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Segunda-feira, 25 de maio de 2020

04/05/2020 - 10h24min

Daniel Andriotti

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Jalecos brancos

Difícil não falar de coronavírus.

Quem cuida da saúde de quem cuida da saúde do mundo?

Mesmo que na nossa cultura ocidental a morte seja um assunto socialmente evitado e politicamente incorreto, em raras ocasiões a sociedade global experimentou momentos mais trágicos do que quando servidores colocam suas vidas em risco para proteger e cuidar da população. Em situações de violência isso vale para a polícia. Mas em situações de pandemia é a hora e a vez dos profissionais da saúde. É dever da humanidade, portanto, prestar solidariedade e apoio a essas pessoas e às suas famílias.

Quando morre um policial ou um profissional da área da saúde no exercício da função, não são apenas parentes e amigos mais próximos que sofrem com o luto: é dever de toda a sociedade sentir a perda de quem tem a missão de assegurar a vida de outras pessoas.

Nesse momento, em todo o mundo, o risco caminha lado a lado com tudo que se move em função de uma crise de saúde global. Mas na linha de frente ao combate do Coronavírus, está uma força de trabalho essencial ao dia-a-dia da epidemia e que merece muito mais do que aplausos nas janelas ou nos corredores dos hospitais: os heróis (e não super-heróis) de jaleco que também se tornam vítimas da doença. Com jornadas intermináveis, altamente expostos aos riscos e pressionados por um fluxo grande de pacientes, muitos profissionais da área sofrem um desagaste tanto quanto ou maior do que aqueles que precisam de atendimento. Sentem-se exaustos e, em muitos casos, desenvolvem traumas psicológicos por lidarem de maneira próxima e frequente com situações de intenso impacto emocional vividas por seus pacientes. São médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, maqueiros, pesquisadores, laboratoristas, motoristas, equipes de limpeza, entre tantos outros protagonistas que, expostos à contaminação, vivem uma situação-limite. E como se não bastasse, por motivos óbvios, afastados da família mesmo que morando na mesma cidade. Quando tomamos conhecimento da morte de um desses profissionais tentando salvar a vida de um outro ser humano, é como se cada um dos 7 bilhões e 500 milhões de habitantes desse planeta levasse um soco na boca do estômago.

É provável que a ética sopre no ouvido de um profissional da saúde que “o paciente sempre vem primeiro”. Talvez seja o momento de pensar que, nesse caso, “o paciente nem sempre deve vir primeiro”. A romantização do trabalho desses profissionais é bonita mas deve ter limites. No Brasil não existe um levantamento oficial mas estima-se que desde o início de março até a metade do mês de abril, cerca 7 mil profissionais da área da saúde foram afastados do trabalho por causa da pandemia do Coronavírus. E destes, 1.400 estavam infectados. Dezoito morreram. E o pior: representantes das categorias afirmam que um dos principais problemas enfrentados por esses profissionais é a falta de capacitação ou de oferta adequada de equipamentos de proteção individual. Por outro lado, de acordo com o Ministério da Saúde, quase 23 mil brasileiros que testaram positivo para o Corovid-19 já foram curados.

E isso é graças a quem, mesmo???

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 01/5/20.

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