03/10/2011 - 09h07min
Fui convidado, pela 12ª Coordenadoria Regional de Educação, a participar, como avaliador, da 8ª Mostra das Escolas de Educação Profissional. Foi uma oportunidade ímpar. Além de reencontrar antigos colegas e amigos, tive o privilégio de fazer parte de uma equipe de trabalho competente e qualificada. O relato de alunos do ensino médio profissionalizante fez com que meu imaginário alçasse voo. Confesso, fiquei emocionado em ver jovens, na faixa de 15 a 18 anos, abordando temas importantes do ponto de vista socioeconômico e ambiental, com conhecimento e ousadia. Mais uma vez reafirmei minha convicção de que a “Educação” faz a diferença. Com esse sentimento, na semana seguinte, no bate-papo com meu parceiro Cláudio Dilda, no tradicional Café do Mercado, relatei a experiência. Como sempre, fizemos “uma viagem ideológica”, com desdobramentos importantes. Primeiro, fui provocado a assumir o compromisso de participar da criação de um livro onde fique registrado nosso entendimento sobre as políticas públicas e o desenvolvimento social; depois, nesse clima, defini a abordagem desse mês: “A Gestão do Futuro”.
Gestão, segundo o Dicionário Aurélio, [do latin gestione] substantivo feminino, ato de gerir; gerência, administração. Gestão do Futuro deve ser entendida como a governança das variáveis socioeconômicas e ambientais, estruturada no contexto histórico, na conjuntura contemporânea, vislumbrando cenários futuros, sem perder de vista a qualidade de vida. É complexa; é conflitante; necessita de alicerces estruturados no bem comum e na sustentabilidade; precede de quebra de paradigmas; não suporta uma análise à luz da ciência econômica neoclássica. É uma ideologia humanística que tem como centro do debate a sociedade. Nessa perspectiva, para trabalhar esse tema, temos que ter convicção de que a sociedade se transforma. Temos que “acreditar” na capacidade do indivíduo em evoluir.
Trago para o debate os projetos das escolas de educação profissional que participaram da “Mostra”. Vou me deter em dois, os quais tive o privilégio de avaliar, por abordarem questões de fundo. São trabalhos da E.E.E.M. Ildefonso Simões do Município de Osório, orientados pelo professor Carlos Augusto Nator. Enquanto um analisou a questão da cadeia toxicológica criada pelo uso de venenos agrícolas, outro discutiu a problemática da fertilização química na produção de alimentos. Suas teses da relação da agroquímica com os problemas de saúde pública foram fundamentadas em literatura especializada, com destaque aos estudos complexos sobre trofobiose e alelopatias. Os alunos, sob o olhar crítico e aprovador do professor, dissertaram, seguros e orgulhosos, sobre suas descobertas. Esses “pesquisadores”, provavelmente, terão uma longa e promissora caminhada. Percebe-se que, quando há o comprometimento do “Mestre”, da “Escola” e da “Comunidade” na formação dos jovens o resultado, certamente, será positivo. Investir no aprimoramento e qualificação da educação, assim como na geração de ciência e tecnologia com o foco na qualidade de vida e na sustentabilidade social, é um caminho seguro para estruturar a “Gestão do Futuro”. Não é com uma “bola de cristal” que se faz previsões, mas, sim, com a análise das atitudes do passado, do presente e expectativas acerca do porvir. Como afirmou Jean-Paul Sartre, escritor e Filósofo francês (1905 // 1980), “Existimos em Função do Futuro”. Utopista incorrigível, acredito na nossa capacidade de transmutação, bem como na escolha correta do caminho. Concluo com um pensamento desse filósofo: “O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente?”.
Túlio Carvalho
Publicado em 1º/10/11.
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