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Sexta-feira, 20 de julho de 2018

16/07/2018 - 14h31min

Leandro André

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Abobados Úteis

Quando jovem, 17 e 18 anos de idade, eu era um estudante de esquerda, muito esquerda. Eu acreditava que o comunismo de Karl Marx era a solução para alcançarmos justiça social. Mas isso era perigoso, pois vivíamos sob um regime ditatorial, de direita, inimigo de morte da esquerda. Então, era preciso ter muito cuidado, não podíamos nos expressar livremente, como acontece hoje, pois quem bobeasse era considerado um subversivo perigoso e logo já estava pendurado e levando choque nos testículos para entregar os companheiros comunistas. Coisa medonha.

Mas, ao mesmo tempo em que eu acreditava no comunismo de Karl Marx como solução macro, defendia com unhas e dentes a democracia e a liberdade de expressão. E lá ia eu nas madrugadas colar cartazes nos postes com mensagens contra a ditadura e a favor da democracia. Sempre tenso, pois, se me pegassem, eu sabia que já era.

Com o tempo, a maturidade me ensinou que extrema esquerda e extrema direita, na verdade, são a mesma coisa. A ideologia é usada para a manutenção de cúpulas no poder, simplesmente isso. Nós, o povo, somos os abobados úteis, usados para manter cúpulas no poder. Eu não queria dizer isso, sequer pensar assim, mas é isso mesmo.

Esquerda e direita são fachadas que escondem ditadores; a realidade atual e a história mostram isso, basta abrir os olhos para enxergar. A esquerda prega um Estado forte, garantindo oportunidades iguais para todos; a direita também prega oportunidades iguais para todos, só que com o Estado mínimo e um tal de mercado no controle, entenda-se por mercado os milionários. Em ambas ideologias, somente a cúpula e seus prestimosos vivem bem. Nós, os abobados úteis, seguimos dando duro, trabalhando bastante para pagar impostos a fim de mantermos as cúpulas no comando, independente do lado que estejam.

Quando vejo pessoas brigando pelo Lula, defendendo o Lula, como se ele fosse um estadista injustiçado, sinto pena. Antes, sentia raiva, mas agora sinto pena, porque também já fui um néscio de carteirinha. Já acreditei no Lula, já gritei “Lula lá”, já votei no Lula na época em que ele garantia que iria lutar contra as grandes empreiteiras e as obras superfaturadas que sufocam o País, que iria terminar com a farra do sistema financeiro, que cobra juros abusivos e destrói famílias. “Lula lá” eu gritava até ficar rouco.

Quando vejo pessoas defendendo a volta do regime militar, argumentando que naquela época o Brasil ia pra frente e que não havia corrupção, eu fico tonto, pois o alienado de carteirinha vive de aparências. A condição de alienado leva o sujeito a acreditar só no que lhe mostram; não questiona, não procura saber a verdade.

Mas vejam bem, este meu chute na esquerda e na direita não significa que não acredito na política, que joguei a toalha e vou anular meu voto. Nada disso. Eu acredito nas pessoas, nos grupos do bem, e é nessas pessoas que temos de apostar. – Onde estão? Perg
untou a Tia Alaíde. – Quem pesquisa acha, respondi.

Recomendo a leitura do Editorial dessa semana.

CPI para Investigar a Prefeitura

CPI é ato político, o que torna seus resultados políticos. Não me iludo com CPI, mas defendi a formação de uma CPI para apurar supostas irregularidades, também na Prefeitura, por coerência. Seria o pior dos mundos apurar somente erros de vereadores, que teriam agido de forma irregular na Prefeitura, e não investigar quem permitiu que as supostas irregularidades fossem praticadas. As secretarias de Saúde e da Fazenda, focos das investigações, pertencem ao Executivo e não ao Legislativo.

Se foram os butiás

Bati forte na necessidade de abertura de uma CPI para investigar a Prefeitura, apesar de saber que se trata de ato político, pelos motivos que já registrei. Só não imaginava que fosse acontecer o que aconteceu.

O vereador Campeão Vargas foi o único a votar contra a CPI para investigar a Prefeitura, e, até aí, tudo bem, considerando que teoricamente o voto é dele, em que pese a desconfiança. No entanto, o que não dá para entender, e é até ridículo, é escolher como presidente da CPI justamente o único vereador que votou contra a sua instauração. Essa foi de cair todos os butiás dos bolsos e dos butiazeiros.

Sobre a Comissão Processante

Me questionaram como vejo o fato do vereador Manoel Eletricista (PPS) ser o relator da Comissão Processante que irá julgar o vereador Renan Pereira, considerando suposta afinidade entre ambos.

Não sei se existe tamanha afinidade entre os parlamentares, mas, mesmo que exista, o vereador Manoel votou favorável à abertura da Comissão Processante; além disso, seu nome foi sorteado e não indicado. Se ele tivesse votado contra a CPP, mesmo sendo sorteado como relator, seria absurdo igual.

Privatização da CEEE já!

Quando recebi a minha conta de luz neste mês, tive certeza de que a CEEE tem de ser privatizada.



Leandro André

[email protected]

Publicado em 14/7/2018.

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