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Segunda-feira, 20 de maio de 2019

04/02/2019 - 14h44min

Perspectiva

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Torna-te quem tu és!

Perspectiva completa oito anos de convivência com os leitores da Gazeta Centro Sul. Sempre preocupei-me com o que “digo” ou “não digo”, pois me sinto responsável pelas minhas opiniões. Confesso, o convívio com os leitores é muito gratificante. Fico honrado quando descubro um leitor. Adoro ouvir um comentário sobre minhas “viagens”. Os elogios massageiam o ego, mas são as críticas que turbinam minhas elucubrações. Promovem revoluções!

Essa Perspectiva deveria ser “festiva”, mas, infelizmente, mais uma tragédia anunciada, mudou meu foco. Desde sexta passada, venho acompanhando as notícias sobre o novo desastre ambiental em Minas Gerais. Numa dessas madrugadas, acordei pensando nessa realidade brasileira, onde ainda é perpetuada a experiência da escravidão, através de um sistema social (ou seria melhor dizer econômico?) que subjuga a vida, o bem-estar e a justiça ao “lucro do capital”. É um modelo desumano de desenvolvimento onde as pessoas são apenas meras coadjuvantes dos interesses do “verdadeiro poder”.

Mais tarde, tomando café, lendo os jornais, vendo imagens apavorantes, lembrei-me das premissas levantadas por José Lutzenberger e de seus questionamentos sobre o absurdo de um sistema baseado no lucro, que nos leva à exaustão do planeta. Por que essa cegueira coletiva? Por que ainda veneramos um modelo de sociedade que escraviza e ameaça a própria vida?

Com esses pensamentos em mente, veio a lembrança de uma matéria sobre Nietzsche, publicada pelo Juremir Machado da Silva: Torna-te quem tu és! (Correio do Povo - 05 de janeiro de 2019). Essa parece ser a questão central do problema: Quem somos nós? Qual nossa parte nesse contexto? O que temos a ver com essa e tantas outras tragédias ambientais?

Segundo o filósofo, tornar-se quem é, implica em, antes de mais nada, reunir um grande número de vivências. O primeiro passo seria explorar aquilo que se é, conhecer as forças que o constituem, que querem dominar e crescer. Ainda diz que a felicidade desta existência só pode estar em ela ser o que é! A partir daí vêm as perguntas: Mas o que é a felicidade? E a existência?

Certamente, vamos perder muita massa crítica e capacidade de entender a vida, já que a disciplina de Filosofia será retirada dos currículos escolares. Segundo o filósofo Gilles Deleuze, “A filosofia existe para que a besteira não seja tão grande”. Nos leva a desenvolver um pensamento independente e reflexivo, nos permitindo experimentar um pensar individual. Na vida não existe um manual para indicar um caminho, nem uma escala de valores para seguir. Assim, sugiro tocar a vida pra frente, fazer escolhas e ser quem se é! Mas que isso seja consciente!

“Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente, te encontrarás a ti mesmo, e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou mais amarga de tuas horas”. (Pablo Neruda)

Túlio Carvalho

[email protected]

Publicado em 2/2/2019.

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