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Segunda-feira, 25 de maio de 2020

17/05/2020 - 19h47min

Daniel Andriotti

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Ogro Sapiens

Há quem diga que a ignorância é uma bênção. Mas tem os que defendem que a ignorância só é uma bênção quando o conhecimento é assustador. Isso porque a verdade nem sempre é agradável aos olhos e aos ouvidos mais sensíveis. E assim caminha a humanidade nesses dias de quarentena...


Não é novidade que a pandemia do Covid-19 tem dominado os noticiários – os sérios e os nem tanto – assim como os debates políticos e ideológicos pelo mundo afora. Conversas de botequim, nesse momento, estão proibidas. No máximo, um bate-papo por debaixo das máscaras, a um metro e meio de distância, nas filas das casas lotéricas para o pagamento de boletos ou da Caixa Federal para receber os R$ 600 “pila”. Por isso, muitas vezes fica difícil compreender os dados e entender o que está acontecendo com tantas informações circulando pelas mais diversas mídias com os mais diferentes interesses, que mostram números, gráficos, tendências...


Mas então, como acreditar em tudo o que se vê, se ouve e se lê nesse turbilhão de coisas que nos chegam minuto a minuto? O número de mortes pela Covid-19 é verdadeiro? Porque ninguém mais divulga que as pessoas seguem morrendo assassinadas; ou em acidentes; ou de infarto, de câncer, de dengue, de zika vírus? O que há por trás (ou por debaixo) daquelas covas abertas por retroescavadeiras numa vasta área de chão batido?


Tão rápida quanto a evolução, a disseminação e o impacto da pandemia pelo mundo foi a estratégia na tomada de decisão das principais emissoras brasileiras como Globo, SBT, Rede TV e Record – citando apenas alguns canais não-pagos – de ampliarem, tanto no tempo quanto no espaço, seus programas diários de jornalismo apostando no absurdo aumento de telespectadores enfurnados dentro de casa e na frente da TV como resultante do distanciamento social. A Band optou por se manter no “mais do mesmo”. E, em meio à proliferação das redes sociais e das fake news, o trabalho dos jornalistas tem sido reconhecido pela grande maioria das pessoas. A linha editorial das emissoras para as quais eles trabalham, nem tanto. Nesse sentido, entra o quesito ‘confiança’: há quem diga que o jornalismo do SBT e da Record transmite alguma esperança, enquanto que o da Globo investe no noticiário-terrorista do ‘quanto pior, melhor’; por motivos que desconhecemos, mas que desconfiamos quais são. Para os profissionais do jornalismo, que vinham trabalhando há tempos em redações reduzidas e com grande sobrecarga de trabalho, os desafios são ainda maiores em situação de pandemia. Assim como em outros negócios, muitos produzem seu material em casa. Alguns, por serem do grupo de risco (mais de 60, diabéticos, asmáticos...) ou por simplesmente por terem estado em compromisso profissional com pessoas infectadas. Assim, entram em quarentena, fazem testes, infectam-se, adoecem...


Quando a história do jornalismo no século 21 for escrita, os tempos da pandemia do coronavírus provavelmente serão registrados como um dos melhores momentos para a profissão nesse período, mas talvez também como os que determinaram um esvaziamento ainda maior da atividade, que durante três décadas já vinha diminuindo de tamanho e de relevância.


Voltando ao começo: se minha ignorância é uma bênção, todo dia aprendo com ela.



Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 15/5/20.

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