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Segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

03/11/2020 - 08h57min

Leandro André

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Pesquisa Eleitoral

É importante abordar sobre pesquisa eleitoral neste momento. A história que conto a seguir é verdadeira, e a necessidade de se ter atenção sobre este tema, também.

Em 1990, fui fazer um curso de aperfeiçoamento de inglês em Londres, na Inglaterra. Era diretor e professor do Curso de Inglês Know-How, a primeira escola de idiomas da Cidade, fundada em 1978. O Curso fechou, depois de 23 anos, porque eu não tinha mais tempo e fôlego para seguir com todas as atividades profissionais. Foi um tempo bacana, de muito trabalho, mas bacana. Por mais de duas décadas, fui o “teacher” da Aldeia. Tive muitos alunos e até hoje sou lembrado com carinho e respeito por muitos deles. Conto sobre o Curso no meu livro. Mas esta é outra história.

Voltando à questão da pesquisa eleitoral. Em Londres, percebi que os ingleses usavam pesquisa de opinião para quase tudo. Desde aquela época, eles não tomavam decisões importantes sem antes consultar tecnicamente o público-alvo da questão em pauta.

Como tinha feito o Curso Técnico em Estatística no Segundo Grau (Ensino Médio), no Colégio São João, em Porto Alegre, e a minha mulher, a Cristina, era matemática com pós-graduação, decidimos fundar o Instituto de Pesquisas People em 1992. Pensávamos que o costume dos ingleses e dos europeus, de fazer pesquisas, logo chegaria aqui na Aldeia. Só que não foi bem isso que aconteceu. Por aqui, pesquisa ainda é vista mais como gasto do que investimento. Mas vamos adiante.

A única pesquisa que se pode confirmar se está correta é a eleitoral, considerando os resultados oficiais da eleição. Assim mesmo, mudanças de última hora podem acontecer devido a muitos fatores comportamentais.

No People, sempre realizamos trabalhos técnicos de alta qualidade, embasados na ética, o que nos fez conquistar importante credibilidade. Nestes períodos eleitorais, somos muito requisitados, tanto em Guaíba como em outros municípios.

Nos últimos anos, o Instituto People se dedicou a realizar pesquisas eleitorais para partidos políticos e instituições fazerem avaliações internas, visando construir estratégias, sem divulgação. Esta foi uma decisão empresarial, com base na questão financeira, pois a Gazeta, ou qualquer outro veículo de comunicação da Região, não tem condições de patrocinar os trabalhos. Sendo assim, as pesquisas são particulares e não podem ser publicadas. Isso consta em contrato.

Atualmente, com as redes sociais, aconteceu um bum de conteúdo “gratuito” na Internet, o que prejudicou sobremaneira o trabalho da Imprensa profissional. Até as crianças sabem que não existe nada de graça neste mundo, mas a maioria das pessoas ainda se ilude com o conteúdo gratuito da Internet. Abordo sobre isso no tópico seguinte.

Explicado sobre o surgimento do People, seu trabalho conceituado e como ele é financiado, passo para um alerta importante.

Às vezes, nos últimos dias que antecedem eleições, correntes políticas sem escrúpulos compram “pesquisa eleitoral manipulada” para apresentarem seus candidatos à frente, visando enganar o eleitor, principalmente aquele que vai no embalo da maioria. É claro que nem todas as pesquisas publicadas nos dias que antecedem as eleições são fraudulentas, mas é preciso observar quem pagou a tal pesquisa. Se um partido publica uma pesquisa que comprou de uma “empresa” desconhecida, e seu candidato está na frente, a probabilidade de ser falsa é muito grande.

Aliás, denúncias e difamações de última hora, assim como pesquisas compradas, estão no pacote de falcatruas que algumas correntes políticas do subsolo se utilizam para tentar vencer. Quem faz isso antes das eleições, imagina o que faria caso fosse eleito. Fica o alerta.

Para concluir, o ponto relevante desta questão é que, atualmente, a maioria da população já não cai facilmente no conto do picareta.

Apagão de Informação

No texto acima, comentei sobre o prejuízo que a onda “grátis” na Internet gerou na Imprensa profissional. Muita gente imagina que o conteúdo que recebe na Internet, sem pagar por isso, é realmente de graça. Tirando o ar que respiramos, não existe nada de graça neste mundo. Recomendo que assistam o documentário “O Dilema das Redes” na Netflix. É esclarecedor.

A farra de conteúdo genérico gratuito incorporou notícias falsas e misturou tudo com diversos interesses econômicos escusos. Isso inviabilizou muitos veículos de comunicação profissional, principalmente em municípios do Interior, gerando um apagão de informação confiável. Repito, em muitas cidades onde não existe mais Imprensa (rede social não é Imprensa), a população segue perdida num apagão de informação: não tem como confirmar se o que está circulando é fato ou fake. Isso é muito grave.

As questões de interesse nacional e estadual podem ser checadas na chamada grande Imprensa profissional. A concorrência entre os canais se encarrega de qualificar o conteúdo. No entanto, em pequenos municípios, sem o trabalho jornalístico profissional, como fazer para se certificar se o que está sendo noticiado no contexto local é verdadeiro ou falso?

Graças ao grande número de assinantes que temos e aos empreendedores que investem na Imprensa profissional em Guaíba e Região, a Gazeta Centro-Sul segue circulando, se mantém cumprindo seu papel de informar a população local, com profissionalismo e ética, mas somos cada vez mais uma exceção, muitos jornais do Interior no Brasil e no mundo fecharam, sucumbiram à onda do falso grátis.

Encerro esta Coluna repetindo a pergunta: em pequenos municípios, sem o trabalho da Imprensa profissional, como fazer para se certificar se o que está sendo noticiado no contexto local é verdadeiro ou falso?

Leandro André

[email protected]

Publicado em 30/10/20.

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