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Sexta-feira, 29 de maio de 2020

27/04/2020 - 11h52min

Daniel Andriotti

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A Hora e a Vez das Lives

Por hora, chega de coronavírus.

Se essa pandemia tivesse acontecido há 25 anos, morreria mais gente de tédio do que de Covid-19. Há duas décadas e meia atrás quem tinha um notebook e um telefone celular era uma pessoa de elevado poder aquisitivo. Pela novidade, tecnologia e alto custo de ambos. Hoje eu temo pela longevidade dos notebooks mas é praticamente impossível encontrar alguém no mundo, dos oito aos 80 anos, que não tenha – pelo menos – um aparelho de telefone celular. Há quem tenha dois, três, cinco. E o mais impressionante é que quase ninguém o utiliza na função para a qual ele foi prioritariamente criado: realizar e receber chamadas de voz. Hoje, os celulares são verdadeiros computadores manuais, com acesso à internet e à possibilidade de instalação de programas – também conhecidos como aplicativos, ou simplesmente app’s – que revolucionaram o mundo da tecnologia digital e, não sejamos hipócritas: vieram para facilitar a nossa vida. Resta, no entanto, torcer para que a absurda imensidão de pessoas on line não coloque o espaço cibernético em colapso. O teste de fogo é esse: a quarentena.


Nunca tanta gente esteve conectada ao mesmo tempo. E, verdade seja dita: nunca as redes sociais tiveram tantas publicações patéticas. Mas quero falar mesmo é sobre algo que já existia nesse mundo virtual e que a quarentena se encarregou de popularizar: as ‘lives’. A pronúncia é ‘laive’... que significa ‘ao vivo’, ‘direto de’...


Os shows à distância são os mais emblemáticos porque enfim, colocaram em questionamento alguns talentos. Como se não bastasse o ‘delay’ – no caso das duplas sertanejas, por exemplo, onde tiveram um azar técnico quando cada um tentou cantar da sua própria casa – a ausência de uma mega infraestrutura de palco, incluindo uma boa mesa de som e uma banda competente vem fazendo com que alguns ídolos fiquem pelo caminho. É claro que a descontração e o improviso amenizam algumas situações e os cenários ostentadores das belas mansões dos artistas contribuem para impressionar os fãs. Ou seja: os bastidores viraram shows.


Mas quanto vale e quem ganha dinheiro com uma live musical? No último dia 20, Marília Mendonça bateu 160 mil fãs ao mesmo tempo. Isso é muito mais gente do que a plateia dos grandes festivais físicos que foram cancelados pelo mundo. Os shows são a maior fonte de renda dos artistas e equipes há mais de vinte anos, desde a decadência dos CDs e ascensão do MP3. O ‘streaming’ (tecnologia que envia informações multimídia através da transferência de dados, utilizando especialmente a Internet e foi criada para tornar as conexões mais rápidas) voltou a dar boa renda nos últimos anos, principalmente através do YouTube. Mas são os palcos que pagam as contas de artistas grandes e independentes. Ou pagavam.


As lives até podem atrair novos fãs e gerar conexão, mas quase nenhuma renda. Estão longe de ser uma luz no fim do túnel da crise financeira que se prevê para músicos e outros trabalhadores como roadies e técnicos. O YouTube até permite incluir anúncios nas lives e gerar receita para os donos dos canais. Mas é uma ferramenta geral, não específica para música. Não inclui um sistema de distribuição de direitos autorais, por exemplo.

Seja no modelo artístico, tecnológico ou de negócios, estes primeiros dias de ‘lives’ são apenas o começo da adaptação da música pop à quarentena. Nada vai substituir um bom show num teatro e até mesmo num estádio. Além da sensação de respirar o mesmo ar do ídolo, o público ajuda a manter o bilheteiro, a equipe de segurança, o ‘tio’ do cachorro quente, do refri, o pipoqueiro, o flanelinha...



Daniel Andriotti

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Publicado em 24/4/20.

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