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Quinta-feira, 06 de agosto de 2020

17/05/2020 - 19h53min

Espaço do Sim

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Quem é John Galt?

Em primeiro lugar, obrigado a você, leitor. Escrever a coluna me coloca em um estado de responsabilidade que me estimula muito; me faz refletir.

A quarentena está me dando tempo para retrospectivas e projeções de vida. Oportunidade interessante. Gosto de ler sobre espiritualidade. Li umas 400 páginas de um livro que tinha aspectos históricos de uma sociedade espiritualista que admiro e, impossível ser diferente, revelava fortes contradições humanas. Percebi os riscos da devoção exagerada. Senti falta de outras abordagens. Fiquei de frente para minha biblioteca e perguntei ao meu inconsciente: o que estou precisando ler? Quando abri os olhos, meu olhar caiu num livro que tenho há anos e ainda não tinha lido: A Revolta de Atlas, da filósofa Ayn Rand. Pesquisando mais sobre a autora, descubro que ela deixou uma corrente filosófica chamada Objetivismo. Uma abordagem da vida totalmente desconhecida para mim. O inconsciente atendeu. Aos interessados: www.objetivismo.com.br


Bem, vamos ao tema central. O romance desenvolve uma trama onde os protagonistas lutam contra a corrupção, chantagem e total incompetência do governo, e, também, contra o senso comum desta sociedade onde o valor individual é desprezado. Aynd Rand também atuou no cinema como roteirista, tem uma técnica de escrita muito precisa e envolvente. Na narrativa, em vários momentos, onde a razão já não encontra uma saída, interlocutores débeis usavam a expressão escapatória – Quem é John Galt? Podendo significar – De onde vem isto? Quem se importa? E daí? Tanto faz! Seu argumento é inútil... No terceiro e último volume da obra, descobrimos que John Galt existe. Mas não vou contar quem é. Na história, pessoas notáveis, industriais, professores, engenheiros e músicos abandonam seus negócios como recusa de oferecerem seus talentos, criatividade e produtividade, a arrivistas, ou seja, a indivíduos determinados a vencer a qualquer preço, mesmo em prejuízo de outras pessoas; indivíduos ambiciosos sem escrúpulos, pronto a vencer todos os obstáculos para alcançar seus objetivos, particularmente na esfera política. O grupo constitui uma cidade a parte em um vale escondido, onde exercitam seus mais altos dons de criação e implantação dos resultados. A personagem principal, Dagny Taggart, é apresentada a esse grupo em um jantar. É dito que todos a esperavam, porque ela era um membro natural do grupo. Porque ela agia corretamente, porque ela agia conforme seu próprio código moral. Nisso, a escritora descreve que este reconhecimento gera uma emoção em Dagny, com uma lágrima que lhe escorre no rosto. Me percebi celebrando junto com minha lágrima.


Agir corretamente, ser fiel aos próprios valores, assumir responsabilidade pela própria vida, cumprir acordos e celebrar seus resultados sem culpa ou vergonha de ser feliz. Características da personagem, que acolhi com alegria e que me fizeram perguntar o quanto consigo experimentar deste estado.


Ayn Rand traz o foco para sermos autores íntegros das nossas vidas, sem que tenhamos de perguntar – Quem é John Galt, sem que tenhamos que dizer, e daí? Sem que percamos a vontade, a coragem e a dignidade de pensar com a própria cabeça e atuar como agentes da nossa própria felicidade. Digamos sim a nós mesmos também! Abraço!



Joaquim Mello

[email protected]

Publicado em 15/5/20.

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