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Domingo, 09 de agosto de 2020

22/06/2020 - 10h26min

Daniel Andriotti

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E-golpe

A vida moderna é cheia de termos vindos do inglês, especialmente quando se trata de internet. Você deve estar acostumado com o “e-mail”, correio eletrônico; e talvez com o “e-commerce”, de comércio eletrônico (ou transações comerciais on line). Outro dia escrevi nesse mesmo espaço que “quando um esperto acorda no Brasil, já tem cinco otários na rua, trabalhando por ele”. Atualizando: hoje já não são mais cinco. São quinhentos...

Uma pauta que nunca sai dos noticiários é a dos pequenos (alguns nem tão pequenos assim) golpes populares. O mais famoso deles é o do bilhete premiado. Apesar de extensa divulgação pela mídia e pelas conversas de botequim, continua sendo o preferido e praticado com grande sucesso em pleno século XXI.

Só que agora, em meio à pandemia e em situações de quarentena e distanciamento social, os brasileiros espertos deram um tempo, tá ok? Erradíssimo. É na hora da angústia e do desespero que o poder da trapaça no Brasil ganha ainda mais força. Mas atenção, nesse caso especificamente, não estou falando da classe política. Me refiro ao “e-golpe” via e-commerce (transações comerciais por meio digital). Para quem gosta de estatísticas, os golpistas aumentaram sua atuação em 74% nos últimos 30 dias só no Rio Grande do Sul. Estamos falando de 4.017 registros (fora os que não são registrados) ou, um e-golpe contra gaúchos a cada 11 minutos.

Seja qual for o tipo de cilada, o teatro é fundamental. Mesmo à distância. Para tanto, os golpistas exercem cada vez mais seus poderes de persuasão. O enganado, muitas vezes, até ‘sente um cheiro do golpe’ mas prefere ignorá-lo movido pelo bom senso. Por exemplo: quando o seu número de WhatsApp é clonado e toda sua rede de contatos passa a ser extorquida com pedidos de... (adivinha o quê???).

Mas como isso acontece com toda tecnologia de ponta a serviço da segurança da informação? Vamos lá: você comprou ou tentou vender alguma coisa pela internet. Esse é o caminho: de uma dessas operações é que o criminoso vai se valer para ter acesso ao seu número de telefone e estruturar o argumento para a aplicação do golpe. Então, ele vai ligar se passando por alguém do site de vendas que você utilizou ou da sua operadora de cartão de crédito (caso você tenha comprado algo nessa modalidade nos últimos dias). Na ligação, ele (ou ela) educadamente irá lhe informar que sua conta no site de compra ou de venda foi bloqueada por tentativa de fraude. E que por isso, você estará recebendo um código enviado por mensagem e tudo o que você tem a fazer para reestabelecer a sua conta é repetir ao “solícito atendente que vos fala” os dígitos que foram enviados na referida mensagem. Pronto. Foi a vaca com a corda. Foi a Tereza com as compras. A partir desse momento o seu número de WhatsApp não é mais seu.

Imediatamente toda sua rede de contatos passa a receber um pedido que, quem está lendo jura que você está pedindo uma ajuda através da transferência de uma quantia em dinheiro para o pagamento de uma determinada conta, pois você não está conseguindo pois já pagou outras anteriores e extrapolou o seu limite para aquele dia. “Ainda hoje eu te devolvo” é a expressão-chave. E seus contatos, caem como patinhos. Pelos registros policiais, o valor médio ‘solicitado’ é de R$ 850,00. Então, imagine alguém que, como eu, tenha pouco mais de 600 pessoas cadastradas no meu telefone. Se 10% (estou sendo pessimista) dos meus contatos resolverem me ajudar com a transferência solicitada, os criminosos terão – em poucos minutos – R$ 51 mil reais limpinhos na sua conta. Dinheiro captado por uma história fantasiosa, entregue conscientemente de um dinheiro que é seu de direito a quem de fato não merece. E eu, evidentemente, terei que devolver essa quantia a esses amigos.

Se conselho resolvesse era vendido. Mas não custa avisar seus contatos sobre esse tipo de crime. A maldade humana, definitivamente, não tem limites.

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 19/6/20.

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