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Sexta-feira, 18 de outubro de 2019

06/05/2019 - 11h34min

Leandro André

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Empadas no Meio das Moitas

Se eu fosse abobado, seria contra investimentos em Guaíba; não sou. Se fosse abobado, faria festa a cada anúncio de possíveis novos empreendimentos na cidade. Como não sou abobado, não faço nem uma coisa nem outra. Torço para que Guaíba e Região recebam novos empreendimentos, considerando a geração de renda e empregos. Se é bom para a cidade é bom para mim e a minha família; direto. Mas isso não tem nada a ver com comemorar anúncios de possíveis empreendimentos feito guri de calça nova.

Não foi somente a desistência da Ford, de implantar a maior e mais moderna montadora do mundo em Guaíba, que deixou a população fria em relação aos anúncios de novas empresas. Já aconteceram vinte e cinco anúncios em série sem que pelo menos um se materializasse.

Sobre a tal fábrica de caminhões da Foton, por exemplo, teve comemoração, saudação ao “caminhão gaúcho”, teve gente que triplicou o valor do seu imóvel; teve até comunicado da Prefeitura anunciando a inauguração de um centro de distribuição de caminhões sem que o estacionamento sequer tivesse alvará de localização. Então, vamos deixar para comemorar a Foton quando for produzido o primeiro caminhão na anunciada fábrica de Guaíba. Inclusive, prometi comer escorpião assado, vestido com traje típico chinês, embaixo do Cipreste Farroupilha, quando isso acontecer. Minha promessa está de pé. Por enquanto, no terreno tem apenas barro.

Todos sabem o quanto engordei de tanto comer empadas em coquetéis no meio das moitas no ex-terrenão da Ford durante anúncios de pedras fundamentais que estão lá abandonadas.

Fui irônico aqui na Coluna ao comentar o fato de o dono da Havan parar no meio da Avenida Nestor de Moura Jardim, acenando para as pessoas como um político em campanha eleitoral. Não sou contra a possível instalação de uma loja da Havan em Guaíba, não sou abobado de ser contra um empreendimento comercial na cidade; fui irônico porque foi bizarro. No vídeo que recebi, as pessoas do grupo de apoio ao empresário exibido sequer sabiam se estavam em Guaíba ou em Viamão.

No mundo dos negócios, a avalição para definir o local de um empreendimento passa por uma série de fatores, incluindo logística, mercado, mão de obra e incentivos fiscais. Ninguém coloca loja em uma cidade só porque a população aplaudiu o seu dono no meio da rua.

Uma coisa é torcer pelo desenvolvimento da cidade onde moramos, fazer a nossa parte e contribuir com as estratégias em prol do desenvolvimento sustentável da Aldeia; outra coisa é ser abobado e passar anos comemorando possibilidades e protocolos de intenções; sem falar nos coquetéis no meio das moitas e na bajulação circense.

Cultura da Tapeação

Já disse muitas vezes que Guaíba é uma cidade muito bonita, devido a sua localização e natureza, mas é judiada, o que a torna muito feia em diversos pontos. Hoje, falo sobre a causa da feiura.

Ao logo dos anos, se consolidou a cultura da tapeação e da gambiarra em Guaíba. São muitos os exemplos, basta observar a pavimentação das ruas, o estado das calçadas e os fios nos postes.

Neste contexto, exemplifico com um caso recente e que é recorrente na Aldeia. Em uma calçada no Centro, área de intenso movimento, de repente surgiu um buraco fundo. Todos sabem que buracos fundos, que surgem de repente, são consequências de problemas no encanamento abaixo. Só quem não sabe é a Prefeitura, que sustenta a cultura da tapeação e da gambiarra com devoção. A Secretaria de Obras foi comunicada do surgimento da cratera na calçada e logo uma equipe foi designada para resolver a questão. Resumo da bufa: o buraco foi tapado com terra em cinco minutos. Resolvido, só que não. Um dia depois, com a chuva, o buraco voltou a abrir e está lá, com um galho para sinalizar e evitar acidentes. Este exemplo é clássico da cultura da tapeação e da gambiarra, que se consolidou na cidade das operações tapa-buracos.

O Custo do Tapa-Buraco

Em 2018, a Prefeitura de Guaíba gastou R$ 1.728.526,86 para tapar buracos em 205 ruas. Segundo o Governo Municipal, o serviço é terceirizado, feito pela empresa DCS, com fiscalização dos coordenadores dos bairros.

Resumo da bufa: foram gastos quase dois milhões de reais no ano passado para tapar buracos e as ruas da cidade seguem esburacadas. É preciso rever com urgência este sistema de tapa-buraco.

A Caixa D’água do Bom Fim

Há alguns anos, a Corsan construiu uma imensa caixa d’água no Bairro Bom Fim para terminar com as constantes interrupções do abastecimento na Zona Oeste da Cidade. Muito bem, seria uma obra e tanto se cumprisse a sua finalidade. Acontece que o tal reservatório gigante nunca funcionou conforme planejado e pago. A cultura da tapeação em obras é contagiante na Aldeia e há muito tempo se espalhou, tendo a Corsan como dama de honra.

Essa semana, eu questionei a Prefeitura de Guaíba sobre a tal caixa d’água, monumento mundial à tapeação. Recebi a seguinte resposta: “A caixa d’água está inserida em área pública cedida à Corsan para instalação do reservatório. Atualmente, conforme informado pela gerência da Companhia, a mesma encontra-se desativada. No entanto, na iminência de ser impermeabilizada internamente e pintada”. É de cair os butiás dos bolsos!

Sobre a Municipalização de Escolas

Sindicatos se manifestam em relação a possível municipalização das escolas Carmen Laviaguerre (CIEP), Evaristo da Veiga e Itororó, em Guaíba.

O Cpers defende o patrimônio público da escola estadual. Em três assembleias chamadas pela Prefeitura, as comunidades escolares disseram não à municipalização. O Cpers defende o emprego dos seus professores e funcionários.

O SPMG questiona a necessidade de ampliar ainda mais a rede municipal, tendo em vista a possibilidade do fim das verbas do Fundeb em 2021, o que é arriscado.

A vice-prefeita Cleusa Silveira está encarregada de intermediar audiência com o prefeito a fim de terminar com a lenga-lenga.

Leandro André

[email protected]

Publicado em 04/5/2019.

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