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Tera-feira, 16 de janeiro de 2018

15/01/2018 - 10h13min

Leandro André

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A Foto Política da Aldeia

Chamo a Cidade de Aldeia, por respeito, por carinho. Aldeia é um lugar onde vivemos próximos uns dos outros. Guaíba é a minha Aldeia.

Às vezes, é preciso enxergar a aldeia onde vivemos com um olhar distante, para que se possa analisar de uma maneira mais abrangente. O dia a dia enquadra, abafa, condensa e embaralha a visão do observador.

Para entender uma aldeia é preciso entender como funciona a sua política partidária. Sim, porque é por meio da política partidária que todas as outras políticas são implementadas ou não. Então, lamento dizer, mas quem foge da política e se orgulha disso, na verdade, é um peso a mais no fardo dos problemas sociais. Não é preciso ser filiado a um partido para se interessar por política partidária, que resulta em eleições e que acaba definindo o preço do pão na padaria. O mais importante é conhecer quem se apresenta para nos representar no jogo político e fazer boas escolhas. O resto é ladainha de esquina ou ranço de rede social.

Fazendo o exercício de observar a Aldeia de uma distância que possibilite enxergar a realidade de maneira mais abrangente, ratifico meu entendimento de que o problema maior na nossa Aldeia está na fragilidade da oposição e não na patrola da situação.

Para explicar esta afirmação dramática, temos que voltar no tempo, ir para a campanha eleitoral de 2016. Sim, as campanhas eleitorais se transformam em começo dos problemas ou das soluções.

Em Guaíba, na campanha eleitoral de 2016, tivemos quatro candidatos. Mas, antes de analisar as candidaturas, é preciso ressaltar duas coisas importantes: primeiro, devemos sempre aplaudir aqueles que se candidatam, por mais limitados que acreditemos que sejam, pois tiveram a coragem de se expor, de sair da arquibancada e jogar; segundo, não devemos personalizar candidaturas, entendo que a análise tem de ser abrangente, englobar as correntes de apoio, pois é isso o que importa, as correntes, as alianças.

Em 2016, a Cidade estava mergulhada no lixo, que se espalhava por todos os lados, e com as ruas esburacadas. Isso não significa que não aconteceram ações positivas na administração passada, aconteceram, mas naquele momento era uma aldeia castigada e um governo sem fôlego. Isso deveria dar vantagem para a oposição; deveria, mas a oposição mostrou-se enfatuada e continua assim até hoje.

A principal corrente de oposição se voltou para a agressão ao candidato da situação. A população esperava propostas alternativas para sair daquela realidade difícil e recebia um coquetel de ataques pessoais e shows diários de lambança.

A outra corrente tinha como meta principal resgatar o Hospital Livramento. Até as crianças sabiam que era impossível resgatar o Hospital Livramento, considerando suas dívidas absurdas e, principalmente, porque o prédio não comporta mais um hospital, de acordo com a legislação vigente. Seria preciso reconstruir e, além disso, jogar no lixo todo o dinheiro que já tinha sido investido no atual prédio onde está prometida a implantação do Hospital Regional.

A proposta da terceira força de oposição era não ter proposta alguma. Tudo se resumia na promessa de seguir a legislação, como se fazer gestão se resumisse em respeitar a legislação, o que é uma obrigação. Um delírio simplório.

Portanto, no lado da oposição, havia shows de lambança, uma proposta impossível e um delírio simplório. Do outro, um arquiteto e urbanista prometendo fazer diferente, que se isolou estrategicamente da situação, com um apoio gigante, que foi aumentando na medida em que a oposição se autodestruía online.

Venceu o arquiteto Sperotto com mais votos do que a soma dos seus adversários. Largou bem o prefeito, fazendo o dever de casa, o que foi suficiente para enfraquecer ainda mais a oposição. Para se ter uma ideia da fragilidade da oposição na Aldeia, o PR, partido do principal adversário do Sperotto, já fez aliança com o Vereador Renan, o nome mais forte da situação, para compor a Mesa Diretora da Câmara. Estão ombro a ombro no Legislativo um ano depois da peleia. O deputado Volnei, que gravou depoimento forte contra o Sperotto na campanha eleitoral, já ronda o prefeito para estreitar laços. É de cair os butiás dos bolsos!

No corpo da oposição que persiste, percebo que alguns são movidos pela raiva de quem perdeu ou deixou de ganhar cargo. Isso enfraquece ainda mais a oposição.

Sem uma força contestadora, com argumentos consistentes, a corrente da situação vai fazendo o que bem entende de forma destemida; se torna arrogante. Vejam o que aconteceu na Câmara nos últimos dias: aumentaram ainda mais o cabide de empregos para acomodar o compadrio.

Existem falhas no Governo Sperotto que precisam ser corrigidas, principalmente na Mobilidade Urbana, no transporte público, no sistema viário, na Educação (a eleição de diretores só valeu onde havia chapa única), e na Fiscalização.

A foto política da Aldeia revela que o Município está carente de oposição de verdade.

15 a Zero em Camaquã

Eu adiantei aqui na coluna que o processo de cassação do prefeito de Camaquã, Ivo Ferreira, daria em nada. Dito e feito. Depois da lambança na Câmara Municipal, a primeira denúncia foi rejeitada por 15 a zero pelos vereadores. A votação da segunda denúncia, que deverá ser realizada em fevereiro, só não será 30 a zero para o prefeito porque os suplentes não podem votar.

Corte da Figueira

Ficou a impressão de que, para a Fepam, Guaíba é a “Casa da Mãe Joana”. Ver matéria nesta edição.

Leandro André

[email protected]

Publicado em 13/1/2018.

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