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Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

04/10/2019 - 15h02min

Perspectiva

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Consciência social

Fui almoçar, como de costume, com meu amigo Cláudio Dilda. Estava ansioso para ouvir seus relatos da viagem que fez pela Europa. Foi quase um monólogo, pois eu estava querendo saborear ao máximo a narrativa dessa aventura e das suas observações. Gosto de conversar e, principalmente, de escutar o parceiro historiador. Essa viagem, segundo ele, foi diferente das outras. Não havia nenhum compromisso a não ser com a história, a cultura e o lazer. Ah! Sim... Visitar a filha em Portugal.

Explorei ao máximo os detalhes das fotos e das notícias que ele mandava dos lugares onde passava. Tinha certeza de que tiraria boas ideias para meus textos. Tudo ia bem até o momento em que ele disse, em tom solene, “Tenho uma sugestão de tema para teus textos!” Lascou, em seguida, uma frase de Victor Hugo: "Entre um governo que faz o mal e um povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa." Concluiu com um “Te vira!”

O desafio é grande, mas... vamos lá! Começamos por um ponto fundamental nesse debate: a consciência social. A palavra consciência provém do latim conscient?a, que significa “saber/ter conhecimento de…”. É como nos enxergamos no mundo ou percebemos sua existência. É o conhecimento reflexivo das coisas, interagindo com a filosofia, meditando sobre a existência humana, o conhecimento, a verdade, os valores morais, entre outros.

Compondo as duas palavras – consciência com social - (o que remete à sociologia), nos deparamos com uma expressão que traz no bojo do seu significado o conhecimento que uma pessoa tem da comunidade e dos laços que a une. Essa percepção do meio onde vive, estrutura-se na ideologia política, na religião, na arte, na filosofia, na ciência, enfim, no “ser social”.

Na obra “Divisão do Trabalho Social” de David Émile Durkheim, sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês, “pai” da disciplina de sociologia, nota-se que, para uma sociedade ser coesa, há a necessidade de uma consonância entre os seus integrantes. Essa conexão é a solidariedade. A capacidade de uma comunidade ser interativa de forma solidária está enraizada na percepção das interdependências e no pertencimento a ela, ou seja, provida de consciência social.

Voltando a Victor Hugo, entendo como válido o seu raciocínio para “aquele povo” onde são insignificantes a participação cidadã e a crítica social. Nesse modelo, há uma forte probabilidade de fortalecer uma “cumplicidade vergonhosa”. Já, onde floresce o debate democrático, ancorado em fundamentação e conhecimento, os discursos construídos em falsas premissas e mentiras não vingam, são efêmeros. Por fim, para termos uma sociedade justa, onde não germine o “mal feito”, é necessário desenvolver o sentimento de coletividade e de comprometimento, ou seja, a consciência social.

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.” (Karl Marx)

Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 05/10/2019

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