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Quinta-feira, 24 de setembro de 2020

27/07/2020 - 09h31min

Daniel Andriotti

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Negócio da China

Quando a Terra ainda girava sem o efeito do Corona vírus, o termo ‘globalização’ estava na pauta de 10 entre cada 10 reuniões envolvendo empreendedores de todos os cantos do planeta. E nesse contexto, a China era (e talvez ainda seja) a cobiça de quase todos eles. Muitas empresas – brasileiras, inclusive – abandonaram suas tradições desativando parques de fabricação e linhas de montagens para se tornarem importadores e intermediários do que vem da China. Não por acaso surgiu a expressão popular “negócio da China”...

Do ponto de vista trabalhista, os direitos do cidadão chinês não são regidos por entidades sindicais, religiosas, sociais ou políticas. Não se iluda, caro leitor: há quem defenda isso. Nos Estados Unidos também é assim, mas o modelo americano permite algum tipo de negociação entre empregador e empregado. Na China, não. Talvez por isso – e apesar de – o país utilizou seus conhecimentos milenares para aprender tudo que podia sobre qualidade, produto, cliente, atendimento e tecnologia, conquistando assim, praticamente todos os mercados mundiais de consumo.V

Mas se o sucesso econômico proporciona a um afortunado grupo de chineses uma vida de ostentação milionária, outra parte é totalmente excluída de qualquer convívio com benefícios que o processo de civilização possa trazer. E, se os problemas sociais da China ficassem apenas entre os chineses, certamente teriam aprendido a lidar com isto. Só que não. Eles socializam – também – os efeitos da sua face miserável com o resto do planeta impondo ao mundo não só os seus produtos, mas também as suas epidemias. E se a Covid-19 está associada ao consumo de morcegos como um exótico prato da cadeia alimentar chinesa é porque a fome não lhes permite outras opções. Assim foi em 1957 com a gripe asiática (1,1 milhão de mortos); em 1968 com uma nova gripe do tipo A que infectou 15% da população chinesa e se espalhou pelo resto da Ásia, Estados Unidos e Europa (1 milhão de mortos); em 1997 a gripe aviária H5N1; em 2003 a SARS – Síndrome Respiratória Aguda; e agora com o Corona vírus. V

Estes momentos de quarentena e distanciamento social nos leva a refletir: a China que nocauteou e confinou o planeta vai, de alguma forma, indenizar a humanidade ou se manterá indiferente a qualquer tipo de responsabilidade por todas as epidemias que ‘exporta’ ao mundo, tirando milhões de vida ao longo de todos esses anos? Ou vai seguir permitindo que a humanidade acredite numa teoria da conspiração de que “eles, os chineses, criam o problema para vender a solução? ”.V

De todas essas perguntas, prefiro ficar com as respostas do poeta português Fernando Pessoa. “Depois de tudo ficam três certezas: a de que estamos sempre a começar; de que é preciso continuar; e que podemos ser interrompidos antes de terminar”.

Quarta-feira o futebol voltou ao Rio Grande depois de 127 dias com a bola parada. E quiseram os deuses do futebol que esse regresso fosse com um Gre-Nal. Um Gre-Nal diferente, distante e, pela primeira vez em 111 anos, com portões fechados. Ausente de torcedores físicos, embora que com alguns colorados virtuais (por ser o mandante do jogo) nas arquibancadas. Ainda bem. Foi um jogo ruim. Muito ruim. Um Gre-Nal onde o Inter reafirmou a sua incapacidade crônica de vencer seu arquirrival há quase dois anos: oito clássicos consecutivos de empates e derrotas. Não poderia ser diferente. O tempo parado e a qualidade da grama do estádio Centenário não podem ir sozinhos para a conta da mediocridade, como alegou o treinador colorado. Excessivos erros de passes e muitos (mas muitos mesmo) jogadores de qualidade duvidosa voltaram a atormentar o sentimento pessimista do torcedor colorado.

O Inter colocou em campo nos primeiros 90 minutos, cinco estrangeiros: quatro argentinos (além do treinador) e um peruano. E todos pareciam paraguaios. Mais um motivo para esse 2020 ser riscado do calendário...



Daniel Andriotti

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Publicado em 24/7/20.

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