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Sexta-feira, 25 de setembro de 2020

20/07/2020 - 10h33min

Daniel Andriotti

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A dor do contraditório

“Por ser uma terra sem lei, a internet deu voz aos idiotas”.

Calma, leitores. Essa frase não é minha. É de um dos maiores teóricos da comunicação de todos os tempos, o italiano Umberto Eco, morto em 2016. Comecei a ler Umberto Eco na década de 80 por força da disciplina de Semiótica, na graduação em Comunicação Social. E odiava seus textos porque era preciso ler duas, três, cinco vezes o mesmo parágrafo para ‘tentar’ entender o que ele estava querendo dizer naquelas “bem traçadas linhas”. Hoje, pratico autopunição com chicotadas que eu mesmo dou nas minhas costas...

Muita gente ‘só ouviu falar’ de Umberto Eco por causa do romance – que acabou virando filme – chamado “O Nome da Rosa”. E mesmo assim, o filme é mais lembrado pela interpretação de Sean Connery do que pelo enredo. Mas entre tantas outras, minha leitura predileta dele é o “O Cemitério de Praga (2011)”. E assim como a frase que abre essa coluna, gosto de Umberto Eco porque ele faz graça provocando as pessoas com coisas sérias. E essa é uma das piores síndromes desse século: a da intolerância com o contraditório.

Ninguém é obrigado a concordar com nada, sendo direito individual de cada um acreditar e achar o que bem entender. Mas isso não é uma autorização para falar o que quiser. Por isso vivemos um período de total desrespeito à opinião alheia pelo simples fato de que ela é diferente da minha, da sua, da nossa, da vossa. A internet, como diria Umberto Eco, não deu voz a todos os idiotas, mas àquela maioria que se transforma num monstro quando alguém manifesta um pensamento contrário ao seu. E muitas pessoas, ao invés de demonstrar o seu inconformismo com o que está escrito passam a ofender diretamente quem escreve sem sequer conhecê-lo. E como se não bastasse, trata-o como um inimigo repugnante.

E esse inimigo nem tão invisível assim está sempre ao nosso lado: Inter e Grêmio; esquerda e direita; Lula e Bolsonaro; capitalismo e socialismo, pretos e brancos; homossexuais e héteros... e por aí vai um infinito de rivalidades absurdas. Outro exemplo clássico: se sou contrário à redução da menoridade penal é porque nunca fui vítima de um adolescente-bandido. Dirão, nesse caso, que eu deveria levá-lo para minha casa porque ele é uma vítima da sociedade e que assim pensam os simpatizantes da esquerda. Se sou a favor da cadeia para menores infratores é porque sou um insensível, não tenho filhos com menos de 18 anos, sou de extrema-direita e defendo a pena de morte. É assim e ponto. Caso o assunto seja sistema prisional então, aí é que fica feia a discussão...

Por isso, a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio. Nós, brasileiros, possuímos diferentes níveis culturais, mas iguais direitos de opinião. E o grande gargalo da internet é que ela não pondera o conhecimento e por vezes congestiona a memória do usuário. Somente com esse filtro surgirá uma sociedade melhor; diferente da disputa para saber quem está com a razão.

Segunda-feira foi o dia dele. A “tia” Rita Lee já dizia: “é um menino tão sabido, doutor, ele quer modificar o mundo esse tal de... Rock’n Roll”.  A data foi escolhida em homenagem ao Live Aid, megaevento em prol das vítimas da fome na Etiópia que aconteceu simultaneamente em 13 de julho de 1985 nos EUA e na Inglaterra. Um desejo expressado por Phil Collins de que aquele fosse considerado o "Dia Mundial do Rock" porque lá estavam artistas do peso de Queen, Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood, Elton John, Paul McCartney, David Bowie, U2 entre outros.

Mas para prevalecer o contraditório também no mundo, o "Dia Mundial do Rock” de 13 de julho só é comemorado no Brasil. Por ser uma data definida ‘arbitrariamente e sem o respaldo de outros países’, especialistas em música contestam a escolha. Sugerem outras datas que seriam mais significativas para a história do rock. Mais uma pérola para o rol da absoluta perda de tempo com bobagens!!!

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 17/7/20.

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