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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

06/09/2019 - 15h02min

Perspectiva

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A ignorância: o princípio da sabedoria

Ando atônito com o que vejo na mídia atual, tanto na TV, no rádio, jornais ou nessas massificantes redes sociais. Jamais imaginaria ver, ouvir ou ler tamanhas contradições e entendimentos confusos acerca de questões, que, no meu entendimento, são simples e banais. Parece que tudo virou de ponta cabeça. O conhecimento e a ciência são alvos de bombardeio diário. A cultura?!... Bem... A censura voltou à nossa pátria amada Brasil!

Numa animada conversa, semana passada, numa cafeteria, no centro de Porto Alegre, depois do almoço, com amigos, veio uma questão interessante à “mesa de debates”: a ignorância! Um interlocutor começou a correlacionar a ignorância com a sabedoria. Mais uma vez, nosso atencioso garçom parou para ouvir e ver no que ia dar aquele papo de um grupo de amigos idosos.

A princípio, parecia não fazer tanto sentido, mas, à medida que evoluía a discussão, começou a ser configurada a ideia de que a ignorância é o princípio do conhecimento e que, portanto, é necessário estar aberto à reflexão constante para que se possa atingir o mínimo de conhecimento e sabedoria.

Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano do século XIX, disse que “A sabedoria é um paradoxo”, já que “O homem que mais sabe é aquele que mais reconhece a vastidão de sua ignorância”. Esse pensamento vai ao encontro do que disse Sócrates: “Só sei que nada sei”.
Apesar de ter morrido em 1900, os comentários de Nietzsche são atuais e úteis para entender a humanidade do século XXI.
O bate-papo foi encerrado, por premência do relógio, com a promessa de sequência no próximo encontro. A pauta programada promete dissecar a última observação “da mesa” sobre a origem (ou a causa) do conjunto de pessoas que se coloca como possuidora das verdades últimas sobre as coisas, ainda que essas certezas possam mudar, constante e rapidamente, de acordo com a melhor conveniência de quem as define. É premente essa discussão! A maioria das afirmações feitas na mídia é carente de fundamentação.

Me preparando para o próximo “round”, comecei a analisar, com esses vieses, as manifestações nos noticiários e jornais. As redes sociais?!... Bem... Essas vou continuar me mantendo a distância! Não quero me contaminar e nem perder tempo com destemperados e dissimulados “manifestos”.

Saímos da cafeteria, como sempre, caminhando, numa animada e divertida conversa sobre “o debate”, até a esquina democrática, onde nos despedimos e fomos cada um para o seu rumo. Junto com o até breve, um disse: será que vamos sobreviver a esse “estado de ignorância"? Lembrei Nietzsche nesse momento - “O que não me faz morrer me torna mais forte.”

“Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; terceiro, por experiência, que é o mais amargo.” (Confúcio)

Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 07/9/2019

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