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Sábado, 11 de julho de 2020

25/05/2020 - 10h30min

Leandro André

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Desaparecimentos e Abandonos na Aldeia

Ao analisarmos Guaíba, ao longo dos anos, entendemos por que o potencial natural e histórico do Município não é aproveitado como poderia. Falta o sentimento de pertencimento abrangente. Essa afirmação está comprovada nos desaparecimentos e abandonos. Vamos lá.

Onde está o Hospital Livramento; onde está o Pavilhão Canadá; onde está o cinema; onde estão as praias; onde estão os chafarizes; onde está o Mercado Público; onde está o jardim com lago do Parque Coelhão; onde está a mobília antiga da Igreja Matriz; onde está a Casa da Bala; onde está o Saladeiro Linck; onde está o Marco Farroupilha; onde estão os grandes vitrais azuis da Capela de Santa Rita na Florida; onde está a Casa de Saúde; onde estão as luminárias do Calçadão; onde estão as placas de identificação das ruas; onde estão os passeios públicos descritos no Código de Posturas; onde está a água do Arroio Passo Fundo; onde está a figueira do Bar do Ratinho?


E onde está a Reculuta; a Expofeira Centro-Sul; a Festa do Pêssego; o Festival de Música Estudantil; o Brick da Beira; a Festa à Fantasia; o Programa de Educação Ambiental Plantando Ecologia; e o dramático clássico Itapuí x Guaíba?


Os prédios, os monumentos, os equipamentos públicos, as ações sociais e os eventos que citei desapareceram ou estão abandonados porque falta o sentimento de pertencimento abrangente na nossa comunidade. Temos muitos conselhos municipais e um grupo de voluntários que gosta da Cidade e se esforça bastante para não deixar a peteca cair, mas falta o mais importante, falta a conscientização coletiva ampla de que a comunidade é o mais importante. Falta o Conselho do Pertencimento. Sentir-se parte da cidade onde vivemos tem de estar no topo da tabela se a meta principal é a qualidade de vida de todos.


Nos municípios onde falta o sentimento de pertencimento, o que é muito comum no Brasil, o desenvolvimento anda em círculos, porque a política anda em círculos, manifestada por meio de permanente palanque barulhento. O foco em cargos fomenta sucessivas batalhas de cabos eleitorais, que trocam de lado conforme seus interesses; uma luta de verborragia azeda em busca de poder, que se aprofunda no fosso digital.


Este torneio interesseiro presente em toda parte afasta a criatividade e o planejamento, agindo como uma viseira que estreita o olhar, marginalizando o patrimônio histórico e, consequentemente, a identidade da comunidade. Isso é grave.


Estamos precisando forjar o sentimento de pertencimento na nossa Aldeia para que nossas conquistas importantes não desapareçam ou sejam abandonadas no meio do caminho.



Revelações

A Pandemia da Covid-19, além das mortes, do sofrimento, do medo e das mudanças radicais de comportamento cotidiano em praticamente todos os cantos do Planeta, está escancarando muitas revelações, como o tamanho absurdo das diferenças sociais e o quanto estamos todos ligados, independentemente das diferenças sociais.


No Brasil, a pandemia ressalta as desigualdades e os erros políticos na dureza das filas gigantes dos que buscam seiscentos reais para tentar sobreviver; filas que começam e terminam no populismo, independente de lado.


O ex-presidente Lula agradeceu ao coronavírus por mostrar a importância do Estado; e o atual, Presidente Bolsonaro, fez piada com a tragédia. O vírus do populismo rivaliza com o coronavírus. É de cair os butiás dos bolsos!



A Figueira do Bar do Ratinho

Na semana passada, já no fechamento da edição semanal do Jornal, recebi uma mensagem do secretário de Meio Ambiente de Guaíba, Selito Carboni, informando sobre as condições críticas da figueira do Bar do Ratinho, na Praia da Alegria, considerando a necessidade de suprimi-la. A mensagem veio acompanhada de fotos da árvore deteriorada.


A primeira coisa que me veio à mente com a informação foi o fato de que mais um elemento histórico natural da Aldeia vai desaparecer. Quantas festas aconteceram debaixo daquela figueira, quantos encontros e refeições; quantos momentos de alegria se passaram sob a sombra daquela figueira, presente em milhares de fotos em álbuns de família?


Por não ser técnico, questionei amigos biólogos e engenheiros florestais sobre a planta. Fui até o local para ver a árvore.


Como a AMA foi uma ONG criada na defesa ardente das figueiras, e eu estava no grupo de fundadores da entidade que ajudou a preservar muitas delas, busquei ingenuamente uma avaliação da entidade sobre o caso. Queria saber da possibilidade de preservar parte da árvore histórica. Sequer me responderam, o que me leva a acrescentar mais uma pergunta no texto inicial desta coluna: onde está a AMA original?



Gastos da Saúde em Guaíba

Na noite de quarta-feira, 20, a assessoria do vereador João Collares me enviou um questionamento sobre gastos e ações da Secretaria de Saúde de Guaíba no combate à Covid-19, relacionados com a compra de equipamentos e seus respectivos valores. Na quinta-feira de manhã, repassei as perguntas à Prefeitura, que prometeu conferir os contratos e responder na próxima semana. Vamos aguardar para publicar os devidos esclarecimentos.


De acordo com a Tia Alaíde, o Vereador Collares está indignado com a postura do secretário Municipal de Saúde, Jocir Panazzolo, que o estaria ignorando.


Se conheço bem os dois, o Collares vai ampliar a lupa sobre a Secretaria de Saúde, intensificando seu papel de fiscalizar o Executivo, e o Secretário Jocir, que não aceita cobrança ácida, vai encarar o parlamentar, respondendo na mesma frequência.


Que prevaleça a transparência e o bom senso quando o tema for dinheiro público.



Leandro André

[email protected]

Publicado em 22/5/20.

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