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Segunda-feira, 22 de julho de 2019

06/03/2019 - 15h05min

Perspectiva

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“Mamãe Natureza”

Esse mês de fevereiro foi complicado. Meu irmão Paulo Jarbas e a minha cunhada Vera Maria resolveram “partir” juntos me deixando um pesado legado: o título de patriarca da família. Está difícil de assimilar isso! Felizmente, tinha férias para tirar. Aproveitei, como sempre, para passar uns dias com meus netos, filha e genro. Curti meus seres de amor e minha grande paixão.

Sim... Minha relação com meus netos é de pura paixão! Fico mais “maluquinho”! Segundo a Alice, sou um vovô maluquinho! Consegui reabastecer minhas energias, reagir e ir em frente. Assim é a vida!

Nessa conjuntura, me afastei um pouco da mídia. Ao voltar, procurei alguma leitura diferente que me descolasse das tragédias ofertadas diariamente. Vasculhei, como de costume, uma pilha de livros que está sempre de plantão para uma emergência como essa. Saquei de lá o presente do meu amigo secreto, sobrinho emprestado, Ronei, “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Li esse livro há muitos anos e, agora, fiz uma releitura dinâmica, revivendo algumas passagens memoráveis dessa obra que traz uma combinação do arcabouço ético das fábulas com uma ácida crítica à sociedade onde os “humanos” agem como “feras”.

A minha leitura trouxe à tona o novo “mar de lamas” de Minas Gerais, combinado com o “mar de chamas” no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro. Vidas ceifadas em nome de alguma coisa nada humanitária: o poder travestido de lucro. Por que nos acomodamos a essas tragédias anunciadas?

Voltaram muitas inquietações e preocupações. Mas, estava de férias! Resolvi passar a diante, pegando o presente da minha filha Virgínia, “Rita Lee – Uma autobiografia”, o que me fez rir muito, imaginando todas as histórias contadas. Consegui relaxar e aproveitar mais alguns dias de ócio.

Como de costume, voltei para minha terapia dominical: a alquimia na cozinha. Com boa música, faço bruxaria. Transformo “dádivas da natureza” em alimento. Aí tenho um conflito conceitual sobre o que é alimento. Não entendo como alimento, produtos industrializados, com uma carga química preocupante de aditivos, conservantes, estabilizantes e outros “antes”.

Na última manhã de domingo, pintou um som da Rita Lee: “Mamãe Natureza”. Então, desandou a “maionese”. Veio tudo à tona novamente. Mãe natureza é uma representação que trata da fertilidade, dos ciclos e do cultivo simbolizados na mãe. Isso foi suficiente para uma tempestade de elucubrações. Assim, ao som da “maluca beleza”, retornei à vida real, relembrando a sátira de George Orwell sobre a hipocrisia da fera/homem em justificar sua incapacidade de ser solidário, fraterno e entender o valor da vida.

“Não sei se eu estou pirando; Ou se as coisas estão melhorando; Não sei se eu vou ter algum dinheiro; Ou se eu só vou cantar no chuveiro; Estou no colo da mãe natureza; Ela toma conta da minha cabeça; É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar; A mamãe não dá sobremesa.” (Rita Lee)



Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 2/3/2019.

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