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Terça-feira, 20 de outubro de 2020

21/09/2020 - 08h29min

Daniel Andriotti

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Milícias Virtuais

A segunda palavra mais utilizada nos noticiários brasileiros de 2020 é ‘milícia’. Perde apenas para pandemia, claro. Quem não assistiu aos filmes “Tropa de Elite 1 e 2” ou nunca esteve no Rio de Janeiro está tendo a oportunidade de se familiarizar um pouco mais com este termo depois que boa parte da imprensa brasileira identificou ‘milicianos’ entre os amigos de um dos filhos do presidente Bolsonaro. Mas o que seria, exatamente, uma milícia?


Milícia é uma espécie de “poder paralelo” cujos integrantes são militares, paramilitares ou até mesmo civis que não pertencem, necessariamente, ao exército ou aos quadros da polícia. Grupos de homens armados para a defesa de algo está presente na história mundial desde a Idade Média. Por esse motivo, milícias nem sempre podem ser apontadas como organizações criminosas.


Mas não esqueçamos, leitores: somos brasileiros. Nesse caso, o termo milícia recebe uma outra conotação, principalmente quando seus integrantes passam a ocupar os grandes centros urbanos onde a presença do Estado é quase nula. Principal exemplo: as favelas do Rio de Janeiro. E lá, quem “dá as cartas”, salvo raras exceções, são agentes públicos de segurança...


Os objetivos das milícias são muito claros: controle extorsivo sobre comunidades carentes a fim de obter vantagens políticas, econômicas e sociais. Na prática, essa é a essência que separa as milícias de outros grupos criminosos. O que nos preocupa, no entanto, é a grande probabilidade de que milícias urbanas tenham evoluído para alguns grupos de extermínio. A milícia brasileira atua em peso nas comunidades carentes dos subúrbios cariocas, oferecendo (ou impondo, talvez...) diversos tipos de “serviços” como segurança (contra o crime e contra elas mesmas) e na ‘exclusividade’ da venda de água, de gás, de TV a cabo (conhecida como gatonet), caça-níqueis, entre outros produtos, além de se inserirem no contexto do tráfico de drogas local.


Agora, momento em que se reinicia mais um período eleitoral – e se você utiliza a mais popular das redes sociais, o Facebook – é bem provável que já tenha recebido muitos ‘convites para novas amizades’ vindos de pessoas que nunca ouviu falar; e outros tantos daqueles que já vem com uma arte contendo a tarja de pré-candidatos a cargos eletivos. Isso acontece por acaso? Claro que não. É porque um novo termo das mídias digitais, o ‘algoritmo’ – até então utilizado somente nas equações matemáticas – captou algum ‘rastro virtual’ que você nem sabe que deixou: uma curtida, um comentário, um interesse por algum produto ou serviço. Esse método já era utilizado há muito tempo como estratégia de mercado para levar o produto ideal ao cliente certo. Agora ela é aplicada em larga escala violando a nossa privacidade. Não tenha dúvidas que a partir do dia 27 e até o dia 15 de novembro, ela será utilizada para fins eleitorais. Estamos falando de uma estratégia sofisticada de comunicação política que, inclusive, já ajudou muita gente a se eleger. Jair Bolsonaro foi um deles.


Mas o que isso tem a ver com as milícias que citei no início desse texto? Tudo. A partir de agora – e graças ao algoritmo – você poderá ser vítima das ‘milícias virtuais’. Diferente da outra milícia, aquela que controla a segurança, o gás, a luz, o gatonet e os caça-níqueis, as virtuais poderão querer controlar o seu voto...



Como é fácil fazer gols no Inter. Tropeçando aqui e ali, o colorado até que vai iludindo bem o seu torcedor tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Copa Libertadores. Pelo menos por enquanto. O termo ‘iludindo’ mesmo que pesado é realista. Sem laterais, jogadores de criação com qualidade duvidosa e a total ausência de uma zaga confiável não há perdão em campeonatos longos e difíceis.


Já o imortal tricolor, nem iludir está conseguindo. Isso não é consolo, nem flauta. É fato.



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 18/9/20.

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