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Terça-feira, 02 de junho de 2020

29/07/2019 - 13h50min

Leandro André

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Aldeia Especial

Eu chamo de Aldeia o lugar onde vivemos, porque enxergo a cidade como um lugar especial no qual passamos a maior parte da vida, convivendo com os nossos familiares e amigos. Portanto, nossa Aldeia deve ser o melhor lugar do mundo.

Tem gente que confunde o governo com o lugar e se porta como tararaca. Isso acontece em relação ao município, Estado e País. O sujeito vai ao estádio assistir uma partida de futebol, não gosta do governo, então na hora do Hino Nacional fica sentado bocejando, ou pior, pula e berra os cânticos do time para abafar o Hino. Gente abobada é desarranjada e perde os butiás dos bolsos com facilidade.

Mas vamos voltar à Aldeia; o nosso lugar no mundo.

Essa semana, a Gazeta Centro-Sul apresenta o projeto de revitalização da Praia da Alegria e da margem lá no Recanto do Pescador, no Loteamento Alvorada. Um projeto anunciado pela CMPC, que faz parte de um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público e a Fepam, visando reduzir os impactos ambientais da fábrica. Se colocarem em prática o que apresentaram em slides, vai ficar muito bacana, muito. Não abriram as imagens para o público, justificando que ainda faltam ajustes e tal. Detalhe dramático: a Prefeitura vai ter de resolver a questão das moradias, aqueles barracos que invadem a faixa de areia, mas é preciso fazer isso, garantindo dignidade para os moradores. Uma tarefa complexa para o gestor público, que terá de contar com apoio dos arquitetos e sociólogos da Aldeia. Dá uma lida na matéria ao lado.

E nesse embalo de revitalização de espaço público, é claro que me transportei para aquela Aldeia de cinema, bem cuidada, com calçadas e ruas bem pavimentadas, iluminadas, limpas e arborizadas; com praças e parques cênicos; cidade onde mambira não se cria, nem governante devoto de gambiarra. E não pensem que isso é impossível ou é coisa muito complicada de acontecer; nada disso. Se existe vontade política, comprometimento e forte sentimento de pertencimento na população, é bem viável de se construir uma cidade de cinema, há várias delas pelo mundo, inclusive algumas aqui no Brasil. Por que não pode ser a nossa Aldeia?

O Toninho se enfezou ensaiando uma crítica espinhenta e eu disse para guardar o dedo justiceiro. “Nada de apontar culpados da arquibancada pensando nas próximas eleições, em cargos e esse tipo de sentimento eleitoreiro. Também não vale sapatear no pessimismo e debochar do otimismo. Respira e te acalma. Acompanha a tese até o fim”, recomendei com autoridade de irmão mais velho.

Então, lá fui eu caminhar com a minha neta no calçadão dos sonhos, avançando por passeios públicos bem lisinhos, sem precisar driblar buracos e desníveis, sem ver arcos bregas, sem emaranhado de fios nos postes, sem bancos quebrados nas praças, sem trechos escuros e sem buraqueira nas ruas; sem feiura.

E seguimos andando pela Rua São José iluminada, vendo vitrinas brilhantes, cafeterias e bares descolados, com frequentadores consertando o mundo, pessoas simpáticas caminhando e trocando boa noite.

Na Beira, ah, a Beira! Bares com decks de madeira avançando sobre parte da pista, com aqueles toldos quadrados abrigando mesas de madeira escura; chope gelado com colarinho, espumante com esfirra de espinafre ou pizza de catupiry com rúcula e tomate seco. As vans de cachorro-quente integradas ao contexto bonito. Tudo bem iluminado, com equipamentos públicos em harmonia. Música ao vivo, mas nada de funk ou sertanejo (o sonho é meu, então veto este tipo de som). Blues, MPB, clássicos, samba de raiz; e as tradicionalistas bem elaboradas mantendo sintonia com a alma da Aldeia. Opções gastronômicas para todos os bolsos, mas com classe. Repito, nada de feiura.

Os bairros bacanas, também. Aquele cenário de rua bem pavimentada, arborizada, com gramados e flores nos jardins. Nenhuma lâmpada queimada nos postes. Nada de lusco-fusco na rua. Penumbra só nos bares e restaurantes.

Sei que para manter isso tem de ter dinheiro circulando, população empregada. Então, tem que haver uma política governamental de incentivo às empresas locais e de atração a novas, sem vender a alma pro diabo. Uma cidade bonita atrai investidores, atrai visitantes e, consequentemente, dinheiro.

Para se chegar à realidade que pintei acima é preciso que o governo municipal respeite o dinheiro público e se divida em dois grupos: um para resolver os problemas diários, que surgem como gente avarenta na volta de caminhão tombado com mercadoria na pista; outro para pensar e criar projetos, e debater sobre planos em sintonia com a realidade local; um grupo formado por pessoas inteligentes e desinteresseiras. Cabe até um conselho comunitário de apoio, apartidário, de voluntários que têm afeto pela cidade e vontade de ajudar a criar e multiplicar o sentimento de pertencimento; fazer o sujeito cuidar da sua Aldeia por se sentir incluído nela.

Essa é uma teoria fantástica e viável de se tornar realidade. Acontece que no Brasil, de um modo geral, estamos tão acostumados com desculpas furadas, com coices sociais, com corrupção, com querer levar vantagem, com gambiarra e com seguir empurrando problemas com a barriga, que não enxergamos o quanto é possível construir e manter um lugar bacana de se viver. Enxergar que isso é viável não acontece de um dia para o outro, é uma questão cultural, que leva um tempo, mas para se chegar a uma Aldeia Especial, bacana de verdade, é preciso começar a conversar sobre isso.

Atenção Professores de História

A Gazeta Centro-Sul traz na contracapa desta edição uma matéria fantástica, assinada pelo Catullo Fernandes. Narra um episódio marcante da Revolução Farroupilha. Vale conferir e compartilhar com os estudantes das escolas da Região. Fica a dica.

Leandro André

[email protected]

Publicado em 27/7/2019.

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