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Sexta-feira, 10 de julho de 2020

25/05/2020 - 10h18min

Daniel Andriotti

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O Ralo da História

Nessa semana, enquanto o país rompia a trágica barreira dos mil brasileiros mortos por dia em decorrência da Covid-19, Lula e Bolsonaro, os dois ícones mais disputados pela fé cega dos seus respectivos súditos, abriram a boca, juntos, para mostrar o quanto são hediondos, execráveis, perplexos, deploráveis, abomináveis.


A grande questão-raiz desse problema é que Lula e Bolsonaro são muito parecidos: ambos desprezam e desrespeitam as instituições, a democracia, a ciência, o conhecimento. E é por políticos dessa espécie que todos os dias milhões de pessoas discutem, surtam, brigam, se expõem ao ridículo e ficam inimigas – principalmente através das redes sociais – enquanto que nos leitos hospitalares (ou na falta deles) as vítimas de sucessivos desgovernos, de ambos os partidos e de diferentes correntes ideológicas, vão morrendo aos poucos.


Pelo menos agora Lula não precisava ter dito nada. Até se desculpou, é verdade. Mas já era tarde. Lula é um ex-presidente que se esquiva de vários processos judiciais e ícone de uma esquerda latino-americana falida e hipócrita. Deve se recolher à sua insignificância intelectual sobre qualquer assunto relacionado ao momento extremo e delicado pelo qual o país atravessa. Momento esse, em parte resultante da sua contribuição enquanto presidente. Ele não precisa dizer nada para prejudicar seu arquirrival nesse momento porque o próprio já faz isso contra si mesmo, o tempo todo e com extrema habilidade. Não bastasse filhos problemáticos e em dívida com a honestidade e a justiça – e que Lula também os tem – o atual presidente se mostra um lunático diante de uma pandemia invisível, letal e devastadora. Tanto de vidas quanto da economia e do futuro do Brasil.


Bolsonaro foi eleito pelo voto da rejeição a Lula, à corrupção e ao PT, não necessariamente nessa ordem. E agora, Jair? Isolado politicamente, refém do “centrão”, com investigações no STF e com pelo menos 30 pedidos de impeachment no Congresso, derrubando – em média – pelo menos um de seus ministros ‘mais populares’ a cada sete dias, fica cada vez mais difícil acreditar que seu mandato chegará ao final pelas ‘vias naturais’. Renúncia? Pelo seu perfil, pouco provável. Vivemos uma crise sanitária, que evolui para um colapso econômico temperado por uma outra crise, a política. Essa última, totalmente desnecessária. De um modo geral, se olharmos para os presidentes ou primeiros ministros de importantes países que também enfrentaram o Coronavírus, quase todos saíram fortalecidos. Mas, outra vez, com o Brasil tinha que ser diferente. Cumprimos o rito de permanecer no ralo da história.


Conheci um tenente da reserva, integrante do Batalhão de Suéz, que morreu há alguns anos, velhinho – bem antes do Coronavírus. Ao longo de todos os governos que o Brasil teve no pós-ditadura ele sempre me dizia: “O Exército está atento!!!”. A presença dos militares no governo não significa que as Forças Armadas esteja governando ou faminta por (re)tomar o poder através de (mais) um golpe. Até porque o vice-presidente é um general. No entanto, me parece que demonstram um certo desconforto pelo fato de que o fracasso de um governo com vários militares possa se refletir negativamente na imagem das Forças Armadas que, a exceção do pensamento de parte da esquerda, é relativamente boa entre os brasileiros. Se existealguma rejeição à resenha ‘verde-oliva’, a maioria da população gosta da sensação de segurança que ela lhe traz. Nem por isso acredito que iriam se envolver em algo que signifique uma quebra nas regras constitucionais. A menos que haja grandes manifestações pelo país afora. Dentro e fora dos gabinetes acarpetados de Brasília. Mas a política brasileira, definitivamente, não é para amadores. E isso inclui até mesmo aqueles que vestem farda.



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 22/5/20.

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