe” e das revoltas nas “Catedrais do Neoliberalismo”, como nos EEUU, nos países da Comunidade Européia e no Chile, que tanto tivemos de ouvir como sendo um modelo a seguir. Sobressalta-me algumas questões, como por exemplo: Quais fatores levam um povo à revolução? Intriga-me muito o comportamento do povo brasileiro que mobiliza multidões para protestar pelo fato de seu time não ser campeão ou de ter ido mal na competição, enquanto que o mesmo não é visto exigindo responsabilidades àqueles que desviam dinheiro de programas ou obras essenciais à qualidade de vida de todos. Um exemplo bem local: O que há de diferente entre o pedágio de Águas Claras, em Viamão, e do Bairro Pedras Brancas em Guaíba? Nos dois casos, o pedágio divide a cidade. Em Viamão, a “revolução” obteve a liberação da cobrança para os moradores. E aqui? Por que ficamos omissos a este custo social? Por que temos que pagar para “ir e vir” na própria cidade? Por outro lado, em setembro, aconteceu uma mobilização da sociedade guaibense, promovida pelo executivo municipal, que alimenta esperanças. Com uma participação surpreendente de instituições representativas dos mais diversos segmentos, debateu-se o Plano Estratégico de Infraestrutura Urbana. Essa parece ser uma das mais revolucionárias e importantes iniciativas de planejamento estratégico para preparar nossa cidade para o desenvolvimento econômico que bate a nossa porta. É importante termos presentes a visão das oportunidades que se anunciam, mas, também, das ameaças. Mais importante, ainda, é nos prepararmos com competência. Valho-me de Vitor Hugo (novelista, poeta, dramaturgo, estadista e ativista pelos direitos humanos francês – 1802/1885) para finalizar: “Não há nada mais poderoso que uma ideia cujo tempo chegou”.

Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 5/11/11.

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