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Segunda-feira, 25 de maio de 2020

27/04/2020 - 11h43min

Leandro André

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Abre ou não abre

Leitores têm me questionado sobre o que penso da abertura do comércio durante a pandemia da Covid-19. Não gosto de ficar em cima do muro, acredito que tenho de me posicionar, pois é isso que esperam os leitores. Então, para emitir opinião, preciso me informar, buscar argumentos, questionar e refletir bastante. Do contrário, estarei fazendo o que tanto critico nas redes sociais, onde há comandos de especialistas genéricos opinando sobre tudo sem conhecer quase nada. Ficam achando sem procurar.


Manter o comércio fechado ou abrir durante a pandemia? Resposta difícil, considerando que “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.


Passei a semana pesquisando o que aconteceu em outros lugares, em outros países; questionei amigos que moram no Exterior. Assisti vídeos de especialistas; conversei com amigos médicos, comerciantes e, é claro, com a Tia Alaíde. Refleti muito; acordei no meio da noite pensando na resposta, rolei na cama pensando na resposta, andei pela casa pensando na resposta, e percebi o quanto é difícil descer deste muro maldito. Mas era preciso descer e me posicionar.


Seguia confuso, caminhando pra lá e pra cá dentro de casa e pesquisando, até ligar para um amigo, dono de um pequeno comércio. Sujeito calmo, trabalhador, distante da política partidária predatória; cidadão forjado pelas batalhas da vida, que ajuda a sustentar o conceito de sabedoria popular. Pedi que desse a sua opinião a respeito de abrir ou não o comércio neste momento duro de pandemia. Fui direto. Depois de breve silêncio do outro lado da linha, meu amigo respondeu.


- Sei que este vírus é contagioso, que pode matar. Sei que o melhor a fazer é ficar em casa, em isolamento, até que o sistema de saúde possa atender a todos os que precisarem de UTI. Já entendi e acredito nisso, mas... Silêncio novamente.


- Mas o quê? Avancei com gana pela tão esperada resposta.


- Mas estou ficando totalmente sem capital e sem ter de onde tirar dinheiro. Tenho família pra sustentar e duas funcionárias para pagar. Tenho contas vencendo... Entendo que é preciso começar a abrir o comércio e os serviços com todos os cuidados necessários para evitar ao máximo o contágio. Se isso não acontecer, logo a contaminação pela depressão vai ser igual ou pior do que a da Covid-19...


Abrir com todos os cuidados para evitar ao máximo o contágio. Essa passou a ser a minha resposta quando me perguntam se deve ou não abrir o comércio neste momento. Que decisão difícil, essa.



Outro Vírus Muito Perigoso

Já falei sobre o fanatismo na política, mas vou aprofundar um pouco mais. Nos últimos anos, nós, brasileiros, estamos nos politizando, o que é bom, mas há uma dose importante de fanatismo neste contexto, o que é ruim, muito ruim.

Para tirar um bando de ladrões do poder, os brasileiros elegeram um tagarela valentão, bem mais tagarela do que valentão.


O Presidente Bolsonaro foi eleito de forma legítima. Assumiu o Governo e seguiu com o mesmo discurso. Não há surpresa alguma no seu discurso. Acontece que o presidente age como se ainda estivesse em campanha eleitoral. E, para piorar, ele está cercado de crentes que a Terra é plana, entre outras bizarrices. Sem contar as “rachadinhas” em família que estão sendo investigadas.


O presidente tem todo o direito de defender a abertura do comércio, mas ele não pode apoiar aglomerações e abraçar as pessoas na rua, contrariando as determinações da OMS e de seu próprio Ministério da Saúde. Tagarelar pode, mas aglomerar, não.


E, neste circo político, o fanatismo se alastra como praga, o que é perigoso. A última desse fanatismo descontrolado é a pregação da volta do AI5 e da ditadura no Brasil. Isso é inconstitucional, é crime. Então, estas pessoas têm de ser punidas. Se eu fosse um fanático, pediria relho, mas como não sou, peço Justiça.


Ditadura resulta em realidades cruéis como as vivenciadas na Venezuela, em Cuba, na Síria, na Coreia do Norte e no período do AI5 no Brasil, entre outras. Seja de esquerda ou de direita, ditadura é o pior dos mundos, porque é impossível viver sem liberdade; isso está muito bem provado. Fanáticos são capazes de absurdos, como acampar na frente da cadeia para dar bom dia ao seu ladrão de estimação ou se abraçar em tagarela desvairado de estimação em plena pandemia que empilha corpos.


É tão absurdo o que aconteceu há poucos dias no Brasil, que destruíram a casinha. Grupelhos espalhados pelo País se manifestaram contra a democracia, justamente o regime que colocou o amo que veneram, o “mito”, e os militares no poder.


Enquanto isso, a esquerda, santinha do pau oco, se aproveita da aberração dos fanáticos do outro lado para tentar voltar ao poder com apoio de seus fanáticos. Quando fanatismo e oportunismo se juntam, não importa o lado, não sobram butiás nos bolsos do povo.

Fundo Eleitoral

O Fundo Eleitoral, R$ 2 bilhões de dinheiro público, é destinado para as campanhas eleitorais este ano (dois bilhões - bi). Isso é uma das coisas mais nojentas na política deste País. E, para piorar, a maioria dos políticos no Congresso Nacional não quer passar este dinheiro para ajudar no combate à Covid-19. É muito importante identificarmos quem são os parlamentares que não querem abrir mão da fortuna para usarem na campanha eleitoral. Para que tanto dinheiro público direcionado a campanhas eleitorais em um País onde muitas pessoas estão passando necessidades e até fome?


A população precisa ficar atenta sobre isso. Vamos observar quem vai usar este dinheiro na campanha deste ano. Máscaras vão cair.



Combate no RS e na Aldeia

Analisando o trabalho de combate à Covide-19 no Rio Grande do Sul e em Guaíba, percebo ações corretas até o momento, considerando a contenção da proliferação do vírus. Isolamento social, campanhas educativas e medidas preventivas têm gerado resultados satisfatórios.

Por enquanto, os interesses políticos partidários não azedaram o leite, mas estão se aproximando.



Podemos no Governo Sperotto

Não tem vírus que segure as articulações políticas nos bastidores da Aldeia. Essa semana, o Podemos, partido do senador Lasier Martins, fechou com a base do Governo Sperotto.

O presidente do partido em Guaíba, Leonardo Bitencourt, me confirmou que ele e Marco Vieira, secretário Estadual do Podemos, se reuniram com líderes do PTB municipal, onde foi selada a parceira com vistas às eleições deste ano.


Perguntei ao Leonardo o que levou o partido a se aproximar do Governo Sperotto, considerando que estava em conversas com o Maranata, segundo me informou a Tia Alaíde. Ele disse que a sigla busca contribuir para qualificar ações do governo, no campo das ideias, com pessoas técnicas e um olhar de quem esteve fora da Administração Municipal até pouco tempo. Concluiu, dizendo que o Governo Sperotto abriu espaço para receber novas ideias à gestão.


Além de Bitencourt, assessor do secretário da Fazenda, Rogênio Cavalar, o Podemos de Guaíba conta com nomes conhecidos como Deniza Souza, professora da rede municipal, e do médico pediatra Paulo Fontella Filho, além do Rogênio.



Novo Secretário

Aos 45 do segundo tempo, já no fechamento desta edição, a Tia Alaíde me ligou para dizer que o bispo Lucas Juliano de Moura, coordenador Regional da Igreja Evangélica Quadrangular, assumiu na semana passada a Secretaria Municipal do Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Guaíba. O bispo é da mesma Igreja do ex-secretário da Pasta e vereador, Juliano Ferreira.


Soube pela Tia Alaíde. Nenhuma divulgação oficial da Prefeitura sobre o novo secretário foi divulgada. São os mistérios da fé na política.



Amigo das Fake

Eu tenho um amigo que me manda fake news direto. Quanto mais eu explico que é fake, mais ele manda. Até casos do tempo em que se usava pantalona ele manda como se fossem recentes. Estes áudios falsos, de gente anônima revelando bastidores de hospitais e políticos, são seus preferidos. Acredito que meu amigo tenha sido afetado pelo isolamento e está perturbado.


Não devemos bancar os tontos, compartilhando fake news. Existe bastante coisa interessante para fazer neste confinamento, acreditem.



Séries Bacanas

Nestes dias de pandemia, não dá pra ficar somente assistindo notícias sobre a doença e seus efeitos, em que pese ser importante acompanhar o que está acontecendo. Precisamos, também, fugir de assuntos espinhentos para manter a saúde mental. Pensando nisso, vou dar duas sugestões de séries bem bacanas na Netflix. São poucos episódios e quando terminam fica a sensação de quero mais.


O Método Kominsky, que a Gazeta indicou na semana passada. Dá pra dar boas risadas. História de gente madura, com sacadas inteligentes e emocionantes. Eu gostei. Quando estava entediado, dizia para a Cristina, minha mulher: - Vamos assistir os velhos?


The English Game, que a Gazeta está indicando nesta edição, conta a história do futebol, lá atrás, na Inglaterra do Século 18, quando o esporte começou a deixar de ser exclusivo da elite e a se profissionalizar. Os caras jogavam de calças compridas e botinas. São seis capítulos que assisti em dois tempos, bebendo vinho tinto com moderação.


Ah! Estou aberto a sugestões, também. Podem enviar dicas para o meu e-mail. Obrigado.

Leandro André

[email protected]

Publicado em 24/4/20.

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