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Sexta-feira, 03 de abril de 2020

05/03/2020 - 16h01min

Daniel Andriotti

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Aprendam, cidadãos malvados!!!

Feliz ano novo, leitores.



No Brasil, o tempo passa (o tempo voa...), mudam os governos, ora o militarismo, ora a democracia, esquerda, centro, direita, socialismo, liberalismo, neoliberalismo... não adianta: o ano produtivo do país continua iniciando – de verdade – somente depois do carnaval. Sim, essa festa sem limites, que reúne uma verdadeira multidão pelas ruas do país, andando do “ponto A” para o “ponto B”, pulando, bebendo, brigando e suando sem parar. Isso que você está pensando e que não citei aqui, há controvérsias: os meses que mais nascem crianças no Brasil são março e maio; e não em novembro. Isso porque os bebês que nascem entre março e maio são os filhos do final do inverno. E não os do Carnaval. Muito pelo contrário: é nesse feriado que a densidade demográfica cai bastante porque o número de mortes nas nossas precárias estradas durante o Carnaval é de causar inveja ao Corona vírus.

Mas vamos lá: agora sim, da Bahia para baixo, começou 2020. Especificamente nesse ano, exatos 60 dias após o réveillon. Como não tenho hábito – muito menos paciência – de sentar em frente da TV para assistir aos desfiles, o pouco (mas muito pouco mesmo) que vi foi através dos noticiários sobre o carnaval desse ano, em especial ao das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e de São Paulo (que são as que se posicionam criticamente sobre alguma coisa de acordo com aquilo que lhes interessa). E nesse sentido pude perceber através das reportagens que o carnaval desse ano homenageou – além dos sempre lembrados índios, escravos e Jesus Cristo –, outros personagens da vida real como bicheiros, traficantes, milicianos, comunistas, palhaços... até o diabo teve algum destaque. Heróis como bombeiros, professores que com pouca ou até mesmo nenhuma remuneração viajam quilômetros e mais quilômetros todos os dias para ensinar; e alguns até morrem para salvar crianças de uma escola em chamas; as vítimas de Mariana, de Brumadinho, das enchentes e dos deslizamentos que – em algum lugar do país, tradicionalmente – todo início de ano levam inúmeras vidas brasileiras por absoluta falta de infraestrutura urbana associada à incompetência político-administrativa, nada. Absolutamente, nada. Esses foram esquecidos, mais uma vez, na maior manifestação cultural do mundo.

Logo, Carnaval é aquela época do ano em que escolas de samba financiadas por bicheiros e traficantes querem ensinar tolerância, religião e bons modos aos cidadãos malvados.


O clima era (e é) tão tenso no Beira Rio nos últimos dias que até uma égua da Brigada Militar enfartou e morreu no pátio do estádio antes do jogo do Inter na quarta-feira, contra o Tolima.

Por força da minha atividade profissional, preciso entender e me comunicar em espanhol várias vezes durante o dia. Após o Gre-Nal do último dia 15 escutei atentamente à entrevista coletiva do técnico argentino do Inter, Eduardo Coudet. E confesso que não entendi absolutamente nada do que ele disse. Fala muito rápido, tem uma dicção ruim e por vezes utiliza termos específicos de um dialeto carregado de alguma gíria. Então, deduzi que não é o grupo de jogadores do Inter que é ruim, nem o esquema tático que ainda não encaixou. O problema é que, com exceção de Cuesta, Dalessandro, Musto e Sarrafiore, ninguém entende absolutamente nada do que o técnico fala no vestiário.

O que falta na verdade, é só um tradutor. É mais simples e mais barato do que se pensa. Ufa.... que alívio!!! E eu, maldosamente, pensando que o grupo de jogadores do Inter era desqualificado e o treinador teimoso...

Daniel Andriotti

[email protected]

Publicado em 29/2/20.

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